‘Como o celular afeta as relações pessoais’

É notório que os aparelhos celulares (smartphones) estão nas nossas mãos, portanto na nossa vida, cada vez mais. E assim seguirá ao menos por mais um bom tempo.

A grande questão envolvendo a convivência com esse fabuloso recurso tecnológico, de múltiplas possibilidades de comunicação, é exatamente a intensidade de seu uso, que termina afetando os relacionamentos em muitas oportunidades.

E essas situações de uso mais intenso, que podem até se transformar em hábitos automatizadas, sem que a pessoa se dê conta, acabam provocando prejuízos nos relacionamentos. Convenhamos, exemplos não faltam, estão à nossa volta, ou até mesmo, “atire a primeira pedra”! rsrs

Convém lembrar que os relacionamentos interpessoais saudáveis se nutrem de atenção recíproca, de demonstração de interesse pela fala e emoção do outro. Exatamente por isso, a atenção desviada para o celular pode enviar sinais, ainda que sutis, que resultam no enfraquecimento das relações em geral (núcleo familiar, amigos, profissionais, sociais).

Como essa é uma abordagem informativa, de reforço, servindo de alerta para evitarmos incorrer em situações dessa natureza que comprometam a qualidade dos relacionamentos, repercuto hoje o interessante e bem-vindo artigo abaixo reproduzido, publicado poucos dias atrás no site DW, trazendo resultado de pesquisas realizadas em alguns países a esse respeito.

Vale ficar atento. Confira:  

“Como o celular afeta as relações pessoais

Smartphones mantêm as pessoas conectadas, mas o vício neles também pode afetar a qualidade das interações. Pesquisadores explicam por que isso acontece e dão dicas de como lidar com o problema.

Como o celular afeta as relações pessoais | Novidades da ciência para  melhorar a qualidade de vida | DW | 07.05.2021
Imagem: dw.com

Você não verá Thseen Nazir checando seu telefone durante suas aulas na Universidade Ibn Haldun, em Istambul, na Turquia. Professor assistente do Departamento de Aconselhamento e Orientação Psicológica, ele pesquisa o impacto da tecnologia nas interações sociais, incluindo o efeito do “phubbing” – uma combinação das palavras phone (telefone) e snubbing (esnobar).

Se você está conversando com alguém e a pessoa continua checando seu telefone ou respondendo mensagens, você está sendo “phubbed”. O que pode parecer uma atividade inofensiva pode ter um impacto real nos relacionamentos. “Isso está nos roubando bons momentos”, diz Nazir. “E nós nem percebemos.”

Em alguns aspectos, os celulares ajudam a iniciar e manter relacionamentos: eles ajudam a encontrar companhia, permitem que as pessoas olhem nos olhos de familiares e amigos que estão longe e conectam apaixonados à distância. Mas o uso e até mesmo a presença de um celular durante as interações pessoais pode diminuir a qualidade desses momentos.

“Os celulares permitem que nos conectemos com nossos entes queridos facilmente por meio de mensagens de texto e ligações, mas às vezes podem ser um problema quando interferem em nossas conversas cara a cara”, afirma Genavee Brown, professora de Psicologia da Universidade Northumbria, no Reino Unido.

Bons momentos prejudicados

O grau de problema pode depender da idade das pessoas envolvidas na interação. Em 2020, Nazir conduziu uma pesquisa com professores mais velhos e mais jovens em sua universidade e perguntou como eles se sentiam quando estudantes usavam seus telefones durante as aulas. “A percepção que eles tinham sobre esse comportamento era totalmente diferente”, frisou.

Ele descobriu que a maioria dos professores mais velhos via o uso de celulares como desrespeitoso; já os mais jovens começavam a se autoavaliar e se perguntar se suas habilidades de ensino eram a razão pela qual os estudantes não estavam interessados em suas aulas.

Mas não é apenas a pessoa que está sendo “phubbed” que vivencia os efeitos negativos do uso do telefone. A pesquisa de Brown, publicada na revista Emerging Adulthood em 2016, mostrou que quanto mais tempo pares de amigos usavam seus telefones, menor era a qualidade de suas interações. O estudo descobriu que todos os participantes tiveram interações piores quando usaram seus telefones, independentemente de quão próximos eram como amigos.

