“Nem idosa, nem velha e nem vovó” – Sobre a longevidade e o politicamente correto(?) !

No contexto do tema LONGEVIDADE, que ganha evidência cada vez maior pelo contingente de pessoas de idade 60+ que não para de crescer, há uma série de aspectos que causam algumas dúvidas, incompreensões, e estão longe de se chegar a um consenso de agrado mais universal, aí incluídas as suas denominações (ou adjetivações), que são diversas, muitas até mesmo bastante discutíveis, entre as quais: processo de envelhecimento, velhice, melhor idade, geração madura, geração grisalha, idosos, velhos, maduros…

Não custa lembrar que a massa populacional pertencente às denominadas terceira e quarta idades é cada vez mais notada, em termos quantitativos e de ocupação de espaços pelo mundo afora.

A propósito, sobre as faixas etárias, tentei fazer um apanhado geral e de fácil entendimento, no meu artigo “O ciclo de vida e as idades dos humanos”, postado aqui no blog em 21/junho/2017, um dos mais buscados pelo público.

Mas o assunto, certamente, é controverso, pois a forma como a pessoa é “classificada” acarreta sentimentos e impactos psicológicos distintos, conforme tenho percebido desde que comecei a me debruçar sobre a temática da longevidade, há pelo menos 10 anos.

Assim, como boa ilustração desses pontos discutíveis, repercuto o interessante – e até curioso – acontecimento real, com uma cidadã inglesa, que buscou reparação judicial por ter sido tratada por vovó em uma reportagem, focalizado ontem em matéria publicada no portal eletrônico ÉPOCA NEGÓCIOS.

Leia a seguir:

“Nem idosa, nem velha e nem vovó

As terminologias sobre como se referir às pessoas de mais idades ainda geram debates e dúvidas

Por MARIA TEREZA GOMES

População em crescimento, idosos estão entre os mais sujeitos ao endividamento excessivo (Foto: Pixabay)
(Foto: Pixabay)

Confesso a você: tenho dificuldades com a linguagem correta, se é que existe, com a qual devo me referir às pessoas acima dos 50, que são o objeto desta coluna. Eu sinto que estou sempre pisando em ovos: será que posso escrever ‘idoso’ ou ‘velho’ ou ‘velhice’? E tem ainda as supostas palavras corretas para definir o preconceito de idade: idadismo, ageísmo (do inglês ageism), etarismo, idosismo. Não me adaptei com nenhuma delas. Se você costuma ler essas linhas semanais, deve ter reparado que ora uso uma ora outra, sem critério algum. Acho que sou meio rebelde em relação ao politicamente correto que nos engessa em caixinhas em vez de nos dar a liberdade de escolha. Estou escrevendo isso porque acabo de ler que, na Inglaterra, uma mulher foi à justiça reclamar por ter sido chamada de “vovó” numa reportagem – mesmo sendo avó.

A história é a seguinte: Anne Dopson, 66 anos, era diretora de vendas da editora Stag Publications e participou de um test-drive para uma reportagem sobre um modelo de carro da Renault. No texto escrito por uma colega de trabalho, publicado na Fleet World, revista especializada da Stag, o carro foi descrito como “confortável para uma vovó” (“comfy wheels’ for a grandparent”). Anne, que à época tinha 62 anos e três netos, não gostou, disse que foi motivo de piada no escritório. Primeiro, reclamou por e-mail com o chefe: “Não tenho nenhum problema em ser avó (…) aproveito todas as oportunidades para mostrar as fotos (dos netos) a todos, mas não concordo com o que poderia ser percebido como uma ironia sobre a minha idade”. Como não foi atendida, saiu de licença médica e, tempos depois, demitiu-se. Em 2017, ela processou a Stag alegando demissão ilegal e sem justa causa, além de discriminação por idade.https://aab46d21c974ec9be9a38d745b0728b0.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

A decisão do juiz saiu no final de julho. Segundo o jornal inglês Daily Mail, Oliver Hyams reconheceu que o fato de Anne ter sido chamada de “vovó” foi um tratamento prejudicial (“harmful”) e menos favorável (“less favorable”) pois chamou a atenção para a sua idade. O juiz também criticou a empresa pela forma como lidou com a reclamação da executiva. No entanto, negou a ação trabalhista pois o fato teria tido pouca relevância para sua saída do emprego. Em outras palavras, como resumiu o jornal The Times, “referir-se a um colega de trabalho como avô pode ser visto como discriminação por idade, mesmo que ele seja um”.

Sofrendo aqui com meus dilemas de terminologia, fui pedir ajuda para Layla Valias, 30 anos, uma das autoras do estudo Tsunami60+, o mais completo já feito no país sobre a geração 60+. Formada em marketing, empreendedora na consultoria Hype50+, com vocação para a pesquisa, Layla me lembra que a terminologia é importante para a auto-imagem, para a forma como queremos ser reconhecidos. Em suas sondagens com esse público, ela tem investigado quais termos são mais aceitos e quais são renegados. Segundo ela, há uma preferência por “maduro”, “sênior” e “50+”, em detrimento de ‘idoso’ e ‘melhor idade’. Segundo Layla, estamos vivendo a fase de transição, ainda não sabemos o que vai vingar e que todo mundo tem dúvidas como as minhas. Eu também não gosto de ‘melhor idade’ porque acho que entramos numa fase apenas diferente, que tem vantagens e desvantagens em relação às anteriores. Também tenho dúvidas sobre ‘maduro’, pois me lembra fruta madura caindo do pé. Enfim, continuo sem saber como quero ser chamada e muito menos como me referir a vocês, meus contemporâneos de idade. Por isso, peço antecipadamente desculpas se os ofender de alguma forma.

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/colunas/50-Vida-e-Trabalho/noticia/2021/08/nem-idosa-nem-velha-e-nem-vovo.html

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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2 respostas para “Nem idosa, nem velha e nem vovó” – Sobre a longevidade e o politicamente correto(?) !

  1. Cláudio Jaloretto disse:

    Não tenho problemas em ser chamado de idoso ou velho. Detesto o termo “melhor idade”. Gosto de ser chamado de vovô, especialmente pelos meus netos. Não gosto de termos politicamente corretos pois escondem, dentro do pseudo tratamento adequado, um tremendo preconceito de quem os utiliza. Prefiro que se dê nome aos bois.

    • JCDattoli disse:

      Exato, meu amigo. Penso que, acima de tudo, considerando que ainda são reais os preconceitos em relação aos mais idosos, principalmente em nosso país, o fundamental é estar de bem consigo mesmo, com a mente bem resolvida e numa boa!
      Abraço, obrigado!

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