“O que você esqueceu continua lá” – Sobre os rastros que deixamos pela Internet!

Os nossos dados pessoais passeiam por aí pela Internet, são utilizados por mecanismos de busca e inteligência da tecnologia da informação, cujos resultados tendem a facilitar a nossa vida, mas que também podem não ser do nosso agrado, em dada circunstância, sobretudo porque podem trazer registros de situações antigas, que até já havíamos esquecido.

É exatamente por conta disso, dessa realidade do mundo atual, que selecionei para hoje o interessante artigo “O que você esqueceu continua lá”, publicado recentemente no portal eletrônico do EL PAÍS – Brasil.

Partindo do pressuposto de que muitos dos que me leem podem não ter tanta familiaridade com a tecnologia da informação, faço aqui duas explicações, na expectativa de que facilitem a sua compreensão:

O que é “big data” – Em tecnologia da informação, o termo big data refere-se a um grande conjunto de dados gerados e armazenados com os quais os aplicativos de processamento de dados tradicionais ainda não conseguem lidar em um tempo tolerável. (Wikipédia). Ou seja, são dados que circulam pela Internet, produzidos em grandes volumes, a cada segundo, gerados por meio dos diversos dispositivos eletrônicos, como computadores, smartphones, smart televisores, incluindo informações de transações comerciais, conversas em redes sociais etc.

O que é “armazenamento na nuvem” – em interpretação livre, e tentando simplificar, diria que se trata de um serviço, oferecido por provedor/fornecedor de computação à distância, destinado a armazenar dados na Internet, que, assim, passa a gerenciar e operar o armazenamento físico dos seus arquivos, dados e informações. Com essa contratação, caso efetivada, você elimina a necessidade de manter grandes espaços para guarda (arquivamento) físico dos seus dados, tendo por facilidade o acesso a esses repositórios de qualquer lugar, a qualquer tempo, e mediante o uso de qualquer tipo de dispositivo (equipamento).

Segue a reprodução do artigo, inteligentemente escrito e mais do que oportuno, com a minha recomendação de leitura!

“O que você esqueceu continua lá

Cada detalhe da sua vida digital é uma gota no oceano do ‘big data’

Você confia inocentemente que ninguém vai bisbilhotar ali

O que você esqueceu continua láCRISTINA ERRE

“Funes não só se lembrava de cada folha de cada árvore de cada montanha, mas de cada uma das vezes que a percebera ou imaginara”. Um dia, o jovem Ireneo Funes caiu do cavalo, perdeu a consciência e, quando se recuperou, “o presente era quase intolerável de tão rico e nítido, e também as recordações mais antigas e triviais”.

Ele é o personagem de Funes o Memorioso, um dos melhores contos de Jorge Luis Borges, incluído em Ficções (1944). Essa mente prodigiosa — a do protagonista da história, não a de Borges — se vê sufocada pelo acúmulo dos mínimos detalhes. Era capaz de reconstruir um dia inteiro, mas levava um dia inteiro para fazer isso. “O que foi pensado apenas uma vez não podia mais ser apagado”. Parece um dom milagroso, mas é uma desgraça. Porque Ireneo Funes é incapaz de ter ideias gerais. Borges conclui: “Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No mundo abarrotado de Funes só havia detalhes, quase imediatos”.

Os humanos comuns tendem a esquecer mais do que a reter cada detalhe da folha de uma árvore. Isso nos permite manter o equilíbrio, simplificar a complexidade e não sofrer tanto como Funes, que não conseguia dormir. Também esquecemos, consciente ou inconscientemente, coisas de nós mesmos que não queremos reter, e assim vamos construindo um eu em parte real e em parte fictício.

De vez em quando, o Facebook te assalta com memórias. Há dois anos você escreveu isto, quer compartilhar novamente? Talvez algo te arranque um sorriso, talvez te envergonhe. Talvez apareça a imagem daquela pessoa amada e perdida ou do companheiro que te deixou. Talvez uma piada de mau gosto, rótulos em fotos de uma noite louca. Qualquer coisa que você não queria que perdurasse.

