Novas revelações: Caminhar libera ‘superpoderes’, diz neurocientista!

Eu – e certamente você – conhecemos pessoas que sempre foram ativas, com muitas atividades, com disposição para caminhadas frequentes, que, a despeito de agora acumularem idade mais avançada, seguem com disposição e boa saúde.

Essa constatação fortalece a crença, bastante ampla, de que, entre diversos tipos de atividades físicas, a prática aeróbica da caminhada faz bem para o indivíduo, em termos físicos e psicológicos, por diversos motivos. Naturalmente, acredita-se que caminhar proporcione resultados positivos em termos de saúde e qualidade de vida. E isso é bem-estar!

Mas o melhor desse papo é ter comprovações, com base em estudos científicos, a respeito de benefícios reais propiciados pelas caminhadas. Foi isso que revelou matéria publicada no blog LONGEVIDADE: MODO DE USAR, no dia 8 passado. Por essas e outras, não nos faltam argumentos e incentivos para sair em caminhada, cada vez mais!

Confira a seguir:

“Caminhar libera ‘superpoderes’, diz neurocientista

“Precisamos nos manter mais ativos ao longo do dia todo”, afirma Shane O´Mara

Caminhar nos deixa mais saudáveis, felizes e “afia” o cérebro. O neurocientista Shane O´Mara, que acabou de lançar o livro “In praise of walking” (em tradução livre, “Um elogio à caminhada”), garante que o hábito de perambular equivale a liberar superpoderes dentro de nosso corpo. Portanto, para quem se recusa a frequentar uma academia, ele sugere algo simples, mas, ao mesmo tempo, eficiente: calçar um par de tênis confortáveis e sair por aí.

O cerne da tese de O´Mara, professor do Trinity College Dublin, é que o cérebro precisa de movimento para funcionar bem. “Nosso sistema sensorial funciona melhor quando nos movimentamos”, declarou à repórter Amy Fleming, do jornal “The Guardian” – a entrevista, claro, foi dada enquanto eles andavam pela cidade de Dublin. Para ele, é o que mantém ativo o que chama de nosso GPS interno, o “mapa cognitivo” que armazena e organiza as informações.

O neurocientista Shane O´Mara, autor do livro “In praise of walking”, enfatiza as vantagens de caminhar — Foto: Wikimedia CommonsO neurocientista Shane O´Mara, autor do livro “In praise of walking”, enfatiza as vantagens de caminhar — Foto: Wikimedia Commons

O entusiasmo pelas caminhadas se relaciona com seus estudos na área de pesquisa experimental do cérebro. Ele ensina que os circuitos cerebrais associados à capacidade de aprendizado, memória e cognição são os mesmos afetados por estresse, depressão e ansiedade – e afirma que, quando estamos em movimento, ondas cerebrais neutralizam esses efeitos negativos. “Apesar de não termos ainda um volume de dados suficiente, é razoável supor que, em determinados casos de lesões no cérebro, haverá grandes benefícios se o paciente puder andar, devidamente supervisionado”, explica.

A atividade aeróbica também estimula os fatores neurotróficos, que são moléculas relacionadas ao crescimento e à sobrevivência dos neurônios. “Você pode pensar neles como fertilizantes moleculares, que aumentam a resiliência para fazer frente ao envelhecimento”, diz O´Mara, que considera um “erro terrível” que o simples ato de caminhar não seja encarado como exercício. “O que precisamos é ser mais ativos ao longo do dia todo”, enfatiza.

Publicado em: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/08/08/caminhar-libera-superpoderes-diz-neurocientista.ghtml

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Bossa nova: vídeo mostra como a batida de João Gilberto é uma incrível mescla rítmica!!!

O advento da chamada ‘bossa nova’ trouxe influência musical inafastável para mim. Não é por acaso que, nos últimos anos, ao brincar de compor algumas músicas, duas delas nasceram sob esse toque, a exemplo de Luar Bonito, que apresentei aqui no sábado passado.

É claro que esse marcante estilo musical brasileiro, cuja sonoridade encanta muita gente ao redor do planeta, tem como um dos seus principais ícones o baiano João Gilberto, violonista, cantor e compositor, falecido dia 6 de julho passado, aos 88 anos. Isso se deve, em especial, à inovadora batida do violão (“bim bom”) desenvolvida pelo genial artista. Algo muito singular e revolucionário, sem dúvida!

Exatamente para explorar – e demonstrar – como se dá esse toque violonístico de fato  impressionante, trago bem elaborado vídeo, publicado esta semana pela TV FOLHA, da série Ao Pé do Ouvido,  com o título “João Gilberto: entenda a escola de samba do seu violão”.

Mate sua curiosidade e fique melhor informado sobre essa incrível mescla rítmica (a bossa nova) que é uma grande marca, ou grife, made in brazil. O vídeo, publicado no YouTube, tem duração de 6:50.

Confira a seguir (vale muito a pena):

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Longevidade e trabalho: Como aproveitar o crescente número de talentos maduros? – Parte final

Resultado de imagem para fenomeno da longevidadeImagem:Mundo do Marketing

Na primeira parte deste artigo, que publiquei aqui no dia 15 do mês passado, tracei amplo panorama da crescente força de trabalho formada por pessoas maduras, mostrando que essa realidade está trazendo impactos significativos nos ambientes organizacionais, que empresas pelo mundo afora reconhecem a importância – e as vantagens –  dessa força de trabalho, entre outras constatações. Apesar de tudo, restou evidente que há muito o que avançar, até porque as empresas não estão preparadas para enfrentar adequadamente esse fenômeno. Eis o link da publicação: https://obemviver.blog.br/2019/07/15/longevidade-e-trabalho-como-aproveitar-o-crescente-numero-de-talentos-maduros/.

Hoje, para complementar a abordagem, busco trazer respostas para a questão que ficou no ar. Acompanhe a seguir!

Então, o que pode ser feito?

