Jovem que se aposentou aos 34 anos conta que não é fácil se adaptar a uma vida na qual não é preciso trabalhar

Voltando a falar de projeto de vida e aposentadoria, reproduzo, a seguir, interessante matéria publicada no portal da revista ÉPOCA NEGÓCIOS, com base em situação real, ilustrando o que acontece quando a pessoa opta pela aposentadoria sem estar adequadamente preparada. No caso, o jovem Brandon, personagem que motivou o texto, caiu no autoengano de imaginar que estando resolvido financeiramente poderia desligar-se precocemente da rotina do trabalho, numa boa. É por esses e outros equívocos de preparação para o futuro, ou de falta de bom planejamento pessoal, mais acentuado nos casos de aposentadoria precoce, que muita gente se dá mal por aí afora, transformando o que seria um prêmio (a aposentadoria) em sofrimento, arrependimento etc. A liberdade e a autonomia plena são tentadoras, mas é preciso ir devagar com o “andor”. Aliás, segundo diversas pesquisas, aposentadoria precoce tem motivado muitos adoecimentos! 

Como já mencionei em outras oportunidades, um bom projeto de vida para ingressar na aposentadoria requer cuidado e algum tempo de preparação/maturação, no qual precisam ser considerados diversos fatores. As finanças pessoais compõem apenas um deles. No livro LONGEVIDADE – Como se preparar para uma vida longa e bem-sucedida, que estou lançando este mês, recomendo levar em conta nove grandes fatores, que se desdobram em outros tantos. Sem bom planejamento e um propósito claro para a nova vida, o risco de arrependimentos e inadaptações aumenta consideravelmente. O filme As Confissões de Schmidt, com Jack Nicholson, mostrou na década passada, de forma bem emblemática, outro exemplo de alguém que se dá mal numa aposentadoria não planejada, sendo que, ali, o personagem da história era um ex-executivo, com 60 anos.  

Portanto, seja por curiosidade, seja para servir de alerta, recomendo a leitura desta publicação:

“Jovem que se aposentou aos 34 anos conta que não é fácil se adaptar a uma vida na qual não é preciso trabalhar

A maior dificuldade para ele é encontrar uma nova motivação que não seja dinheiro

\'DesenvolvedorDESENVOLVEDOR DE SOFTWARES BRANDON DURANTE VIAGEM APÓS ESTAR “APOSENTADO” AOS 34 ANOS (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Ele tinha 34 anos quando conseguiu o que muitas pessoas mais desejam: aposentar-se com conforto financeiro. Largou um emprego tranquilo e de boa remuneração como desenvolvedor de software e passou a viver sua vida de outras formas. Foi viajar por três meses, começou a cuidar da saúde, tocar novos projetos, aventurar-se escalando montanhas e gastar tempo estudando a história, entre tantos outros. Tinha todo o tempo livre do mundo para tocar novos projetos que amasse e grana para colocá-los em prática. Parece uma história dos sonhos, correto? Não é bem assim.

Em artigo publicado em seu site de finanças pessoais Mad Fientist, o desenvolvedor Brandon, cujo sobrenome não é revelado por questões de privacidade, refletiu sobre seu primeiro ano como aposentado. Ou, como prefere defini-lo: “Meu Primeiro Ano de Liberdade”. O objetivo do texto é explicar às pessoas como é viver sem precisar depender de um emprego para pagar as contas. Uma de suas conclusões é que a felicidade e o conforto não vieram de forma tão natural e rápida como ele esperava. Ele explica os motivos, que estão — vejam só a ironia— fundamentalmente ligados a finanças.

Até completar 34 anos, Brandon diz ter vivido motivado por dinheiro. Ele guardava boa parte do que ganhava para conseguir se aposentar mais cedo. Economizava e investia 70% de seu salário líquido. Por viver de modo simples e trabalhar em uma área rural de Vermont, nos EUA, era possível colocar em prática esse plano. Seguiu essa estratégia por anos. Até chegar a primavera de 2014, quando ele finalmente tinha dinheiro o suficiente para poder largar o emprego. Ao anunciar sua saída, a empresa lhe ofereceu a possibilidade de continuar a trabalhar com eles remotamente. Brandon aceitou e passou alguns anos na ativa além do planejado, encaixando viagens com a esposa no período. O emprego durou até o casal se mudar para a Escócia, em maio de 2015. De lá, ele continuou a trabalhar em alguns projetos paralelos até se aposentar definitivamente em 29 de julho de 2016.