Os seus rastros digitais são extenuantes. Em algum canto do big data estão todas as mensagens que você trocou, os caminhos que seguiu todos os dias, as suas buscas, as fotos de que você gostou, sua lista de amigos, seus cookies (sim, aceito). Muito poucos se preocupam em apagar o rastro de seu passado, o que exigiria tanto tempo quanto dedicaram ao longo do dia mexendo no celular. Esperamos que nesse oceano de dados ninguém vai remexer, só mesmo os algoritmos que tiram proveito disso. A menos que você se torne uma figura pública, é claro, e os trolls se empenhem em fuçar nos seus antigos tuítes para descobrir indiscrições. Mas não é preciso ser famoso. Em qualquer site ou aplicativo, não só os seus dados te acompanham, mas os seus metadados, um perfil que você não escreveu.

Ireneo Funes “achava que na hora da morte ainda não teria terminado de classificar todas as memórias da infância”. Para nós, cidadãos do século 21, chegará a hora sem termos podido apagar tudo o que desejaríamos que não continuasse ali.

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/02/28/tecnologia/1551379015_101606.html

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Inspiração musical: Nando Reis e Anavitória – N (ao vivo)!!!

Neste espaço musical de todos os sábados, a inspiração para hoje vem com um vídeo muito legal, registrando momento de bela sonoridade, com ensaio para uma turnê (e que ensaio!) reunindo Nando Reis, instrumentista, cantor e compositor, e a dupla Anavitória, jovens cantoras que vêm fazendo bastante sucesso no Brasil.

Eles interpretam a canção N, uma composição do próprio Nando Reis. A vocalização, singela, ficou bem legal e o conjunto da gravação revela uma sintonia que deu certo, muito agradável aos nossos ouvidos!!!

Curta a seguir (o vídeo está disponível no YouTube):

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Sobre a morte de um pet: a dor, os significados, estratégias a adotar…!

Na certeza de que muitos de vocês já choraram a morte de um pet, que seguramente é marcante, também já passei por isso, sendo que a última delas se deu cerca de dois anos atrás. À época, tomado pela emoção da perda, cheguei a escrever um texto e publiquei aqui: https://obemviver.blog.br/2017/03/07/refletindo-sobre-a-saudade-e-o-vazio-deixados-pela-minha-cadelinha-mell/.

Vejo agora, indicado por uma amiga e colaboradora deste blog, mais um texto interessante, publicado no Portal Raízes, falando sobre a dor de uma perda como essa, incluindo algumas dicas do que fazer quando você passar por isso, .

Uma delas, quando for o caso de partir para um novo amiguinho, é a estratégia da adoção de cães abandonados, que existem aos montes e que estão por aí à espera de um lar amigo. Aliás, quero registrar ter adotado a minha atual cadelinha, a Lala, uma legítima SRD (sem raça definida), num dos abrigos de acolhimento de cães e gatos abandonados, associados à ABPA (Associação Brasileira Protetora dos Animais), da qual passei a ser incentivador/colaborador. Vale muito a pena adotar um bichinho que se encontra em situação de abandono, de riscos e em completa fragilidade. O que recebemos em troca é impressionante!

Recomendo a leitura do texto, a seguir:

“A morte de um animal de estimação dói igual à de um familiar

Via Unsplash

Quando o nosso cão ou gato morre, sentimo-nos tão vazios como se tivéssemos perdido um filho, um irmão ou um de nossos pais. Experimentamos uma dor imensa que não se pode comparar a nada e que é difícil de explicar. Neste artigo, contaremos por que a morte de um animal de estimação dói igual à de um familiar.

A dor pela morte de nosso animal de estimação

Aqueles que amam os animais sabem que não existe uma dor maior do que a de perdê-los. Os cães e os gatos passam muitos anos ao nosso lado para que a morte deles nos seja indolor. Só o ato de pensarmos que algum dia eles morrerão, nos dá um nó na garganta. Entretanto, temos que levar em conta que cedo ou tarde isso acontecerá e que é preciso que estejamos preparados.

