“7 preconceitos que limitam o seu bem-estar” – um artigo excelente, importante, oportuno!

Ainda agora, no último dia 7, participei de live promovida pela Faculdade da Felicidade, organização que atua em Salvador-Bahia, convidado que fui para discorrer sobre o preconceito com os idosos, o chamado etarismo (também idadismo ou ageismo). Vale enfatizar, a propósito, serem reais os variados tipos de intolerâncias e os estigmas sociais a esse respeito, situação que traz impacto no contexto do tema longevidade, sobre o qual tenho atuação mais direta.

Pegando o gancho, divulgo hoje o excelente artigo abaixo transcrito, publicado poucos dias atrás no site A Mente É Maravilhosa. O assunto, sabidamente, está em evidência e interessa a cada um de nós, por enfocar crenças pessoais que carregamos e atitudes praticadas, consciente ou inconscientemente, de discriminação humana. No caso, de acordo com o argumento defendido no texto, referidos preconceitos acabam limitando o nosso bem-estar!

Esses “filtros de negatividade”, todos ou alguns deles, estão presentes nos nossos pensamentos e nas nossas atitudes, em alguma medida, convenhamos.

Por certo, precisamos reconhecer que o assunto enfocado é real. Assim sendo, é necessário atentarmos para as referidas crenças, dedicando esforços como estratégia para ver minimizados os impactos negativos dessas influências psicológicas.

Leia a seguir:

“7 preconceitos que limitam o seu bem-estar

Os preconceitos são inconscientes e incoerentes, e muitas vezes nos levam a tomar decisões equivocadas. Reconhecê-los e desativá-los nos permite criar um mundo mais respeitoso e feliz.

Imagem: https://amenteemaravilhosa.com.br/preconceitos-que-limitam-o-seu-bem-estar

Existem diversos tipos de preconceitos que limitam o seu bem-estar. Eles se tratam de crenças pré-determinadas e inconscientes que todos nós temos sobre as pessoas, o mundo e a realidade que nos rodeia.

Essas avaliações mentais em muitos casos são levantadas como preconceitos que limitam nosso potencial humano e até mesmo nossa harmonia social. Eles dificultam o nosso relacionamento com os outros, simplificam nossa visão das coisas e nos fazem agir com medo e ceticismo, em vez de facilitar a abertura e a flexibilidade cognitiva.

Esse tipo de construtos psicológicos é, em muitos casos, a expressão mais pura do nosso pensamento ilógico.

O psicólogo e ganhador do Prêmio Nobel Daniel Kahneman mostrou que todos nós fazemos uso desses recursos cognitivos. O preconceito tem como finalidade nos permitir dar respostas rápidas, filtrando as informações disponíveis de forma subjetiva.

Trata-se de uma forma de simplificar a complexidade do nosso ambiente e fazer previsões imediatas em contextos de incerteza. Devo confiar nessa pessoa? Com quem devo me associar no trabalho? Que tipo de informação devo validar? Como devo reagir nesta circunstância?

Muitas das nossas respostas e ações são mediadas por preconceitos inconscientes, que nem sempre nos levam a destinos melhores ou desejados. Nos aprofundaremos nesse assunto.

“Nada nos engana tanto quanto nosso próprio julgamento”.

-Leonardo da Vinci-

A necessidade de organizar o mundo em categorias mentais

Racismo, sexismo, preconceito de idade, homofobia, xenofobia… Os preconceitos que limitam o bem-estar vão além das dimensões categóricas que todos conhecemos. Eles são arquiteturas mentais inconscientes e estereotipadas que reforçam atitudes negativas em relação a muitas áreas da sua realidade, especialmente para grupos de pessoas.

Se nos perguntarmos por que criamos e reforçamos esses preconceitos, existem várias explicações para isso. Como o psicólogo Gordon Allport nos explicou em sua obra The Nature of Prejudice (A natureza do preconceito, em tradução livre), publicado em 1954, preconceitos e estereótipos são o resultado do pensamento humano normal. Visto que nosso mundo é complexo e imprevisível, precisamos organizá-lo em “categorias” mentais.

Daniel Kahneman disse que todos nós fazemos uso dessas heurísticas (atalhos mentais) para tomar decisões no dia-a-dia. Da mesma forma, esses preconceitos também são mediados por motivações morais e emocionais, pela educação que recebemos e influência do ambiente sobre nós.

Os preconceitos que nos limitam

O reconhecimento e a desativação dos preconceitos que limitam o bem-estar partem sempre da capacidade de se dar conta de que eles estão sendo utilizados. Por exemplo, perguntar a si mesmo por que certas crenças sobre algumas pessoas são reforçadas já é um progresso.

Além disso, também é aconselhável fazer uma breve revisão dos preconceitos negativos que muitos de nós internalizamos. Eles são os seguintes:

1. O que não conheço é ruim (preconceito por medo)

Essa é uma das abordagens que fundamentam a maioria dos preconceitos. O diferente é perigoso, o que não conheço é ruim e, portanto, devo me defender. O preconceito por medo não apenas molda o racismo, mas também o comportamento autodefensivo.

Essa característica define as pessoas que sempre preferem o mal conhecido ao bem a conhecer, que respondem com preocupação e até mesmo desprezo a qualquer mudança ou novidade. A Universidade James Cook realizou um estudo muito revelador a esse respeito.

Quando mostramos um comportamento curioso, imaginativo e aberto à experiência, os preconceitos são reduzidos. Eles desaparecem sozinhos. Esse é o segredo, ver o que é diferente não como uma ameaça, mas como uma oportunidade de aprendizado.