Antes de entrar no papel que cabe às organizações, de rever estratégias e adaptar suas políticas de gestão de pessoas para encarar a realidade das equipes multigeracionais e aumento progressivo de convivência com trabalhadores mais idosos, que cuidarei na sequência, é preciso destacar que há um dever de casa, a ser feito individualmente, pelas pessoas que desejam seguir exercendo atividades profissionais na fase da maturidade, ou seja, após os 60, os 70…, por entenderem que, mais do que necessidade financeira, estar ativas é sinal de plenitude, de motivação, de satisfação e de realização.

Dentro do espírito deste texto, diria, de pronto, que para seguir ativo e com atratividade profissional é indispensável elaborar e colocar em ação, com boa antecedência, o seu projeto de vida para os tempos da maturidade.

A esse respeito, vou dar ênfase para algumas condicionantes que precisam ser exploradas e definidas no seu planejamento de vida, que no meu livro (LONGEVIDADE – Como se preparar para uma vida longa e bem-sucedida) denominei de PV+50, tendo por pressuposto que a pessoa deseja seguir desempenhando trabalho profissional, pois é isso que lhe dá sentido, que fará com que cumpra a sua missão de vida para esse segundo tempo, do pós-60. Seguir desempenhando atividades compreende opções diversas, entre as quais: continuar fazendo o mesmo trabalho de antes; abraçar nova experiência, uma nova carreira; explorar atividade econômica, disputando mercado na condição de empreendedor, para a produção/entrega de bens e serviços, e por aí vai. O leque de possibilidades é muito amplo!

Investir no autoconhecimento – respostas para questões essenciais

Aqui é parada obrigatória e pré-condição para o seu planejamento de futuro. É hora de visualizar horizontes (perspectivas de médio e longo prazos), de tomar opções (definição de rumos) e de elaborar o correspondente projeto de vida individual a ser seguido.

Nesse contexto, trabalhar o autoconhecimento é absolutamente essencial. Você precisa dedicar tempo, introspecção e autorreflexão para encontrar algumas respostas para perguntas de base, que lhe trarão os referenciais e pressupostos para a elaboração do projeto de futuro, a exemplo das seguintes:

Como você quer estar aos 70 anos (fazendo o que, em que condição econômico-financeira e posição social? E aos 80?

O que lhe motivará para seguir trabalhando, mesmo já tendo adquirido as condições para se aposentar?

Qual a sua lista de sonhos mais desejados e qual (quais) você quer, de fato, realizar nessa nova etapa?

Por qual causa principal (propósito/missão) você seguirá emprestando sua energia, expertise e dedicação?

Quais os cinco principais valores que devem orientar seu comportamento/suas decisões e que, em nenhuma hipótese, você abrirá mão?

No que você é bom, tem talento, gosta de fazer e sabe que merece o reconhecimento dos outros?

Quais competências/habilidades, mesmo que sejam pontos fracos da sua atuação até aqui, você deseja desenvolver doravante?

Muito objetivamente, o que você quer fazer e o que não quer fazer no pós-60, na maturidade?

Observe que essas respostas podem ser definidas para períodos de cinco anos, pois é comum que objetivos sejam diferentes em função do avançar da idade.

É recomendável que até o fechamento desse processo de elaboração você busque conselhos e tenha feedback de alguns familiares e amigos mais próximos, claro, que gostem (de verdade) de você. E não hesite em buscar a ajuda de especialista de confiança que tenha know-how em orientar processos de planejamento para transição de vida/carreira, com ênfase para os tempos da maturidade, que compreendem o envelhecimento cronológico e biológico e a possibilidade de aposentadoria formal.

Autodesenvolvimento e prontidão tecnológica

Sem prejuízo dessas, e além de outras providências de preparação individual que devem ser cobertas por um bom projeto de futuro, quero realçar a importância de que o profissional não relaxe em relação ao seu desenvolvimento permanente. Focar na área de atuação desejada, incorporando competências, com domínio das habilidades mais críticas, é mandatório. Cabe chamar a atenção para o fato de que novos recursos, dispositivos, softwares e aplicativos surgem e se renovam com velocidade cada vez maior, trazendo facilitadores que fazem muita diferença.

Assim, mesmo para os mais experientes e idosos, ampliar as chances de empregabilidade e/ou bom posicionamento profissional nos tempos atuais requer, por certo, estar atualizado e ter familiaridade com os recursos tecnológicos, com o mundo digital e, mais ainda, demonstrar facilidade de atuação com recursos que permitam comunicação, interação e compartilhamentos virtuais, pois o trabalho remoto e a participação compartilhada em projetos/ações coletivos veio para ficar e será realidade cada vez mais presente nos ambientes de trabalho.

Portanto, a prontidão tecnológica básica e geral, que não deve ser confundida com o nível de conhecimentos esperados dos especialistas na área, é um grande facilitador. Nesse particular, a mencionada familiaridade resulta pura e simplesmente de uso regular dos recursos. O desenvolvimento de cada pessoa se dá pela prática. Simples assim!

Eis aí, portanto, o insumo principal que orientará o seu dever de casa individual, ou seja, o seu projeto de vida para a maturidade sob o enfoque profissional. Trabalhar essas questões com afinco, encarando-as sem medo e convencido de que você é o timoneiro da sua viagem para o futuro é, acredite, investimento indispensável a ser feito, com um detalhe: não pode ser delegado. A bola é sua!                                                                                                                                              

E o que as empresas devem fazer com relação aos talentos maduros?

Aqui vão algumas ideias, como subsídios para políticas, estratégias de RH e ações efetivas que podem ser implementadas de agora em diante, cabendo salientar que algumas empresas pelo mundo já começam a se movimentar nessa direção.