A conexão que experimentamos com os animais de estimação é tão grande que não podemos imaginar a vida sem eles. Nada será como antes, porque seu amor e sua lealdade eram como um bálsamo entre os nossos problemas.

Infelizmente, o ciclo de vida destes animais de companhia é muito menor do que o nosso. Portanto, é natural que sejamos nós que venhamos a sofrer pela morte de nosso animal de estimação. De acordo com psicólogos, isso gera um grande impacto emocional nas pessoas, tal e como acontece quando um membro de nossa família morre. Por quê? Porque o cão ou o gato também formam parte desse núcleo íntimo.

Além disso, como indica um estudo da Universidade do Havaí, a dor provocada pela morte do animal de estimação não só é intensa e profunda, mas também dura bastante tempo. Uma em cada três pessoas consultadas disseram que sofreram pelo menos seis meses depois da perda.

A morte de um animal de estimação, o final de uma relação mais que especial
Os animais de companhia nos oferecem seu amor, seu apoio e sua lealdade (em muitos casos, mais do que recebemos de outras pessoas). Devido a isso, quando eles morrem, perdem-se ou são roubados, experimentamos o que os cientistas chamam de “fim de uma relação especial”.

A dor pela perda do animal de estimação não costuma ser compreendida por aqueles que não têm um cão ou um gato. Eles acham estranho que alguém chore desconsoladamente por um animal, se o que morre é um cão ou um felino, desprezam os sentimentos.

Como cada vez mais casais e famílias adotam um animal de estimação e o transformam em um membro a mais da casa, é habitual que se organizem funerais e enterros como se se tratasse de uma pessoa. Inclusive há cemitérios especiais para animais de companhia.

Como superar a morte de um animal de estimação

Não importa se seus amigos ou familiares não lhe entendem ou dizem que você é exagerado por se sentir triste pela morte de um animal de estimação. Se seu cão ou gato morreu, você deve expressar sua tristeza e confrontar a perda. Tire o tempo que necessitar para atravessar este horrível momento.

Embora não tenha que derramar milhares de lágrimas, não as reprima. Alivie toda sua dor através do choro.

Não se deve assumir a culpa pelo ocorrido, já que essa não é a melhor maneira de encontrar alívio. Simplesmente seu animal de estimação morreu e isso não é sua responsabilidade. É melhor que você esteja tranquilo consigo mesmo e que se perdoe.

Seja paciente, já que, durante as primeiras semanas, você se sentirá realmente triste. Se não tiver vontade de falar do assunto, não fale, se preferir passar o final de semana dentro de casa, faça isso. Mas leve em conta que, em algum momento, você deverá retomar a sua vida habitual.

Por último, lembre-se de seu cão ou gato fazendo travessuras e estando feliz ao seu lado. Tente não guardar nenhum elemento que ele utilizava, porque isso causará mais dor. Certamente há muitos animais sem lar que necessitam de comida, camas e brinquedos. E espere um tempo prudencial para levar outro animal de estimação para casa. Uma vez que você saiba que não será uma substituição, você estará preparado para dar a oportunidade para essa nova vida entrar em seu lar.

Fonte: Meus Animais

Publicado em: https://www.portalraizes.com/a-morte-de-um-animal-de-estimacao-doi-igual-a-de-um-familiar/?fbclid=IwAR0GsqkW7TGAtuvbAWKp4JAjjuozd7Gj-QLxph8M4iaAZ0LwfkocqtZwtpk

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‘Conheça o segredo de Darwin para produtividade e criatividade’

Em mais de uma oportunidade, já trouxe aqui comentários e argumentos convincentes que sustentam não ser recomendável a utilização da multitarefa nas atividades cotidianas, por ser contrária à produtividade e à efetividade dos resultados práticos. É bastante lógica a tese de que dispersão rouba a capacidade de foco e de alcance de resultados!

Com olhar ligeiramente diferente, artigo trazido pela ÉPOCA NEGÓCIOS, abaixo reproduzido, demonstra ser positiva a chamada “multitasking em câmera lenta”, concebida a partir de técnicas (ou estratégias) que eram utilizadas por Darwin, Einsten e outros gênios.

