“A filosofia greco-romana de dois mil anos que ajuda a viver o presente” – artigo interessante!

 “Os homens não são perturbados pelas coisas, mas por suas opiniões sobre elas”, já tinha escrito Epiteto.

Vamos começar a semana bebendo da sabedoria acumulada e, mais precisamente, de pensamentos de dois importantes filósofos que viveram em períodos antes de Cristo, cujas ideias, ou “achados”, podem nos ajudar agora, em pleno Século XXI.

Faço referência ao texto abaixo reproduzido, publicado no site “duniverso“, cujo conteúdo, certamente interessante, pode lhe trazer bons insights.

Nesse contexto, com base nas filosofias de Epíteto e de Sêneca, busca-se evidenciar a importância da ‘razão’ e, mais ainda, da ‘emoção’ (das paixões). Diria, há muito de pragmatismo em tais abordagens. Como visto, a necessidade de controle da mente, em relação às emoções, já estava realçada desde aqueles tempos.

Vale a leitura:

A filosofia greco-romana de dois mil anos que ajuda a viver o presente

O estoicismo, pensamento de Epiteto e, posteriormente Sêneca, se tornou fonte de auto-ajuda nos tempos atuais

O estoicismo, como filosofia, é um conjunto de ensinamentos de um filósofo grego chamado Epiteto. Como prática, é possível colocar como um dos seus grandes ensinadores o piloto das Forças Aéreas dos Estados Unidos James Stockdale. No seu país, a história é famosa, mas fora dos EUA é quase desconhecida: em 1965, durante a guerra contra o Vietnã, ele passou sete anos preso pelos vietnamitas — na cadeia, não apenas entrou em contato com o filósofo, mas escreveu as notas de vários livros.

Hoje, obras como In Love And War (1984, sem tradução para o português) e Courage Under Fire (1990) estão sempre nos catálogos principais das livrarias dos EUA. Segundo Stockdale, Epíteto lhe ensinou que, para manter o controle da mente, é necessário um “controle moral” e uma “responsabilidade de ação”. “Eu decido e controlo a minha própria destruição e a minha própria liberação”, afirma em um dos seus livros.

A filosofia do estoicismo afirma que, mais importante do que a razão são as emoções, que podem ser tão destrutivas que permitem erros na maneira de ver o mundo. Profundamente seguida na civilização greco-romana e, assim, no Ocidente, suas ideias estão presentes tanto em religiões como cristianismo e budismo como em pensamentos filosóficos complexos, como o do alemão Immanuel Kant.

Em alguns programas de filosofia EaD, é uma disciplina própria. Hoje há até uma psicoterapia (a cognitiva) com bases na obra de Epíteto. Em Stockdale, o estoicismo pode ser resumido, de forma breve e simples, em três ideias: o que tiver acontecer acontecerá quando tiver que ser, deixe para trás as coisas que estão fora de controle e se preocupe com aquelas que podem ser controladas e não espere que o mundo seja como deveria, mas como ele é.

Crédito: divulgação

Os primeiros estoicistas criaram uma filosofia que oferecia uma visão unificada do mundo e do lugar que o homem ocupa nele. Com os primeiros escritos no século III a.C, o esboço do pensamento se ampara em três partes: na ética, na lógica e na física. Segundo eles, o universo é governado pela razão (ou logos), um princípio divino que domina tudo: estar em harmonia com esse universo significa estar em uma relação positiva com Deus, portanto. Assim, os homens que são virtuosos, ou seja, guiados pela razão — uma capacidade dada por Deus –, florescem e se desenvolvem como seres humanos.

No ano 100 a.C, depois de dois séculos de sucesso na Grécia, o estoicismo chegou a Roma por meio de Sêneca, conselheiro do então imperador romano Nero, que ficou impressionado com a capacidade da filosofia grega em preparar os homens para enfrentar as desgraças da vida. “A maioria dos homens flutuam entre o medo da morte e as dificuldades da vida. Não estão dispostos a viver e, no entanto, não sabem como viver”, escreveu Sêneca em uma carta a um amigo.

Para os estoicistas, além do mais, as paixões (emoções) se dividiam em três categorias: as boas, as ruins e as neutras (ou indiferentes), das quais as más eram as que deveriam ser centradas — para se aprender a lidar com elas. Foi Sêneca, em um texto que hoje é facilmente encontrado na Internet chamado “Sobre a Ira”, que propôs formas de lidar com as paixões ruins.

Um dos ensinamentos de Sêneca é que uma pessoa sempre tem uma percepção ruim sobre algo que aconteceu, mas tem a possibilidade de mudá-la. Pode dizer a si mesma, por exemplo, que aquilo não foi tão ruim, que foi um acidente ou que não havia uma intenção em fazer, por exemplo. “Os homens não são perturbados pelas coisas, mas por suas opiniões sobre elas”, já tinha escrito Epiteto. “Isso significa que são nossas opiniões sobre as coisas que determinam se vamos ficar chateados ou não com elas”, complementa o filósofo Mateus Mendonça, da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Epíteto também se preocupava muito em afirmar que as preocupações devem se reduzir ao que está sob nosso controle. Para ele, são os juízos, as opiniões e os valores que podem ser adotados e modificados ao longo de uma vida. Todo o resto, exterior a qualquer pessoa, não deve ser fonte de preocupação. “Você pode influenciar seu corpo por meio de uma dieta, fazer exercícios, mas, ao fim e ao cabo, o seu corpo não está sob seu controle, porque um vírus ou um acidente pode destruí-lo momentaneamente”, finaliza Mendonça. “

Fonte: https://www.duniverso.com.br/a-filosofia-greco-romana-de-dois-mil-anos-que-ajuda-a-viver-o-presente/

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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4 respostas para “A filosofia greco-romana de dois mil anos que ajuda a viver o presente” – artigo interessante!

  1. Pedro Bulhões disse:

    Texto espetacular e engrandecedor.
    Como sugestão e contribuição, indico Platão: “Conheça-te a ti mesmo”.

  2. dulcedelgado disse:

    Sempre um assunto em “saudável conflito “!

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