A “zona de conforto” pode ser uma armadilha. Atenção!

Sentir-se com domínio da situação, sem despender maiores esforços, na “tranquilidade” etc., num estado de ânimo convencionalmente chamado de zona de conforto, é tentador. Entretanto, vale o alerta, isso pode contribuir como fator desestruturador do seu progresso e do seu futuro, porque as variáveis evoluir, buscar novos aprendizados e desafios, aprimorar-se, adotar mudanças de paradigmas e de hábitos passam a ficar em plano secundário e as consequências poderão ser significativamente comprometedoras no médio e longo prazos.

Portanto, sair do comodismo requer atenção e exige autoconsciência, sob pena de prejuízos físicos, intelectuais e profissionais do indivíduo. A zona de conforto propicia um fechamento da mente e uma excessiva focalização para os referenciais já conhecidos e estabelecidos, o que levará o indivíduo para um estado de autoengano, alimentado por medos, foco em referenciais do passado e por aí vai.

Para nos esclarecer (e alertar) sobre isso, o que considero sempre bem-vindo, reproduzo hoje o bem produzido artigo “A falsa paz da zona de conforto“, publicado no site A Mente É Maravilhosa, no dia 29 de julho último, alinhando algumas interessantes perspectivas para melhor compreensão sobre o referido fenômeno. A argumentação, no seu fecho, demonstra que ao fugir do que seria o tal estado de conforto a pessoa acaba exercitando/fortalecendo a sua autoconfiança, positiva, que atua em direção oposta à insegurança e ao medo.

Vale a leitura e vale, a meu ver, boas reflexões. Confira a seguir:

“A falsa paz da zona de conforto

A falsa paz da zona de conforto tem a ver com o autoengano. Pensamos que, se não nos expusermos ao novo e/ou ao incerto, nos sentiremos mais calmos. Na verdade, ao não fazermos isso, acabamos superdimensionando os nossos medos.

A falsa paz da zona de conforto

É chamado de zona de conforto todo aquele conjunto de circunstâncias às quais nos adaptamos passivamente e que, portanto, exercem um grau mínimo de exigência sobre nós. Embora aparentemente isso nos dê tranquilidade, o que a zona de conforto proporciona é uma falsa paz, porque a vida é dinâmica e, mais cedo ou mais tarde, teremos que enfrentar as mudanças, mesmo que resistamos a elas.

O mais problemático é que a zona de conforto não é um espaço para desenvolver a capacidade de se adaptar ao novo. Muito pelo contrário. Quanto mais repetimos as rotinas e nos movimentamos apenas em terrenos conhecidos, mais difícil será visualizar e abordar as variações.

É por isso que se diz que a zona de conforto gera uma falsa paz. Não é a tranquilidade de quem confia em si mesmo, mas a de alguém que tem a fantasia de estar controlando tudo. Ao sair dessa zona de conforto, a suposta paz desaparece e se transforma em insegurança e angústia. A tranquilidade nesse caso não depende da pessoa, mas da estabilidade das circunstâncias, por isso é tão frágil.

A única possibilidade de descobrir os limites do possível é se aventurar um pouco além deles, em direção ao impossível“.
-Arthur Clarke-

A zona de conforto e o medo

Um dos aspectos mais preocupantes da zona de conforto é que ela é construída em função do medo. O que a pessoa que se instala no contexto das circunstâncias que lhe são familiares busca é, principalmente, sentir segurança. Ela quer reduzir ao mínimo a incerteza e, portanto, demarca um território subjetivo e não sai de lá.

A zona de conforto é configurada a partir do medo. Assim, o objetivo de não sair de lá também é ditado pelo medo. Qualquer coisa que não esteja dentro desse território conhecido é sentida como uma ameaça. O novo, o diferente e o desconhecido são tratados como ameaças. A falsa paz que você experimenta termina quando surge algum imprevisto.

Devido a essa presença latente do medo, muitos pensam que a zona de conforto é, na verdade, uma zona de perigo. E realmente é uma zona de perigo, pois quem se instala ali se torna progressivamente vulnerável, pois a sua segurança e tranquilidade dependem exclusivamente de fatores externos, que podem mudar a qualquer momento.

