O que é a regra do ‘silêncio incômodo’, usada por grandes executivos como Jeff Bezos e Tim Cook

“Costumo falar muito rápido e me meti em problemas por isso”.

Volto a falar sobre Inteligência Emocional, assunto abordado diversas vezes aqui no blog. A propósito, vale realçar que gosto muito dos diversos enfoques envolvendo esse tema, sempre no meu radar já faz algumas décadas, pela sua importância para o aprimoramento das relações interpessoais, a tomada de decisão e, obviamente, para o equilíbrio (domínio) das nossas atitudes, o que inclui a maneira como falamos, reagimos, nos expressamos etc.

Nesse contexto, a abordagem de hoje tem foco específico na chamada regra do “silêncio incômodo”, trazida na interessante e oportuna matéria da BBC NEWS Brasil, publicada no início do mês, que será transcrita abaixo.

Na minha percepção, essa regra do silêncio temporário, um recurso de elaboração mental, pode ser muito “estratégico” para que você formule determinadas respostas e tome certos posicionamentos com maior segurança e precisão. Diria, trata-se de uma grande sacada.

Curiosamente, de alguma forma instintiva, sempre procurei refletir antes de sair falando, nas mais variadas circunstâncias. E quando um hábito assim é adotado por executivos importantes, que precisam tomar decisões rápidas, creio que alguma coisa nesse sentido tenha real validade, para uso de amplo espectro. Ou seja, traz a validação de que funciona mesmo!

Por essas e outras, recomendo a leitura do texto, que é relativamente curto, cujo conteúdo pode lhe trazer efetiva utilidade. No mínimo, merece reflexão!

Confira:

“O que é a regra do ‘silêncio incômodo’, usada por grandes executivos como Jeff Bezos e Tim Cook

 outubro 2020

Tim Cook, Apple
Legenda da foto,Tim Cook, CEO da Apple, é conhecido por fazer longas pausas antes de responder a uma pergunta

Quando nos apressamos a dar uma resposta, as coisas podem sair bem mal, e por isso, vez ou outra, nos arrependemos de ter falado sem pensar.

Há uma estratégia adotada por grandes líderes corporativos, como Tim Cook, CEO da Apple, e Jeff Bezos, fundador da Amazon, de prestar muita atenção às palavras que dizem.

Trata-se da “regra do silêncio incômodo”, um conceito desenvolvido por Justin Bariso, consultor e autor do best-seller “IE Aplicada, Guia para a Inteligência Emocional no Mundo Real” (em tradução livre).

O ponto consiste em: quando você é confrontado com alguma pergunta desafiadora, em vez de responder imediatamente, deve fazer uma pausa e pensar profundamente em como quer responder.

E por que é incômodo? Porque a pausa pode ser de 10 segundos, 20 ou até mais tempo, deixando o interlocutor desconcertado, caso não esteja acostumado a esse tipo de interação.

Em entrevista à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), Bariso afirma que Tim Cook é conhecido por fazer longas (e incômodas) pausas. Já Jeff Bezos tem um método: no início de reuniões ele toma um tempo longo para ler relatórios em silêncio antes de começar o diálogo.

“Essa regra sempre foi uma ferramenta valiosa de inteligência emocional porque permite equilibrar raciocínio e emoção, em vez de reagir baseado apenas em sentimentos”, diz Bariso.

Um caso célebre dessa regra envolveu Steve Jobs, que levou quase 20 segundos para rebater um ataque pessoal, levando a uma resposta contundente.

Era o ano de 1997. Jobs, que havia acabado de voltar à Apple, participava de um encontro com desenvolvedores.

Alguém da plateia afirmou na ocasião que ele “não sabia do que estava falando”.

No período que pareceu uma eternidade para quem presenciou o ataque e aguardou a resposta, Jobs tomou um pouco de água e alguns segundos para pensar até começar a responder.

“Você sabe…”, ele diz. “Algumas pessoas às vezes gostam de você, mas…” E daí Jobs silencia novamente por cerca de oito segundos.

Em seguida, continua a resposta. “Uma das coisas mais difíceis quando você está tentando alcançar a mudança é que pessoas como este cavalheiro estão certas… em algumas áreas.”