Para tanto, duas vertentes de ações a adotar precisam ser consideradas:

1)      Externa (de fora para dentro) – Preparação para atrair os talentos idosos que buscam por empregabilidade. Implica rever/modernizar os processos de recrutamento para a composição de equipes multigeracionais, dada a importância para o atingimento de bons resultados, para o clima e a cultura organizacionais, já amplamente reconhecida, o que implica ter profissionais mais maduros compondo as equipes organizacionais, tanto administrativas quanto técnicas e operacionais;

2)      Interna (talentos maduros que já atuam na empresa) – Saber cuidar, valorizar e aproveitar adequadamente a força de trabalho idosa espalhada pela organização, muitas vezes subaproveitada e até mesmo estigmatizada, que mais do que nunca não poderá ser desperdiçada, até porque os grisalhos serão cada vez mais percebidos nos ambientes de trabalho.

Olhando esse cenário real, uma grande sacada é saber estimular a passagem de conhecimentos (inclui informações e jeito de fazer) e expertise dos talentos mais maduros para que sejam explicitados e internalizados pelos mais jovens, mediante naturais, sutis e diários mecanismos que sirvam para mitigar riscos de perdas e de descontinuidades, de modo a evitar prejuízos financeiras e alguma dose de comprometimento da própria cultura organizacional.

Com isso, a gestão do conhecimento nunca foi tão importante como agora. Tal estratégia deve incentivar, efetivamente, a mescla de atuação dos saberes das diferentes gerações, com adoção de alguma sistemática que permita o registro de conhecimentos tácitos em conhecimentos explícitos. Uma boa política nesse particular pode valer ouro!

Para o sucesso dessa nova política, algumas estratégias e iniciativas precisam ser colocadas em prática pelas empresas, a exemplo de:  

– ações para o desenvolvimento de equipes e treinamentos com colaboradores das diversas gerações, com destaque para aplicações práticas em serviço;

– instituição de programas de mentoria e de coaching;

– criação de plataformas corporativas para registro de experiências.

De outro lado, são diversas as ações que já veem sendo experimentadas por crescente número de empresas, com o intuito de atrair e de reter, por tempo mais longo, os talentos idosos. Nessa altura, a visão de mundo e a escala de necessidades/prioridades desses profissionais maduros é diferenciada.

Face a isso, veja algumas dessas ideias que aqui e acolá vão virando realidade:

– Modo de funcionamento e regime de trabalho semanal diferenciados para esse público. Para tanto, são instituídos trabalhos em tempo parcial (turnos diferentes, dias alternados…); espaços físicos/ambientação alternativas, para estimular a criatividade e a integração de times; horários flexíveis; atuação remota (home office). É claro que tudo isso precisa estar em consonância com a legislação trabalhista;

– Programas de apoio à transição de carreira e à aposentadoria, incluindo o prolongamento da vida profissional;

– Programas de qualidade de vida efetivos que privilegiem a saúde do corpo e da mente (desenvolvimento cognitivo/intelectual) como fatores decisivos para o desempenho e a qualidade de vida;                    

– Fazer a mesclagem de mais novos e mais idosos entre os times. O propósito desses arranjos é “combinar a energia e a velocidade dos jovens com a sabedoria e a experiência dos mais velhos.”

A matéria “QUANDO NINGUÉM SE APOSENTA”, publicada na revista Harvard Business Review – Brasil, de junho/19, já referida na primeira parte do artigo, traz detalhes a respeito de diversas dessas estratégias. Aos interessados, portanto, vale a pena conferir e explorar melhor o assunto.

Há muitas outras ações e arranjos que podem ser implementados. São desafios que estão postos, em face das mudanças demográficas mundo afora, que requerem criatividade no endereçamento de fatores motivadores para o capital humano. A inovação na gestão dos talentos, mais do que nunca, precisa entrar em cena para valer!

Ficam essas reflexões e os exemplos de algumas iniciativas concretas como insumos para um novo momento, que requer adequação de culturas organizacionais e quebra de paradigmas. A leva de profissionais mais experientes é crescente, turbinada pelo fenômeno da longevidade. As organizações podem (e devem) tirar o melhor proveito dessa realidade. É hora de ressignificar aspectos culturais e de adequar as políticas de RH. Os resultados desses rearranjos, também acredito, são muito promissores!!!

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COMO MUDAR HÁBITOS | Fabiano Moulin (vídeo)!

Mudar hábito requer da pessoa, fundamentalmente: 1) consciência sobre a necessidade da mudança; 2) estratégia correta, que de fato funcione; e 3) determinação. 

Hoje, para falar sobre como mudar hábitos de forma efetiva, trago vídeo com o neurologista Fabiano Moulin, publicado no YouTube pela Casa do Saber. Nesta sua breve exposição (apenas 7 minutos de duração), ele traz pertinentes reflexões e apresenta quatro estratégias que facilitam o processo de mudança de hábito. A meu ver, as atitudes recomendadas funcionam como antídotos para a autossabotagem e a procrastinação, tão comuns na vida das pessoas.

Gostei do conteúdo. Creio que possa ser útil para qualquer um. Confira! 

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‘A revolução da escuta em tempos de ensurdecimento’ – Confira!

“Uma fala espera se hospedar em uma escuta, mas a ela são apresentados destinos como o exílio, o adoecimento psíquico, a negação ou, na mais branda das hipóteses, um bloqueio nas redes sociais.”

Escutar o outro é uma necessidade, é atitude do bem, que faz bem. Entretanto, para os tempos de hoje, de muita correria, crescente ansiedade e de falta de paciência que parece estar cada vez mais presente, exercitar a escuta ativa, atenciosa, é um grande desafio para muitos, mas que precisa ser enfrentado.

Conforme já foi dito por aqui em outras oportunidades, a boa escuta é sinal de atenção, de respeito, de cidadania e, diria, até mesmo de generosidade para com o nosso interlocutor. Colocar-se na escuta, buscar entender a comunicação e as emoções, ou sentimentos, do outro é atitude que denota a tão falada empatia e o domínio de um dos fatores importantes no âmbito da inteligência emocional. Esteja certo de que ser bom escutador faz enorme diferença nas suas relações familiares, profissionais e, por conseguinte, tem forte peso nos ingredientes que contribuirão para o seu sucesso e o bem viver.

