“Conversando Sobre a Solidão” – novas e bem-vindas reflexões!!!

Frases de Solidão - Mundo das Mensagens

Volto, nesta segunda-feira (feriado pelo Dia da Independência do Brasil), com a temática “solidão e solitude”, abordada aqui no blog do mês passado para cá.

Para quem quiser ler/relembrar as duas publicações anteriores, seguem os links:

https://obemviver.blog.br/2020/08/17/solitude-a-arte-de-preencher-o-vazio-mais-reflexao-e-informacoes-sobre-o-tema/

https://obemviver.blog.br/2020/08/03/solidao-ou-solitude-primorosas-divagacoes-texto-do-escritor-jair-araujo/

Por circunstâncias diversas, incluindo deliberada opção adotada pelo indivíduo, estar sozinho, por instantes, momentaneamente, por temporada, ou mesmo sem prazo definido é situação cada vez mais comum e atitude que parece adquirir nível de conscientização para muitos indiscutível, seja por necessidade de um viver cotidiano com maior liberdade e autonomia, seja, por outro lado, porque notadamente contribui para acelerar o processo de autoconhecimento e de superação.

Aliás, vale repetir que estar sozinho pode não significar estar em solidão, e muito menos estar triste e infeliz. O segredo, a meu ver, consiste em desfrutar a oportunidade de estar na sua própria companhia e, consciente, sentir satisfação com a experiência, com o momento, com o estilo que decidiu adotar.

Convenhamos, por se mostrar como verdadeiro desafio para muitos, o ‘estar só’ merece a devida compreensão e instiga, por certo, necessárias reflexões. Uma coisa é a (auto)decidida opção de estar sem companhia, vista como motivo para evoluir e se realizar, portanto, de conotação positiva, no conceito de ‘solitude’. Outra coisa são comportamentos de afastamento social, de tristeza e infelicidade, demonstrando pouca energia e motivação, que podem indicar adoecimentos da mente, estado de depressão etc.

Tendo isso presente, e como desfecho para essa sequência de abordagens sobre o tema, que irei interromper durante um tempo (rsrs), reproduzo mais um excelente e oportuno artigo, “Conversando Sobre a Solidão”, que me foi gentilmente encaminhado pelo escritor e amigo Jair Araújo, admirável colunista no jornal ‘A TARDE’ e também no portal de notícias ‘Notícia Livre’.

Vale a leitura – a seguir:

“Conversando Sobre a Solidão

(Jair Araújo – escritor)

“A linguagem criou a palavra solidão para expressar a dor de estar sozinho. E criou a palavra solitude para expressar a glória de estar sozinho” (Paul Tillich)  

Quando a solidão deixa de ser um simples ambiente de passagem, como são os breves refúgios das aves migratórias, pode suscitar angústias e transformar-se em um mal corrosivo que afeta a mente e a alma.

Mesmo as pessoas que se encontram em meio à multidão podem sentir solidão.  Diferentemente dos solitários, os que padecem desse mal, infelizmente, acreditam ser ele um estado de introspecção permanente, passando a interpretar o mundo através de espelhos distorcidos ou embaçados. Assim, o processo de conexão destas pessoas fica restrito ao mundo imaginário e conflituoso do espectro que se encontra refletido.

Sem contradições, não existe qualquer alternativa de se estabelecer comparações e referências; não havendo condições para a obtenção de respostas outras que não sejam apenas as que martelam e ecoam em conturbados pensamentos, recrudescendo o nível dos seus conflitos.

Para os acometimentos de tal transtorno, as pessoas em sua volta acabam sendo invisibilizadas ou, quando vistas, são desprezadas. Eles se encerram, dentro de si, como fazem as ostras. Afastam os próximos com os espinhos da repugnância e da intolerância. Equivocam-se, ao alimentarem a esperança de que alguém venha construir pontes de fora para dentro a fim de resgatá-los. Anulam, desta maneira, a possibilidade de romperem por si próprios o cisto onde guardam as suas amarguras.

Não se dão conta de que, mesmo que pontes sejam construídas, será necessário que também exista vontade de atravessá-las. A solidão encerra os pensamentos dos indivíduos, nas sombrias fronteiras das dolorosas introspecções. Os seus portadores vivem a alimentar-se da crença de que o mundo tem de girar em torno de si e que os demais devem entendê-los, compreendê-los, aceitá-los e satisfazê-los em todos os seus anseios. Mantêm-se num estado egocêntrico. Veem-se vítimas. Estranhos, no mundo ilusoriamente “real” das suas imaginações.