Com efeito, aplicada a técnica com racionalidade, nos termos aí defendidos, concordo plenamente. Por exemplo, muitos leitores de livros, ávidos, argumentam que uma excelente técnica para ler mais e melhor é adotar a leitura simultânea de dois (ou três) livros.

Confira. Creio que você também irá concordar!

“Conheça o segredo de Darwin para produtividade e criatividade

Ele e outros gênios eram adeptos a uma forma de multitasking diferente, positiva e facilmente aplicável

O naturalista inglês Charles Darwin, autor da Teoria da Evolução (Foto: Wikimedia Commons/Wikipedia)O naturalista inglês Charles Darwin e outros gênios mantinham atenção em mais de um projeto ao mesmo tempo (Foto: Wikimedia Commons/Wikipedia)

Menos conhecida do que seu trabalho revolucionário sobre a evolução das espécies, foi a dedicação de Charles Darwin a estudar as minhocas. Principalmente, as respostas desses animais a estímulos diversos – como luz, cheiros, temperatura e sons.

Darwin levava o trabalho em paralelo às suas pesquisas e obras que ainda hoje são fundamentais para a Ciência. E o que tirar dessa atividade extra do naturalista? Segundo o economista e autor Tim Harford, o estudo das minhocas é um exemplo de segredo de criatividade e produtividade utilizado por Darwin, Albert Einstein, por uma das maiores bailarinas da dança contemporânea, Twyla Tharp, e por Michael Crichton, autor de Jurassic Park, entre outras histórias de ficção-científica. Trata-se do que ele chama de “multitasking em câmera lenta”(multitasking in slow-motion).

Com efeitos positivos na capacidade de criar, segundo Harford, essa técnica, detalhada pelo economista em seu TED Talk, pode ser aplicada por qualquer um. Como Harford observa em sua palestra, ser multitarefas não é algo recomendado, de forma geral. Alternar entre atividades atrapalha a concentração e drena energia. Mas, de acordo com ele, o mesmo não acontece com o multitasking em câmera lenta, que, basicamente, é levar vários projetos paralelamente. “Ter vários projetos em movimento ao mesmo tempo”, diz ele, “é bastante benéfico para os tipos criativos – nos sacode e ajuda a termos novas perspectivas sobre nosso trabalho.”

Na prática, significa alternar entre os projetos – que preferencialmente não têm relação com os outros, como um hobby – quando se sentir bloqueado criativamente, esgotado ou paralisado em certa atividade. Para o economista, isso diminui as chances de que o profissional sucumba à “estase, estresse e possivelmente até depressão.”

É isso que Darwin fazia quando dedicava-se ao estudo específico das minhocas. Einstein, por sua vez, alternava para o estudo da radiação quando estava cansado de trabalhar na teoria da relatividade geral.

Não são só gênios como Einstein e Darwin que podem se beneficiar: para o economista, manter-se ativo em diversas atividades de interesse é uma das melhores formas com que qualquer um pode levar a vida.

*Matéria originalmente publicado no portal parceiro Na Prática

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2019/02/conheca-o-segredo-de-darwin-para-produtividade-e-criatividade.html?utm_medium=10todaybr.20190226&utm_source=email&utm_content=article&utm_campaign=10today

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“ESCREVER É COMO FAZER PÃO” – Uma analogia certeira!

Um dos segredos da vida é encontrar o ponto certo das coisas. Claro, isso vale para o ofício (ou a arte) de escrever.

A esse propósito, reproduzo hoje mais um texto da professora e revisora Elaine Rodrigues, publicado em seu blog e-Redigindo, dois dias atrás. Desta feita, em apenas dois parágrafos, ela nos oferece interessante e pertinente analogia entre a arte de escrever e a arte de fazer pão. São dicas úteis que devem mesmo ser observadas, pois, acredite, o texto para ficar bom precisa chegar no ponto!