Assim, considerando que o ser humano é gregário, pelas características naturais da nossa raça, e, portanto, que para funcionar bem, ante as vulnerabilidades inerentes a cada indivíduo, necessita de atenção nas suas interações/convivência, diria, com boa dose de convencimento: aquele que não sabe escutar afasta as pessoas e se perde em si mesmo!

Portanto, todo o esforço para melhorar a nossa capacidade de escuta vale a pena, por tornar as relações mais leves, autênticas e profícuas. Com isso, a vida tende a ficar naturalmente melhor.  Então, consciência e prática são palavras de ordem. Mãos à obra!

Toda essa ambientação vem a pretexto da rica e bem elaborada matéria que selecionei para hoje, publicada no site HUFFPOST Brasil, no dia 28 de julho, com ampla abordagem sobre o poder da escuta, o que inclui algumas dicas de estratégias para que você possa melhorar essa atitude (habilidade) tão importante.

A publicação traz pensamentos e afirmações de grande profundidade. Um primor!

Certamente, o conteúdo é convite para boas reflexões. Confira a seguir:

“A revolução da escuta em tempos de ensurdecimento

Livro escrito por Christian Dunker e Cláudio Thebas propõe estratégias de escuta em tempos de colonizadores de corações e mentes.

CURVABEZIER VIA GETTY IMAGES
A escuta do sofrimento e a escuta do improvável revelam as dimensões mais humanas dos seres, em suas vulnerabilidades e incoerências.

É pau, é pedra, é julgamento. Um povo dividido pela ausência de escuta e confinado no próprio sofrimento por não querer se conhecer. Armados de palavras e de insultos, nós, brasileiros, estamos falando com as paredes.

Com oferta rara e grande demanda, a escuta atravessa os dias como preciosidade necessária à convivência. Especialmente em dias de conflitos verbais e sociais como os que vivemos atualmente.

Uma fala espera se hospedar em uma escuta, mas a ela são apresentados destinos como o exílio, o adoecimento psíquico, a negação ou, na mais branda das hipóteses, um bloqueio nas redes sociais.

Com disposição e prática, é possível, a qualquer um, escutar o outro e, assim, reconhecê-lo. Mas este é um processo complexo — uma arte, pontuam o psicanalista Christian Dunker e o educador Cláudio Thebas, autores de O palhaço e o psicanalista – Como escutar os outros pode transformar vidas (Editora Planeta).

O encontro de ambos na escrita é também a soma de suas experiências escutando pacientes, pais, alunos, empresários e funcionários.

A escuta do sofrimento e a escuta do improvável revelam as dimensões mais humanas dos seres, em suas vulnerabilidades e incoerências. Uma ponte fundamental em nossas relações íntimas e de cidadania.

É a possibilidade de se aproximar, de discutir e discordar sem negar a existência do outro. É matriz do consenso, resistência ao poder e vacina contra ansiedades e depressões.

Mas por onde anda a escuta em 2019? Do que se alimenta, onde vive?

Saiba tudo sobre este milenar esforço de convívio na nossa entrevista com Dunker e Thebas:

HuffPost Brasil: Por que é tão difícil escutar?

Christian Dunker: Escutar demanda trabalho e dedicação. É uma forma de cultivo, quase uma arte. Mas uma arte que não deixa obras visíveis e monumentos, mas tão somente efeitos e palavras. Escutar é como polir as palavras, e o escutador é um polidor de palavras, como antigamente existiam os polidores de lentes. Ao final o que se obtém é ver mais nítido e ver melhor, e quanto mais esquecido e transparente o resultado, melhor o efeito obtido. É difícil escutar porque esta arte demanda que renunciemos ao exercício do poder sobre os outros, mas também da glória das obras bem feitas e reluzentes. O terceiro motivo que torna escutar tão difícil é que a escuta começa pela escuta de si. Afinal este é o grande legado que uma psicanálise deixa para alguém: a capacidade de escutar-se, no melhor e o pior, na justa medida e em seus exageros, nos seus fantasmas e no cerne de seu ser. Logo, aprender a escutar é como apender a perder, como disse Elizabeth Bishop, ou seja, uma arte que não é difícil de dominar, mas é uma arte para viajantes corajosos.

Cláudio Thebas: Escutar é um ato de risco e coragem. É, fundamentalmente, a experiência do encontro no que ele tem de mais essencial: o descontrole. Onde há controle não há encontro. Dispor-se a escutar é ter disposição para experimentar uma aventura. Segundo o educador espanhol Jorge Larrosa, a palavra experiência deriva de “periri”, que significa perigo, mas também está na origem de pirata. Podemos concluir que escutar, por ser uma experiência, é aventurar-se num oceano desconhecido. Isso não é nada fácil.

O vazio da escuta é um espaço para que o outro nos habite. Dúvidas e hesitações são espaços de vazio e silêncio. Certezas soterram esses espaços.

Escutar é assumir uma posição de desconhecimento, de ignorância?

Dunker: Sim, por isso Lacan dizia que o psicanalista deve se engajar na paixão da ignorância ou na douta ignorância. Porque esta posição da ignorância é a que a transforma em curiosidade, este nome do desejo que tão facilmente fazemos extinguir em nossas crianças. Mas a paixão da ignorância, necessária para escutar, não é a soberba ignorância, ou seja, a ignorância orgulhosa de si, afogada entre Freddy Kruger e Dunning-Kruger. Freddy era este personagem de filmes de terror, dos anos 1990, que matava pessoas entrando no sonho delas. Dunning era este psicólogo que provou como as pessoas que têm menos conhecimento de uma matéria “acham” que sabem mais sobre ela do que aqueles que “realmente” têm conhecimento do assunto. Ou seja, conhecer de verdade implica humildade e não arrogância; por outro lado, desconhecer de fato implica matar os sonhos alheios em vez de escutá-los.  Por isso a paixão da ignorância, essa condição ética da escuta, não é nem desconhecimento, esta paixão do ego que nos atormenta de forma paranoica nos fazendo ver o mundo em imagem e semelhança de nós mesmos – ainda que imagem e semelhança invertida -, nem ignorância mal-tratada que precisa se vestir de sabedoria para se defender de sua pequenez.