Esse é o início de uma longa resposta que deixou o público deslumbrado. Mas, além da capacidade de Jobs de responder ao ataque e propor sua visão de longo prazo, uma das coisas que Bariso destaca é a duração e a eficácia dessa técnica discursiva.

8 benefícios

A inteligência emocional se refere à capacidade de entender e administrar emoções, segundo Bariso.

Quando estamos sob pressão, falamos e agimos de uma maneira diferente em relação ao momento em que temos tempo de analisar as coisas.

“Costumo falar muito rápido e me meti em problemas por isso”, diz o autor.

Essa foi uma das razões pelas quais Bariso decidiu entrar no campo da inteligência emocional.

E quando você praticar a regra do silêncio constrangedor por tempo suficiente, acrescenta: “Você vai parar de se sentir estranho.”

Esses são alguns dos benefícios que a prática regular dessa regra pode proporcionar, segundo Bariso:

Silenciar o mundo externo

Exercitar seu raciocínio

Chegar à raiz do problema com maior eficácia

Dar respostas mais bem pensadas e mais profundas

Equilibrar suas emoções

Estar em harmonia com seus valores e princípios

Dizer o que realmente quer dizer

Aumentar sua confiança

Uma das principais dúvidas ligadas a essa regra é se qualquer pessoa pode adotá-la.

Não apenas pela capacidade individual de colocá-la em prática, como também porque em situações formais pode gerar uma reação negativa por parte das outras pessoas.

Ou seja, quase ninguém é Cook, Bezos ou Jobs. E algo que pode ser visto em algumas pessoas como bastante interessante, em outras pode soar estranho, inadequado, fora de lugar.

Pessoas como Cook ou Bezos nem sempre estiveram em posições de poder, contesta Bariso. “Uma das razões para chegarem onde chegaram é porque tinham confiança em suas habilidades. Seguir esta regra te ajuda a desenvolver essa autoconfiança”.

Mas a regra do silêncio incômodo pode se voltar contra quem a utiliza?

Bem, a regra não é uma solução mágica e pode jogar contra quando você está em determinadas circunstâncias que demandam exatamente o oposto: respostas rápidas.

“Sempre haverá cenários em que teremos que responder rapidamente”, diz Bariso. “Mas há bem menos momentos como esse do que a gente pensa. Na maioria das vezes, tirar 10 ou 30 segundos antes de responder não te fará mal.”

E se os segundos de pausa parecerem eternos demais, o autor recomenda resistir à tentação de responder a primeira coisa que lhe vem à cabeça e separar ao menos alguns instantes para pensar antes de falar.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-54359532?utm_medium=10todaybr.20201004&utm_source=email&utm_content=article&utm_campaign=10today

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
Esse post foi publicado em Motivação e crescimento humano, O ser humano no contexto das organizações, Psicologia e comportamento e marcado . Guardar link permanente.

4 respostas para O que é a regra do ‘silêncio incômodo’, usada por grandes executivos como Jeff Bezos e Tim Cook

  1. Zé Rosa disse:

    Muito boa a regra, de uma maneira geral. Mas há perigos… Nos dias de hoje, de imediatismo, de respostas rápidas, é preciso estar preparado para algo como um: – Fala porra !. E, óbvio, arriscar (mas ai é talvez algo positivo, dependendo da segurança e autoestima de quem estiver falando) a parecer que não conhece o conteúdo da pergunta… Abs.

    • JCDattoli disse:

      Certo. Pode causar estranheza e reação imprevista dos interlocutores. Mas vale ser praticada, a meu ver, até mesmo para quebrar a correria desenfreada, que pode levar a atitudes/palavras equivocadas.

  2. Muito boa a técnica, mas vejo que com esse mundo digital está cada vez mais difícil. Parece que tem uma certa pressa e imediatismo. Com o trabalho remoto, tenho visto como as respostas precisam ser mais rápidas do que seria no presencial. Muito disso porque tem algo de estar conectado. Abraços!

  3. JCDattoli disse:

    Certamente, Nicole. Aí, para a regra, coragem e autoconfiança precisam estar presentes, pois será uma quebra do ritmo cada vez mais veloz das coisas!
    Grato por comentar!
    Abraço

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