Confira a seguir (e tire o melhor proveito):

“ESCREVER É COMO FAZER PÃO

ELAINE RODRIGUES

ESCREVER É COMO FAZER PÃO. O texto precisa de tempo para crescer, criar formas, ter sabores. Primeiro, você escolhe os ingredientes do pão de sua preferência. Depois, acrescente, aos poucos, cada item dessa receita e vá misturando-os levemente. Em seguida, comece a sovar a massa. Essa parte exige mais esforço. E quando ela estiver no ponto, deixe-a descansar por alguns minutos. Após isso, leve ao forno para assar. Só depois desse processo, você comerá o pão.

Com o texto não é diferente. Escreva-o. Guarde-o. Deixe-o repousar por alguns minutos, horas, dias… O tempo que precisar. Assim, você poderá voltar e analisá-lo melhor. Ver detalhes que passaram despercebidos na primeira escrita. Poderá editar, repensar ou alterar as frases, os parágrafos, as ideias, aprimorando sua produção textual — dando formas, tons, cores e sabores à sua escrita. Mas cuidado: não esqueça o texto por muito tempo, não deixe-o parado, senão ele se perde, estraga ou “queima no forno”.

Fonte: https://eredigindo.wordpress.com/2019/02/24/escrever-e-como-fazer-pao/#like-1105

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Ilusão – Nanna de Castro – Reflexão primorosa sobre o viver (vídeo)!!!

Tomei conhecimento hoje deste pequeno vídeo (duração de apenas 2:08), com narrativa do texto Ilusão, da psicóloga, escritora e dramaturga Nanna de Castro, e não poderia deixar de compartilhar aqui, pelo impacto da mensagem e capacidade de nos fazer refletir, ou filosofar, sobre o viver. Reflexão, que diria, necessária, a respeito do mundo que aí está, no qual estamos, e da mentalidade individual que pode enxergá-lo de um jeito, de outro…

A meu ver, um texto genial, primoroso, provocativo, sobre nossas percepções, escolhas, armadilhas. A autora levanta a lebre: o que chamamos de realidade pode ser uma ilusão. Sacou?

Enfim, trata-se de mensagem que cai muito bem para um domingo e para uma semana que está começando. Gostei bastante!

O vídeo, produção de Mariska Michalick, está disponível no YouTube. Confira:

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Inspiração musical: It’s Alright With Me – La Bouche Manouche (Gypsy Jazz)!!!

Como inspiração musical para este sábado, selecionei vídeo com belíssima interpretação do grupo jazzístico La Bouche Manouche (LBM), baseado em Londres, para a canção It’s Alright With Me, composta nos anos 1950 por Cole Porter.

De acordo com os sites de pesquisa, o LBM “é uma banda de jazz vintage influenciada pela era chique e sofisticada da era do jazz e além. Nosso repertório está enraizado no som do jazz cigano…”

O grupo tem a seguinte formação:

Vocals : Irene Serra

Violin : Simone Walsh

Lead Guitar : Andy Ruiz-Palma

Rhythm Guitar : Simon Rawling

Double Bass : Paul Malloy

O vídeo foi publicado no YouTube, no canal do grupo LBM, em 8 de maio de 2017. Curta esta performance (a seguir):

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Inspiração: Depoimento impressionante do primeiro deputado federal cego!

Trago hoje mais um exemplo de superação, de evidente capacidade de resiliência ante as adversidades da vida, que merece a mais ampla repercussão, pois situações assim têm um poder inspirador e trazem um toque de otimismo em contraponto ao teimoso cotidiano, embaçado por notícias predominantemente negativas e desanimadoras que pululam pela grande mídia, infelizmente.

Assim, vejam o impressionante, lúcido e animador pronunciamento do capixaba Felipe Rigoni, primeiro Deputado Federal cego (condição esta adquirida quando ele ainda era criança), feito na tribuna da Câmara dos Deputados, em Brasília, no último dia 20. Trata-se de um orador privilegiado, que demonstra possuir elevada formação educacional, que tem serviço social já prestado e, mais do que tudo, aparenta ser alguém que traz um pensamento positivo e uma disposição para fazer a diferença em prol do crescimento do Brasil.