Aquele que não se escuta logo não escuta os outros e sai em imediata desvantagem no quesito: fazer reconhecer seu desejo (ansiedade) ou desejar ser reconhecido (depressão).

Qual o papel do humor para escutarmos nossas próprias contradições como humanos?

Thebas: Muralha que bomba não derruba, o humor acha a fresta. O humor sempre foi e sempre será este instrumento social de desestruturar, de revelar, descortinar. A mesma criança que nos subtrai da hipocrisia ao apontar para o rei, dizendo que ele está nu, também pode apontar pra dentro de nós para que aceitemos o fato de sermos ridículos e imperfeitos. Esta criança, que está dentro de cada um de nós, está pedindo espaço pra nos ajudar a ver o mundo com a perplexidade que perdemos. Quando rimos de nós mesmos, nos libertamos e autorizamos que o outro também se liberte rindo de si.

Qual a importância da dúvida e da hesitação para os relacionamentos humanos?

Thebas: Escutar depende de duas condições principais: silêncio e vazio. O silêncio nos ajuda a neutralizar a prontidão com que a gente sentencia perguntas e respostas. Nos permite escutar o que o silêncio do outro, que se infiltra entre as palavras dele, está querendo nos dizer. O vazio é o oco essencial para que as palavras do outro reverberem e ele possa escutar a si mesmo. Espaço para que as emoções também possam reverberar encontrando ressonância comum entre quem fala e quem escuta. O vazio da escuta é um espaço para que o outro nos habite. Dúvidas e hesitações são espaços de vazio e silêncio. Certezas soterram esses espaços.

Dunker: A dúvida é o sinal psicológico da ética moderna. Não é por outro motivo que Hamlet hesita longamente antes de vingar o assassino de seu pai, que Fausto recua diante do pacto que faz com o Diabo Mefistófeles, ou que Robinson Crusoé cultiva sobre a existência de outros estrangeiros em sua ilha. Só Dom Quixote não tem dúvida, este paradigma da loucura moderna. Mas a hesitação toma tempo, mostra vulnerabilidade, adia a ação. Na dúvida se infiltra o pior: as más influências, o desamparo e a possibilidade de ser manipulado pelos outros. Escutar é colocar-se e criar-se dúvidas compartilhadas; escutar é postergar juízos demandando mais fatos e evidências ou mais solidariedade e convicção. Enquanto escutamos o trabalho da dúvida, partilhamos nosso destino com os outros e generalizamos nossas inquietudes. Por isso, de todas as formas de divertimento, de convívio e de uso do tempo, inclusive o entretenimento, a campeã indiscutível é a conversa. Quando não há mais conversa no bar, sabemos que o alcoolismo venceu. Quando consumimos em silêncio ocupacional, seja drogas, roupas, imagens ou palavras, sabemos que a escuta perdeu.

É difícil escutar porque esta arte demanda que renunciemos ao exercício do poder sobre os outros.

De que maneira a ausência da escuta se relaciona com quadros clínicos bastante presentes no discurso contemporâneo, como a depressão e a ansiedade?

Dunker: A relação é direta na medida em que depressão e ansiedade são sintomas ligados à fratura ou fragilidade de nossas experiências de reconhecimento. Aquele que não se escuta logo não escuta os outros e sai em imediata desvantagem no quesito: fazer reconhecer seu desejo (ansiedade) ou desejar ser reconhecido (depressão). A escuta, como experiência transformativa, envolve reconstruir e encontrar seu próprio tempo. Esse tempo está perdido e pressionado na ansiedade e atrasado e lentificado na depressão. A escuta é um trajeto de deflação egoica, seja pelo seu aspecto lúdico, seja por sua dimensão de valorização da alteridade (empatia). Tanto o brincar quanto o outro estão prejudicados: na ansiedade não há tempo para brincar, na depressão não há vontade para tanto. Na depressão o Outro cai como um juiz interminável e infinito sobre o sujeito: sentença sem evidências, culpa sem processo. Na ansiedade o Outro desaparece e todo enigma é consumido pelo saber. A perda da empatia é nítida nos dois quadros e sua gradual recuperação é um sinal clínico de que o paciente está melhorando. Aliás é por isso que tanto depressivos, quanto ansiosos — assim como as pessoas organicamente adoentadas — são tão frequentemente sentidas como pessoas chatas e irritantes.

Escutar é sinônimo de conversa longa, complexa, difícil e perigosa.

Como os pais podem escutar seus filhos? Quais desafios têm se apresentado atualmente?

Dunker: Se você quer confiança, dê confiança; se você quer intimidade, ofereça intimidade. A maior parte dos pais, especialmente de adolescentes, quer saber mais sobre seus filhos sem oferecer nada de si. Para escutar é preciso entrar no mundo do outro como um antropólogo entra em outra cultura: leia, aprenda, prepare-se, depois dispa-se de seu etnocentrismo (adultocentrismo), encontre informantes, descubra se os etnólogos que o antecederam nesta rota não foram comidos por canibais. O segundo desafio é que, para o pais, escutar vai se tornando gradualmente sinônimo de obedecer. No começo a maior parte do trabalho vai se concentrando nisso, mas se não os escutamos quando pequenos, valorizando a sua palavra, a sua opinião e o seu ponto de vista, não é depois que eles aprenderão a escutar. A capacidade de escuta é proporcional ao cultivo de uma língua estrangeira, a língua do outro, que mesmo que fale português, tem seu idioleto único. Por isso toda tentativa de inclusão, inclusive em categorias como adolescente, jovem ou criança, já é um problema se achamos que vamos entender alguma coisa do outro a partir disso. O terceiro ponto é que os pais não ensinam seus filhos a escutar depois reclamam que eles não os escutam. Escutar é sinônimo de conversa longa, complexa, difícil e perigosa. Tudo de que fugimos e queremos que eles nos deixem em paz enquanto são pequenos, depois eles não brincam conosco de nossa principal brincadeira, que é a de escutarmos-nos uns aos outros.