O vazio que habita as suas almas os mantém em estado de inércia, exaurindo-lhes as forças, podendo conduzi-los à depressão e daí, a pretensão de desistirem do mundo, na presunção de ser tal mundo imperfeito e o culpado pelas suas infelicidades. Sentem–se repelidos, indesejados e sem espaço para habitá-lo.

Como bem afirma o psicoterapeuta suíço Carl Jung, “Solidão não é não ter pessoas ao seu redor, e sim ser incapaz de expressar coisas que parecem importantes, ou de perceber certos pontos de vista que os outros acham inadmissíveis.”

Enfrentamos um momento difícil da nossa existência. A pandemia obrigou-nos a fazer quarentena. Isolando-nos em família, mas, apesar disso, muitos continuam sendo visitados pelo fantasma da solidão.

Algumas pessoas se encontram solitárias por circunstâncias da vida e, para afastarem o ameaçador fantasma, procuram preencher o seu tempo em atividades substantivas, que permitam gravitar num campo de vibrações energéticas positivas.

Outros, no entanto, apesar de estarem entre os seus, insistem em continuar remoendo dores, imersos na introspecção dos seus conflitos, disfarçando e justificando o afastamento espiritual conectando-se aos relacionamentos virtuais, por serem estes mais suportáveis que os físicos. Perdem a especial oportunidade oferecida pelo confinamento, para utilizarem a solidão em favor de si. Não a enxergam como terapia capaz de promover o despertar rumo à libertação espiritual, caminho para a cura das feridas emocionais.

A solidão é para ser vista, apenas e tão somente, como um lugar de visitação para o autoencontro. Ambiente propício para meditações metafísicas, propulsoras do autoconhecimento e, consequentemente, da elevação da autoestima, do amor próprio e do perdão. Uma eficiente terapia que possibilita o rompimento das bolhas aprisionadoras, construídas pelos próprios indivíduos.

Não é tarefa fácil, porém, não impossível. Precisam, além de contar com a compreensão e o apoio do núcleo familiar e de profissionais qualificados, de assumirem a condição de mergulhadores/alpinistas espirituais para iniciarem um duplo movimento de aprofundamento e elevação em direção aos seus desconhecidos e subestimados mundos interiores, a fim de refletirem e avaliarem o sentido da existência e despertarem para a importância do seu papel no mundo. E, por mais contraditório que possa parecer, é o mergulho que permitirá a escalada para alcançarem o topo da montanha existencial. Somente assim, serão capazes de se libertarem do profundo e sombrio vale em que insistem em se manterem cativos para, enfim, conquistarem a felicidade e a paz interior.

Santa Teresa de Ávila, em sua célebre frase, resume e revela ser este o único caminho:

“Pensar que haveremos de entrar nos céus sem penetrar em si mesmo, é desatino.”.

Publicado em: http://atarde.uol.com.br/coluna/artigos/2137642-conversando-sobre-a-solidao-premium

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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6 respostas para “Conversando Sobre a Solidão” – novas e bem-vindas reflexões!!!

  1. José Araújo disse:

    Excelente artigo, daqueles que aquecem o coração e da norte à razão. Está tudo em nós, todas as soluções e todas as respostas, necessário este mergulho interior e que o façamos com compaixão das nossas imperfeições, trabalhando as nossas emoções.

  2. dulcedelgado disse:

    Um assunto sempre alvo de reflexão. Excelente artigo!

  3. Jose Paes Landim disse:

    Temos na solidão um tema muito interessante, inclusive no sentido de ajudar as pessoas que a tomam nesse sentido quando se encontram sós.
    Quando nos encontramos sós é quando, não raro, mais estamos acompanhados. Exemplo: Quando sentamos em.nossa carteira para escrever algo, veja-se quantos pensamentos nos fazem companhia naquele momento para o êxito do que pretendemos. Não há, portanto, razão de.as pessoas sentirem solidão.

    • JCDattoli disse:

      Por essas e outras, caro Landim, podemos dizer que sentir solidão é mais obra da mente, questão psicológica, do que falta de companhia propriamente dita. Mais uma vez, grato pelo comentário, caro amigo!
      Abraço

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