São, portanto, novos e promissores ventos, que espero contagiem outros tantos homens públicos e, ainda, qualquer pessoa que sinta desânimo em face de dificuldades bem menores do que a perda total da visão, como foi o caso do Felipe, agora parlamentar.

O vídeo está disponivel no YouTube (duração de apenas 4:56). A seguir:

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Ex-detentos criam clube do livro em Brasília: ‘transformação pela leitura’

Compartilho por aqui esta notícia mais do que positiva, diria alentadora, a respeito de um clube do livro formado por ex-detentos do DF, que foi divulgada no portal G1. Considerando que procuro divulgar iniciativas que sirvam, em alguma dose, para estimular o hábito de leitura, tão reduzido em nosso país, fiquei alegre com o que li.

A propósito, esse agrupamento voluntário de pessoas com o propósito de ler e resenhar livros escolhidos pelos próprios integrantes, dando margem aos denominados ‘clubes do livro’ (ou ‘clubes de leitura’) funciona mesmo. Diria se tratar de excelente estratégia em prol da leitura, que faz bem, em sentido bastante amplo, para quem dele participa, em termos de aquisição de conhecimento, de evolução intelectual, de socialização, de qualidade de vida, e por aí vai!

Veja esta definição colhida do site Wikipédia (a enciclopédia livre):

Um clube do livro, também conhecido como clube de leitura, é um clube social onde pessoas normalmente se encontram para discutir sobre um livro que acabaram de ler, expressando suas opiniões, críticas, etc. Comumente, membros de clubes do livro encontram-se em suas casas, em livrarias, pubs, cafés, restaurantes, etc. Há também clubes do livro online.

Com efeito, conheço de perto a iniciativa do Clube do Livro da ABACE (Associação Brasiliense de Aposentados do Banco Central), uma ação exitosa sob vários aspectos, desde a sua criação em 2010, considerada estratégica e emblemática para os propósitos daquela entidade, da qual sou associado e membro eleito do Conselho de Administração.

Espero que iniciativas dessa natureza se reproduzam pelos quatro cantos do país, mereçam incentivo, divulgação e até se popularizem. Aliás, não se deve formar juízo de que isso é coisa de elite. Convenhamos, o incrível poder de comunicação das redes sociais, nos dias de hoje, está aí para ajudar. Com isso, a educação, a cultura e a cidadania em nosso país têm muito a ganhar!

Feitos esses registros, eis a reprodução da mencionada matéria (a seguir):

“Ex-detentos criam clube do livro em Brasília: ‘transformação pela leitura’

Grupo foi criado no ano passado e, desde então, já debateu obras de Victor Hugo a Dostoiévski. Livro do mês é ‘Crime e castigo’.

Por Marília Marques, G1 DF

Ex-detentos criam clube do livro em Brasília — Foto: Victor Gomes / G1 DFEx-detentos criam clube do livro em Brasília — Foto: Victor Gomes / G1 DF

Um grupo de ex-detentos escolheu a literatura para se tornar “protagonista da própria história”. Eles se conheceram ao sair do sistema penitenciário e, há um ano, criaram um clube de livros com encontros mensais em Brasília.

Desde então, a cada mês, os 12 amigos escolhem obras variadas e debatem ideias e impressões sobre as narrativas, contexto da história e perfil de cada autor.

As rodas de conversa são marcadas em cafeterias, shoppings e em salas de universidades do DF – “lugares que aparentemente são inacessíveis para pessoas que vieram de onde nós viemos”, explica o idealizador do clube, Jeconias Neto, de 27 anos.

Aos 14 anos ele foi apreendido em Brasília e cumpriu pena no sistema socioeducativo. Ao sair, já adolescente, conta que se viu desamparado e, por isso, decidiu vender sorvete na rua. Tempos depois, passou a vender livros, se dedicou aos estudos e, então, entrou em um projeto que o ajudou a cursar a faculdade de teologia na Argentina.

Idealizador do clube, Jeconias Neto, de 27 anos — Foto: Victor Gomes / G1DF

Idealizador do clube, Jeconias Neto, de 27 anos — Foto: Victor Gomes / G1DF

Ao lado dele, hoje, se reúnem no clube outros tantos colegas que também foram presos e cumpriram penas por assalto, tráfico de drogas e tentativa de homicídio. A partir da literatura, os ex-detentos decidiram trocar as armas pelos livros.