Thebas: Podem abaixar-se pra escutá-los olho no olho; valorizar suas hipóteses, incentivando-os a investigar, intuir, arriscar; jamais recriminá-los por sentir algo “ruim”, como inveja ou raiva. Podem ajudá-los a ampliar seu repertório de percepções de si para que, identificando com mais clareza o que sentem, eles consigam expressar melhor suas necessidades. Um quinto ponto é a lei da reciprocidade: se quer que eles se sintam confortáveis em se abrir com você, faça o mesmo. É importante pra criança perceber que o adulto que sempre dá colo também pode precisar do seu colinho.

A perda da empatia é nítida tanto na ansiedade quanto na depressão, e sua gradual recuperação é um sinal clínico de que o paciente está melhorando.

Em quais espaços vocês sentem que a escuta é mais urgente?

Thebas: Eu diria que é a escola. Não fomos educados a escutar. A escola pode contribuir muito criando espaços de investigação da escuta com as crianças desde bem pequenas. Ajudá-las a escutar seus sentimentos, nomear estes sentimentos sem culpa nem julgamentos, e em um segundo momento, investigar quais as melhores formas de expressar estes sentimentos e necessidades de uma forma saudável pra todos. Se investimos em uma educação para a escuta, as relações se transformam em todos os espaços.

Dunker: Nas relações primárias, entre pais e filhos, entre escola e alunos, e entre amigos e amantes, a escuta é decisiva pois nestas relações forma-se a nossa disposição para a escuta e nosso estilo de escuta, bem como desperta-se ou não o gosto por tal atividade. Depois que fixamos uma maneira básica de escutar e ser escutado, o valor das experiências transformativas decisivas vai declinando. Essa tendência acompanha a evolução, mais ou menos crônica, da teimosia e do fechamento na vida das pessoas, assumindo proporções dramáticas com o envelhecimento. Contudo, os déficits de escuta são sentidos de maneira mais aguda quando nos vemos diante de situações que seriam de aparente simplicidade para serem tratadas ou resolvidas, mas que a precariedade da escuta torna-as insolúveis. Quanto mais enraizada em figuras específicas de poder, quanto mais identificados com seus papéis, mais difícil a experiência da escuta. Há um livro clássico sobre o assunto, Pode o Subalterno Falar, de Spivak, que mostra como em relações tóxicas de poder ao subalterno negamo-lhe a escuta. No trabalho, há desescutadores profissionais que acabaram com inúmeras carreiras alheias. Entre casais é certamente o segundo motivo mais frequente para ocasionar separações. Em matéria religiosa e moral, a desescuta tende a aumentar de maneira inversa da qual fixamos nosso interlocutor em um lugar, do qual ele não sairá, porque isso acaba abalando princípios de nossos valores e questionando nosso próprio narcisismo.

No trabalho, há desescutadores profissionais que acabaram com inúmeras carreiras alheias. Entre casais é certamente o segundo motivo mais frequente para ocasionar separações.

Por que vocês dizem que a escuta é uma atitude política?

Dunker: Porque ela é uma práxis, ou seja, não é uma técnica orientada para fins nem uma contemplação teórica de objetos do mundo. Os saberes práxicos são os que não dissociam meios e fins, nem o agente nem o paciente da ação. Neste grupo há dois saberes clássicos: a política e a ética. Nos dois casos, estamos às voltas com a maneira como sustentamos nosso desejo em situações atravessadas pelo poder, seja de exercê-lo, seja de ser seu objeto. Um mundo sem escuta seria um mundo no qual o poder se exerceria sem resistência. A escuta faz resistência ao mero funcionamento das coisas, e à mera facilitação das trocas, no interior das quais, muitas vezes vamos nos transformando em pessoas-coisas. Renunciar ao poder e encontrar o ponto de vulnerabilidade de um laço social é o ponto de partida da escuta.

Thebas: Considerando que a política é (ou deveria ser) a arte do consenso, a escuta é essencialmente a sua matriz. No livro dizemos que a etapa inicial da escuta é a hospitalidade. Hospedar o outro em si, na língua dele, nos hábitos dele. É, portanto, ainda que temporariamente, se deixar colonizar pelo outro. Isso é um ato político revolucionário em tempos em que o que mais se vê é o contrário: a tentativa de sermos os colonizadores de corações e mentes.

Um mundo sem escuta seria um mundo no qual o poder se exerceria sem resistência.

Qual a importância da pluralidade e da diferença, pensando no ensurdecimento que buscamos nos grupos de semelhantes?

Dunker: A escuta começa pela escuta de si — e de como a diversidade de outros evoca e ressoa diferenças que ainda estavam informuladas em nós mesmos. Escutar não é indiferente ao ouvir: escutamos o significante, mas ouvimos as vozes. Se não conseguimos ampliar a polifonia de vozes que nos habitam e que convergem no Outro, as vozes tendem a encontrar um uníssono que Freud chamou de supereu. Esta instância que observa, julga e pune o eu e o outro que a ele se assemelha ou desassemelha. O desejo de obter a pura diferença, a singularidade ética de cada um, é proporcional, portanto, ao quanto de pluralidade de vozes pode ser suportado por um ser-falante. O mais simples é reduzir o tamanho do mundo e manter as vozes unificadas para serem mais bem combatidas, vale dizer, sufocadas. É assim que se formou esta usina de sofrimentos nos quais se tornaram a escola e o mundo corporativo, assim como a ambiência política custodiada pela linguagem digital. Nesse contexto, nos vemos divididos entre aderir ao vozerio e conseguir falar mais alto que os demais, ou reduzirmo-nos a nossa insignificância silenciosa. Grupos semelhantes são grupos tendencialmente pobres em estrutura e reativos em funcionamento.