Outro estudo com 300 pessoas, publicado no Journal of Experimental Psychology em 2017, descobriu que aqueles que colocavam seu telefone sobre a mesa durante um jantar com a família ou amigos se sentiam mais distraídos, o que os fazia aproveitar menos o tempo com os outros.

O motivo importa

Mas para muitas pessoas, especialmente as gerações mais jovens, ter o telefone sempre à vista é a norma. “Na conversa informal, é padrão que todos tenham o telefone na mão”, contou a alemã Milena, de 17 anos, à DW. “Como os jovens normalizaram isso, eu não acho rude, mas também não acho agradável. Pessoalmente, não gosto quando outra pessoa está falando, e os outros estão checando seus celulares no meio [da conversa]”.

Sua amiga Pauline, também de 17 anos, disse que o motivo pelo qual alguém está checando o telefone faz a diferença. “Não é agradável, mas eu pessoalmente não acho tão ruim”, afirmou Pauline. “Depende da razão e se é algo importante para a pessoa.”

Usar o celular quando se está com amigos se tornou a norma principalmente para os jovens

Os participantes de um estudo recente nos EUA, publicado na revista Human Behavior and Emerging Technologies, concordam com essa hipótese. Descobriu-se que as pessoas se sentiam menos próximas de seu interlocutor quando o parceiro de conversação usava seu telefone por uma razão trivial, como fazer planos com amigos, em comparação com uma situação importante.

Mas os participantes também perceberam que seu interlocutor estava menos distraído se usassem o telefone por uma razão importante.

Mensagem subliminar

Quando Nazir levou recentemente sua mãe para um exame, o médico checou seu telefone durante toda a consulta. Ao saírem do consultório, ele perguntou à mãe como ela se sentiu a respeito da visita.

“Acho que ele não me examinou”, afirma Nazir, citando sua mãe. “Ele estava ocupado com o celular.”

Nazir explica que a comunicação com alguém é muito mais do que apenas o aspecto verbal. “Esquecemos que, quando estamos falando com alguém, precisamos prestar atenção não apenas à parte verbal, mas também nos concentrar em sua linguagem corporal.”

Quando escolhemos priorizar nossos telefones em relação à pessoa à nossa frente, estamos enviando a ela uma mensagem subliminar. “Quando alguém está ‘phubbing’ diante você, a mensagem subliminar que você está recebendo é: ele tem prioridades, e essa prioridade agora é seu celular”, diz o pesquisador.

Quando uma pessoa compartilha uma história emocionante com alguém que começa a checar seu telefone, isso pode fazer com que ela sinta que seu interlocutor não se importa com o que ela tem a dizer.

“Isso definitivamente o fará sentir que: ‘Eu não sou importante, não valho [a pena]. Minha história, qualquer dor que eu esteja tendo agora, qualquer coisa que eu esteja compartilhando agora, para essa pessoa não importa'”, aponta Nazir.

Soluções para quebrar o hábito

Existem algumas soluções criativas para as pessoas que querem usar menos o telefone durante as interações pessoais. Algumas pessoas usam bloqueadores de aplicativos ou de internet, enquanto outras trancam seus telefones em um contêiner com um temporizador. Uma empresa até projetou uma fita que pode ser colocada em torno do smartphone com o lembrete “olhe para cima”.

Mas Brown disse que sua recomendação sobre boas maneiras em relação ao uso do telefone seria a comunicação: ela sugere refletir sobre o porquê de preferir usar o telefone a passar tempo com amigos ou o parceiro.

Se é seu amigo ou parceiro que costuma usar o telefone, a sugestão é conversar sobre o assunto e perguntar por que fazem isso. “Você poderia então compartilhar como se sente quando ele usa o telefone e tentar trabalhar em conjunto para uma solução”, conclui Brown.

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/como-o-celular-afeta-as-rela%C3%A7%C3%B5es-pessoais/a-57439698?utm_medium=10todaybr.20210512&utm_source=email&utm_content=article&utm_campaign=10today

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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