“É muito mais que ler, é uma iniciativa de apoiar um ao outro. É uma transformação pela leitura.”

“Depois do clube, já temos três colegas que estão fazendo faculdades, e um já está se formando agora, foi meu amigo de crime, mas hoje é de leitura”, afirma o idealizador.

‘Os miseráveis’

Como referência de livro marcante, Jeconias cita a história do personagem Jean Valjean, protagonista de “Os miseráveis” – obra famosa do escritor francês Victor Hugo.

O livro conta a história de um condenado posto em liberdade depois de roubar um pão. O título foi um dos primeiros da lista a ser escolhido. Um ano depois, os ensinamentos do clássico ainda mexem com as emoções dos integrantes do clube.

” ‘Os miseráveis’ foi o que mais marcou, porque todo mundo se viu na realidade do livro, de como Jean passou por tudo e aceitou o perdão, sinistro como ele aceitou o perdão”, conta.

“Todo mundo chorava quando se falava disso. Porque é o que faltava no coração da gente: a falta de ser abraçado como Jean foi, de ser perdoado e de ser aceito.”

Crime e castigo

Outro clássico que está na mesa de cabeceira de todos do grupo é a obra-prima do escritor russo Fiódor Dostoiévski. “Crime e castigo” foi escolhido como livro do mês de fevereiro e já levantou o debate sobre outras sociedades.

O gestor público Joymir Guimarães, de 36 anos, faz parte do clube desde os primeiros encontros. Para ele, o livro do mês tem um significado especial “por mostrar realidades sociais que nunca tínhamos conhecido”.

  Gestor público Joymir Guimarães, de 36 anos — Foto: Victor Gomes / G1DF

Gestor público Joymir Guimarães, de 36 anos — Foto: Victor Gomes / G1DF

Joymir foi preso aos 26 anos e, depois de cumprir uma pena de quase seis anos no Complexo Penitenciário da Papuda, reencontrou Jeconias, amigo de infância que logo o convidou para montar um grupo de leitura.

O amor pelos livros, no entanto, já tinha surgido muito antes, quando Joymir ainda estava atrás das grades. “Na cadeia, um policial civil notou a maneira como eu cumpria a pena, viu uma certa diferença e começou a me ajudar”, conta.

“No começo eu não aceitei ajuda, mas ele tinha as melhores intenções e começou a me ofertar livros religiosos. Quando eu sai, comecei a participar de rodas de conversa no socioeducativo, ajudar as pessoas passou a fazer parte de nossas vidas”.

“Os livros mostram que existe uma saída. Há exemplos de grandes pensadores que tiveram a vida transformada, não por crimes como os nossos, mas sendo protagonistas, estudando, trabalhando e alcançando as coisas dessa maneira”, diz, orgulhoso.

Literatura na cadeia

Usando como exemplo as próprias histórias e o amor em comum pelos livros, cinco dos 12 membros do clube do livro de ex-detentos estão levando encontros semanais também para dentro dos presídios e de unidades socioeducativas do DF.

Além da abordagem sobre literatura, os debates para os mais jovens falam sobre postura profissional, autocuidado e formas de apoiar um ao outro. “É muito mais do que ler”, diz Jeconias.

“A leitura é fera. Se, um ano atrás, alguém trocasse ideia com o clube do livro, veria a diferença na argumentação”, lembra. “Somos mais sinistros agora, sabemos organizar melhor o pensamento”.

Fonte: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/02/17/ex-detentos-criam-clube-do-livro-em-brasilia-transformacao-pela-leitura.ghtml?fbclid=IwAR26l2Tcgay-qnEBPxfRb38lwMZRkYqc8P63GfFRRWARj3wFhua3wqru7cE

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‘Como alguém pode ver claramente quando não vê sequer a si mesmo?’

Para hoje, um texto instigante, um providencial convite à reflexão, publicado em janeiro por Nando Pereira, jornalista e terapeuta, em seu site Dharmalog.