Em que medida o desprestígio da educação e da ciência nos dias atuais passa pela dificuldade, como sociedade brasileira, de fazer perguntas?

Dunker: Boas perguntas estão em falta no mercado, pois elas não conseguem  concorrer com as perguntas fáceis, para as quais qualquer um tem pelo menos uma resposta igualmente fácil, equivocada ou impraticável. Isso se deve em parte à dificuldade de reconhecer um novo regime de originalidade, um regime que diria ser de ordem mediana. Só conseguimos pensar soluções óbvias ou incrivelmente originais e inéditas. Não há tanto espaço assim para tantas ideias startups no mundo; melhor dizendo, ideias demandam trabalho, trabalho de pensamento, de maturação, de teste. Ideias demandam a prova do conceito. Mas em uma situação de debilidade de produção social de verdade, nenhum conceito é requerido, e a exposição crítica vem se confundindo com pichação concorrencial ou narcísica. Sem crítica transformativa fica muito difícil realmente fazer frente a dificuldades reais.

Escutar é a experiência do encontro no que ele tem de mais essencial: o descontrole. Onde há controle não há encontro.

Como podemos praticar a escuta em temas tão espinhosos quanto política, religião, sexo e moral? Percebe-se que nesses assuntos há uma grande dificuldade de se estabelecer uma interlocução… 

Dunker: A política é curiosamente o campo fundado na palavra para substituir a violência e reconhecer a diversidade produtiva. Mas quando a extensão de participantes aumenta e quando as decisões se tornam mais complexas, começamos a ter que “reduzir” os assuntos e as pessoas. Também no sexo ou na religião nos acreditamos fincados em solo sólido e inamovível dos princípios que nos constituem, como somos. Quando isso é tocado, nossa insegurança ontológica emerge indicando que nossa identidade não é tão perfeita quanto gostaríamos. Mas é nesta vacilação de nosso ser que reside também a liberdade desconhecida em nós mesmos. Uma liberdade da qual não queremos saber, porque ela pode mostrar que nosso eu e que nossa identidade não deixam de ser apenas sintomas mais estruturados e normalopáticos. Mas o fulcro da desescutação, quando a matéria em questão é o sexo, diz respeito aos modos contingentes como cada um constrói sua gramática de satisfações. Ignorar que outras pessoas têm outras fantasias é a razão e princípio da desescutação da singularidade do outro, de sua decomposição em meros particulares. O particular é um princípio de coletivização, assim como o singular é um princípio de diferenciação. A escuta é um modo de acolher e destinar o conflito entre um e outro simplesmente porque aspira à universalidade da linguagem.

Thebas: Creio que a resposta é uma soma de todas as anteriores, inclusive a que diz respeito às crianças. Passa também por nos desarmarmos em relação ao outro para que possamos trocar opor por compor. Enquanto vermos o outro como um oponente, não conseguiremos ser componentes das coisas que a vida nos instiga e desafia a fazermos juntos.

Para se manter e se perpetuar, o poder precisa do silêncio dos descontentes.

Por que a escuta é tão antagônica aos dispositivos de controle e de exercício do poder?

Dunker: Comece a conversar com um policial para ver se ele deixa. Faça o exercício de levar a sério a diretiva que um burocrata te apresenta. Leve a sério anúncios, motes e missões de talento e demais máximas institucionais. Não precisamos de mais leis, mas de uma outra relação, menos cínica com as que estão aí, pincipalmente as que possuem efeito cotidiano. Se começarmos a obstruir os pequenos vícios de exercício do pequeno poder no cotidiano, uma revolução de escuta se tornará possível. Tire as pessoas de seus papéis, não as trate como personagens de um tipo social. Façamos com que elas escutem o que estão dizendo e como estão dizendo e uma camada grossa de barbárie, de deseducação, será questionada. Isso vale amplamente para as redes sociais e para a linguagem digital. O choque das pessoas diante de sua própria despersonalização pode ser grande, mas ele é necessário. Para se manter e se perpetuar, o poder precisa do silêncio dos descontentes, precisa da moral de que o trabalho e dinheiro tudo resolvem e tudo saneiam. O poder não suporta o riso: por isso, palhaços e psicanalistas: uni-vos !

Qual a relação entre o não-escutar e as dinâmicas autoritárias que temos visto em 2019?

Dunker: A partir de 2016 começamos a nos acostumar com a negação da fala alheia. Em vez de escutar o que ele diz, decidimos quem ele é. A redução do mapa a somente dois, nós e eles, é uma redução imaginária, desencadeada pela crise da lógica do condomínio. É também um retorno relativo à força das ruas, uma insatisfação com o uso do sofrimento como força indutora de mais produtividade no trabalho e na escola, e finalmente, um novo tipo de linguagem que determina novas formas de vida e de laço social que vieram com a cultura digital. Com isso muitas pessoas entraram em espinhosos desfiladeiros políticos, sem formação para a escuta em situação de diversidade, seduzidos pela mensagem de engrandecimento de si e pela promessa fácil de que todo o mal pode ser erradicado de uma vez, porque ele está nestas pessoas sem caráter que estão a mais neste mundo. Esse método segregativo encontrou meios de expressão para tornar a nossa democracia, de aspiração inclusiva em uma democracia de corte exclusivista, ou seja, funcional e eficaz para cada vez menos pessoas. O autoritarismo é apenas uma exageração das práticas de poder em detrimento da autoridade, uma aposta na prevalência do controle sobre o cuidado, da violência sobre a educação.

Escutar é um ato político revolucionário em tempos em que o que mais se vê é o contrário: a tentativa de sermos os colonizadores de corações e mentes.