O preconceito por medo do diferente é o substrato da intolerância e a raiz que bloqueia qualquer oportunidade de mudança e progresso humano.

2. Se você se parece comigo, gostarei mais de você (preconceito por afinidade)

Um dos preconceitos que limitam o bem-estar é entender o mundo de acordo com as próprias experiências e pontos de vista. Aqueles que têm opiniões opostas ou que não passaram pelas mesmas coisas que você não são dignos de confiança ou amizade.

O preconceito por afinidade nos diz que muitas pessoas sempre terão preferências inconscientes por quem tem qualidades e experiências semelhantes às delas.

Aqueles que têm as mesmas ideias políticas, estudaram na mesma universidade ou têm a mesma nacionalidade serão vistos com melhores olhos.

3. A sua imagem já diz tudo (preconceito por aparência)

O preconceito por aparência é um clássico. Quem nunca fez isso alguma vez?

A maioria de nós tende a prejulgar as pessoas com base na imagem e maneira como elas se vestem. Sabemos que a aparência física sempre importa, mas tome cuidado porque às vezes cometemos graves erros de julgamento que afiam a arma da discriminação.

4. Homens e mulheres nunca serão iguais (preconceito de gênero)

Entre os preconceitos que limitam o bem-estar está, sem dúvida, o preconceito de gênero. Pense bem: não basta a própria sociedade continuar a reforçar certas crenças sexistas. Às vezes, também continuamos a internalizar determinados preconceitos que limitam o nosso potencial.

Um exemplo disso são as mulheres que decidem não optar por cargos de chefia por acreditarem que essa categoria se destina apenas a homens.

5. Preconceitos que limitam seu bem-estar (preconceito de poder e beleza)

O preconceito de poder e beleza está muito presente atualmente. Por exemplo, muitos jovens acreditam que apenas as pessoas com certos atributos físicos alcançam o sucesso. Se existe um viés debilitante e negativo, é supor que a magreza ou a beleza abrem portas em todos os cenários.

O preconceito de poder e beleza é sustentado pela baixa autoestima. Trata-se de um componente emocional e um preconceito que limita o nosso potencial, pelo pensamento de que todo sucesso ou conquista de metas começa apenas no aspecto físico.

6. Um erro determina tudo (preconceito diabo)

As pessoas às vezes são muito cruéis, tanto conosco quanto com os outros. Basta que alguém cometa um erro para que seja tirada a conclusão de que essa pessoa não é confiável ou não vale nada.

O preconceito diabo consiste na ideia de que basta alguém apresentar uma qualidade ruim (mesmo que temporária) para pensarmos que é melhor nos afastarmos dela. Além do mais, esse tipo de crença também pode ser aplicada a nós mesmos: basta estar errado ou ser falível em algo para pensarmos que somos um desastre.

7. Quando algo dá errado, tudo vai piorar (preconceito da linha reta)

Entre os preconceitos que limitam o bem-estar está a suposição de que, quando algo der errado, a tendência seguirá o mesmo caminho: tudo continuará dando errado. Desse modo, enquanto o preconceito diabo se aplica às relações entre as pessoas, a linha reta aparece em nossas experiências e acontecimentos cotidianos.

Trata-se de um filtro de negatividade que nos faz cair no desespero ao julgar que o que começa mal não pode ser corrigido.

Para concluir, nada pode ser tão catártico para nosso potencial quanto tomar consciência dessas construções psicológicas. Como disse William James, muitas vezes quando acreditamos que estamos pensando, o que realmente estamos fazendo é a reorganização dos nossos preconceitos. Essa não é a coisa certa a se fazer.

Devemos aprender a desativar esses preconceitos para raciocinar como merecemos e precisamos.

Bibliografia:

  • Allport GW. The Nature of Prejudice. Reading, MA: Addison-Wesley; 1954.
  • Crawford JT, Brandt MJ. Who is prejudiced, and toward whom? The big five traits and generalized prejudice. Pers Soc Psychol Bull. 2019;45(10):1455-1467. doi:10.1177/0146167219832335
  • Rouse L, Booker K, Stermer SP. Prejudice. In: Goldstein S, Naglieri JA, eds. Encyclopedia of Child Behavior and Development. Boston, MA: Springer; 2011. doi:10.1007/978-0-387-79061-9_2217
  • Ng DX, Lin PKF, Marsh NV, Chan KQ, Ramsay JE. Associations Between Openness Facets, Prejudice, and Tolerance: A Scoping Review With Meta-Analysis. Front Psychol. 2021 Sep 28;12:707652. doi: 10.3389/fpsyg.2021.707652. PMID: 34650474; PMCID: PMC8506218.

Veja a publicação original em: https://amenteemaravilhosa.com.br/preconceitos-que-limitam-o-seu-bem-estar/

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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4 respostas para “7 preconceitos que limitam o seu bem-estar” – um artigo excelente, importante, oportuno!

  1. dulcedelgado disse:

    E para desactivar esses preconceitos teremos necessariamente de aumentar bastante o nosso grau de tolerância, permitir-nos abrir portas ao que é diferente, promover uma certa elasticidade mental…e especialmente “abraçar” um certo optimismo na nossa relação com a vida. Sem esse olhar positivo, qualquer mudança será bem muito difícil.
    Boa partilha!👍

  2. lulaborda disse:

    Confesso que tenho alguns preconceitos que me limitam, porém nenhum dos discriminados acima.
    Um post para análise de nós mesmos e daquilo que somos capazes de bloquear em nós.

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