Remetendo-nos à área do autoconhecimento, e da autoconsciência, aí está uma provocação necessária, da mais absoluta pertinência, com questionamento que cada um de nós deve (ou deveria) ter sempre em mente. Ter discernimento sobre a questão trazida no texto é bom requisito para o equilíbrio individual, sobretudo por conta dos naturais desdobramentos em termos comportamentais e da própria saúde (plena).

Leia a seguir:

Como alguém pode ver claramente quando não vê sequer a si mesmo?

Resultado de imagem para carl jung a beira do lago zuriqueImagem: Dharmalog

Essa pergunta é de Carl Jung:

“Como alguém pode ver claramente quando não vê sequer a si mesmo e a escuridão que inconscientemente carrega dentro dele e em todas as suas atividades?”
Carl Jung (CW 11, pg 140)

Esse questionamento do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) merece ser lido, relido e decentemente assimilado por nossa consciência em tempos de cólera (ansiedade, depressão etc). Ao menos se quisermos ver claramente qualquer coisa desse mundo. A pergunta sintetiza um requisito fundamental da razão de existir de diversas áreas das ciências humanas: para a Filosofia que pesquisa o que é a realidade, para a Psicologia que busca resolver percepções, desequilíbrios e emoções no “confronto” do ser humano com a realidade, para a Espiritualidade que vê na consciência o centro da realidade e de cada ser.

Mas esse questionamento serve ainda mais para nossa saúde na vida comum, que parece estar cada vez mais ocupada por opiniões, julgamentos, idéias, conceitos, preconceitos, viés e delírios. Pouca realidade clara. E o que talvez seja ainda pior: pouco interesse em perceber que a realidade está longe do que vejo. Que realidade podemos de fato ver se não temos nenhuma visão decente do que carregamos dentro de nós? Se sequer desconfiamos que temos ressentimentos, características indesejáveis, cognições enviesadas, memórias hiper-presentes, tendências rígidas, emoções sem controle, identificações sem fim?

E quem está disposto a pensar que o que está vendo, pensando, concluindo, percebendo em geral, pode não ser a realidade tão sólida e clara que acreditar ser? Quem está disposto a admitir que pode estar nadando de braçada num oceano de ilusões, e não na piscina clara da realidade?

Ok, talvez não exista uma tal realidade única e objetiva. Mas talvez exista uma realidade (bem) mais livre das distorções grosseiras das nossas projeções e delírios inconscientes.

Permita-me trazer aqui uma das lições de Um Curso em Milagres, uma abordagem que questiona frontalmente a realidade objetiva que pensamos que existe tão claramente. É a lição 325, que diz: “Todas as coisas que vejo refletem idéias“. Pense nisso por um instante. Ou mais de um instante. É uma afirmação poderosa. Na explicação, o livro diz:

“(…) O que vejo reflete um processo em minha mente, que se inicia com a minha ideia do que quero. A partir daí, a mente faz uma imagem daquilo que deseja, julga valioso e, portanto, busca achar. Essas imagens são então projetadas para fora, contempladas, estimadas como reais e guardadas como nossas. De desejos insanos vem um mundo insano. Do julgamento vem um mundo condenado. (…)”
— UCEM, Lição 325

Conectando isso ao legado de Jung, e ao questionamento específico deste post, podemos entender que assim como a mente projeta “aquilo que deseja e julga valioso“, ela também rejeita aquilo que não deseja e que julga sem valor. Esse sistema é um dos scripts principais do ego e faz justamente o que a lição acima diz: distorce a realidade e cria um mundo insano. Sem percebermos e desarmarmos esse sistema que opera em nós mesmos (e sustenta o mundo insano), nada pode ser visto com clareza.

Eu acrescentaria então à indagação de Jung uma segunda pergunta: quem de nós tem interesse em ver claramente a escuridão em si mesmo, a admiti-la, a acolher a própria insanidade, a escuridão que carrega em todas as suas atividades?

Fonte: http://dharmalog.com/2019/01/03/como-alguem-pode-ver-claramente-carl-jung/

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