Podemos apontar uma relação entre a falta de escuta e a proliferação de fake news?

Dunker: A relação é direta, mas de determinação múltipla. Fake news não é só um fato que pode ser checado e desqualificado, ainda que neste ínterim ele tenha causado prejuízos, por vezes irreparáveis. Elas afetam os fatos, criando erros, mas também mentiras e ilusões. São estas as três inversões da verdade:

  1. a verdade sem compromisso temporal com a história de sua formulação, portanto sem potência de fidelidade passada (ilusão da memória);
  2. a verdade sem desejo, portanto sem capacidade de engajamento, sem compromisso e sem promessa (mentira do desejo);
  3. a verdade sem fatos, consensos ou verificação (falsidade das afirmações).

Por isso é possível contar uma mentira dizendo apenas verdades factuais. É possível iludir o outro com suas próprias mentiras, sem responsabilidade. É possível manipular dados e imagens para que estes produzam o sentido que oculte o Real.

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Inspiração musical: JC Dattoli – LUAR BONITO – Nova música autoral!

Fazia bom tempo que não publicava aqui, neste espaço musical de todos os sábados, algum trabalho autoral. Retomando, trago hoje o produto da mais recente gravação concluída, como de praxe, no estúdio do amigo João Goulart Júnior, ambiente amistoso e agradável que tem me inspirado para as produções musicais e, mais ainda, que também funciona como efetiva terapia, desde que adotei frequência mais assídua ao local, a partir de 2014!

Desta feita, interpreto (voz e violão) a canção LUAR BONITO, cujos versos foram escritos pelo meu pai, Ângelo Dattoli, poeta e autor de outras composições já divulgadas anteriormente aqui no blog, com música de minha autoria, produzida na batida da bossa nova. 

Para reforçar (e realçar) a produção, contei com os talentos do renomado Daniel Júnior (baixo) e de JGoulart (percussão/efeitos), que também estão presentes em várias das minhas gravações.

Como não poderia ser diferente, fiquei muito feliz com este trabalho, sobretudo porque uma parceria assim, entre pai e filho, funciona naturalmente como motivador mais do que especial.

O vídeo, produzido em formato de slide show, está publicada no YouTube, no canal ‘JC Dattoli – Meu lado musical’. Se possível, deixe o seu comentário!

Veja a seguir:

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Informações básicas sobre vinho que você precisa saber!

Sexta-feira, fim de semana chegando, temperaturas mais amenas aqui pelo Brasil, lembrar de vinho vem ainda mais naturalmente. E nesse particular, o melhor é degustar o seu vinho preferido sabendo pelo menos um pouco mais a respeito dessa secular bebida. Convenhamos, há sempre alguma coisa para aprender nesse campo, resultante da vasta riqueza envolvendo o mundo do vinho. 

Com esse propósito, trago hoje a síntese de um e-book, “Introdução ao mundo do vinho”, divulgado por http://www.vinhobasico.com, que a meu ver ficou muito bacana, por trazer o essencial, na medida certa.

Espero que as informações contribuam para melhorar seu nível de conhecimento geral, básico, sobre vinho. Ainda que você já seja um iniciado nessa bebida, vale a pena dar uma conferida. 

Clique no link abaixo:

Capa Ebook Vinho o Basico 1 Introducao

http://www.vinhobasico.com/wp-content/uploads/2017/09/EBOOK-Vinho-Basico-Parte-1_Introducao-PDF.pdf

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Vídeo traz importante reflexão: A vida real tem altos e baixos, não é linear!

Vi este vídeo recentemente, em grupo de rede social, e gostei da reflexão. Traz mensagem instigante, ou impactante!

Argumenta sobre a vida real, mostrando que ter vida é estar em movimento, é alternar entre altos e baixos, ganhos e perdas, alegria e tristeza, dor e prazer, sol e chuva… Esse viver pleno e inteligente requer capacidade de superação ao longo da jornada (resiliência), porque os tropeços, adversidades e perdas sempre aparecerão, mas, em especial, tem muito a ver com a mentalidade, com a forma como as coisas/os acontecimentos são vistos e interpretados. De outro lado, procura demonstrar que uma vida linear, absolutamente previsível e estável, é prenúncio de morte, é viver sem sentido!

O vídeo, publicado no YouTube por Pílulas de Consciência, traz legendas em português e tem duração de apenas 3:24.

Confira: 

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Defesa pessoal – Atente para sinais de expressão corporal de um possível agressor!!!

É fato que ninguém está livre de sofrer alguma agressão como  roubo, assalto, sequestro, ou até diversos outros tipos de violência (física, sexual etc.). E se você puder detectar tal ação antes que ela aconteça?

Segundo especialista, nós podemos, por observação da linguagem corporal do possível agressor, nos anteciparmos e nos livramos de uma situação assim.  Como fazer essa detecção?

Confira quais são cinco sinais, de expressão corporal, que podem ser emitidos por pessoa suspeita (perigosa), no interessante vídeo abaixo, do canal Metaforando, publicado no YouTube no último dia 26. Bom saber!

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Como a popular Happy Birthday (“Parabéns”) seria tocada por Beethoven, Bach, Mozart…? (Sensacional)!!!

A inspiração musical para este sábado é mais do que popular, porém com um toque de grandes vultos da música clássica.

Por acaso, encontrei este vídeo sensacional, mostrando exímia performance de Nicole Pesce, pianista e compositora dos Estados Unidos, ocorrida em 2011, no Arizona. Ela idealiza como seria a famosa “Happy Birthday” (nosso Parabéns Pra Você) interpretada segundo Beethoven, Bach, Brahms, Chopin e até um Mozart bêbado.

Nesta incrível apresentação, a artista exala talento, criatividade e bom humor. Um verdadeiro show!

Confira o vídeo a seguir (publicado no YouTube por Lucio Costa de Oliveira):

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