E o que aconteceu então? “Eu surtei”, diz. “Todos nós temos esses planos grandiosos. Dizemos para nós mesmos:  se eu tivesse todo o tempo do mundo, aprenderia tal idioma e entraria em forma. Mas, quando chega a hora de colocar a roupa da academia e começar a se dedicar ao que você quer, é difícil”.

Aposentado, Brandon começou a planejar as novas experiências que gostaria de ter. Decidiu ir escalar com sua esposa, uma experiência que de tão apaixonante, diz, o fez pensar ser se um montanhista era o que queria para sua vida. Chegou à conclusão rápida de que não. Algum tempo depois, passou a refletir sobre como poderia fazer com calma aquilo que sempre fez de forma automática e com pressa. Pensou em como gostava de café e foi conhecer algumas cafeterias com tranquilidade, para apreciar melhor a bebida, e conhecer a história e o processo pelo qual passam os grãos que adora.

Em um segundo momento, decidiu cuidar da saúde, matriculou-se numa academia, já que agora não tinha mais a desculpa do trabalho para não se exercitar. Depois de umas semanas de adaptação e uma frequência assídua, passou a gostar das aulas e das mudanças que já apareciam em seu corpo. “Percebi como estava louco. Porque em apenas um mês eu fui de um desenvolvedor de software doente para um rato de academia saudável”. Os exercícios o ajudaram a diminuir o nível de estresse de forma geral.

Bem, esse foi o seu primeiro mês de liberdade.  A partir do segundo, Brandon aproveitou para fazer aquilo que parece ser o sonho de muita gente ao largar um emprego: sair por aí, conhecendo o mundo. Passou três meses conhecendo 14 países de 4 continentes diferentes. Nessa viagem, aproveitou para visitar Vermort e tomar uma cerveja com seus velhos amigos.

Quando voltou de viagem, pensava que acabaria retornando ao trabalho. Foi quando a ficha caiu. Percebeu que não precisaria. Ficou tão animado que começou a se dedicar a uma série de projetos paralelos. Alguns, inclusive, que o faziam perder o sono. Mas os dias foram passando e ele não se via feliz ou confortável com a nova situação. Foi então que percebeu que sentia falta de ter o dinheiro como motivação. E isso o chocou profundamente. “O dinheiro motivou toda a minha vida até eu chegar aos 34 anos e me aposentar. Foi chocante e desconfortável essa mudança”, afirma.

Ele conta que estudou muito durante o colégio para entrar em uma boa faculdade que aumentasse suas chances de conseguir um emprego que pagasse um salário alto. E como quando conseguiu esse emprego passou a trabalhar de forma inteiramente focada e dedicada para ser promovido e, assim, ganhar ainda mais dinheiro. Não satisfeito, começou a fazer horas extras e a trabalhar em negócios paralelos, para aumentar sua renda. “Eu pensava em cada escolha: onde iria viver, para onde iria viajar, o que faria. Escolhia tudo isso baseado no quanto iria me custar”.

Agora, diz, é “ótimo estar nessa posição”, mas “perder o que te move na vida é extremamente desorientador”. É difícil, por exemplo, tomar a decisão de quais projetos implementar sem ter o dinheiro como motivador. “E aí que você percebe quantas escolhas faz motivado por dinheiro. Tenho certeza de que se trata da maioria delas”.

A partir dessa reflexão, Brandson conta que precisou reavaliar toda sua vida: da forma como definia planos a suas fontes de motivação. Ele diz ainda não ter encontrado todas as respostas, mas que caminha nesse sentido. Por exemplo, ele tirou os anúncios de seu blog, algo que sempre detestou, mas que mantinha para cobrir os custos operacionais. Mudar essa mentalidade, fala, é ainda mais difícil para uma pessoa que passou décadas programando e aprendendo a pensar e a trabalhar sob a mesma lógica. “Estar satisfeito com o que se tem já é ótimo, mas você ainda precisa de algo para te motivar. Do contrário, o que te fará levantar da cama todos os dias? Especialmente quando essa cama é muito mais confortável?”, brinca. ”

Fontehttp://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2017/09/jovem-que-se-aposentou-aos-34-anos-conta-que-nao-e-facil-se-adaptar-uma-vida-na-qual-nao-e-preciso-trabalhar.html

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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3 respostas para Jovem que se aposentou aos 34 anos conta que não é fácil se adaptar a uma vida na qual não é preciso trabalhar

  1. Eliana Cristina de Lemos Ornellas disse:

    Muito bom.👏

  2. ANAFOG disse:

    Aposentar é a melhor coisa do mundo….simplesmente uma delícia……eu amava o meu trabalho(professora …por mais de 30 anos)…mas essa liberdade conquistada…é indescritível…..gostei muito deste post.

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