A falsa paz da zona de conforto custa caro

Além de todos os itens acima, aqueles que permanecem na sua zona de conforto nem ao menos se sentem completamente tranquilos por estarem ali, mesmo que não haja mudanças. Eles são tão dependentes de certas circunstâncias que não é incomum que vivenciem episódios de muita ansiedade e falsas crenças. Embora não corram riscos, eles fantasiam sobre os possíveis problemas que podem ocorrer. Isso causa angústia e acaba com a falsa paz que supostamente deveria prevalecer.

Um preço alto também é pago quando alguém se recusa a atravessar a barreira da zona de conforto. O exemplo mais comum é o do funcionário que odeia o emprego, mas que não o abandona por nada nesse mundo. Certamente, não é reconfortante viver fazendo algo que você não gosta. No entanto, em alguns casos, o medo de enfrentar algo novo e incerto é maior.

Quem se mantém na zona de conforto não está mais tranquilo nem mais feliz. O que eles fazem é criar um esconderijo para lidar com o medo. Com isso, eles não resolvem suas inseguranças; pelo contrário, maximizam a sua intensidade.

A única maneira de superar os medos

A única maneira de superar os medos é enfrentá-los. Todos sabemos disso, mesmo que às vezes tentemos ignorar esse fato. Encarar o medo não é agradável, pelo menos no começo. É algo que nos leva aos nossos próprios limites e que, a princípio, gera sensações que não são nada agradáveis. Sentimos o medo, por um momento, na sua maior intensidade.

No fundo, permanecer na zona de conforto é uma maneira de declarar que nos sentimos incapazes de muitas coisas. É verdade que há muitas coisas que não somos capazes de fazer, porque a realidade nos impõe limites. Não somos capazes de ser imortais ou de prevenir situações que nos causem dor. No entanto, podemos encontrar o caminho para recuperar o equilíbrio.

Quando conseguimos confiar em nós mesmos de uma maneira razoável, os medos retornam à sua verdadeira dimensão. Há também um sentimento de tranquilidade que não se compara a essa falsa paz da zona de conforto, mas a uma melhor expectativa do nosso próprio desempenho. É preciso ter essa confiança para deixar a nossa vida do jeito que queremos, em vez de reduzi-la a um cantinho que nos protege, mas que também nos aprisiona.

Veja a publicação original em: https://amenteemaravilhosa.com.br/a-falsa-paz-da-zona-de-conforto/

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
Esse post foi publicado em Educação, Motivação e crescimento humano, Psicologia e comportamento, Saúde e marcado . Guardar link permanente.

8 respostas para A “zona de conforto” pode ser uma armadilha. Atenção!

  1. Márcia Tauil disse:

    Concordo!👏🏻👏🏻👏🏻

  2. Sandra Fayad Bsb disse:

    Olhe, eu estou atravessando um momento em que a zona de conforto está me fazendo mal. Não escolhi, mas me vi obrigada a entrar em uma rotina doméstica desagradável, tentando me convencer que estou muito bem assim. Esta pandemia me forçou a isto. E ainda não vejo luz no fundo do túnel. Como me movimentar para sair dela? Complicado!

    • JCDattoli disse:

      Amiga Sandra, o que posso dizer é, simplesmente, use a criatividade. E a internet, a tecnologia e as comunicações em geral, por exemplo, estão aí para nos ajudar nessa situação inusitada, de recolhimento e distanciamento social. As aulas online, inclusive para a prática de atividades físicas, são ajudas providenciais. Eu mesmo tenho lançado mão desses recursos com intensidade. A leitura e a música são complementos que também utilizo bastante. E vamos navegando nesse mar diferente. Claro, a força de vontade é requisito indispensável para não ficar na mesmice. E esse ingrediente, pelo que conheço, sei não lhe faltar.
      Forte abraço!

  3. Muito interessante! Particularmente, sempre sinto um bichinho me picando quando entro na zona de conforto. Gosto de mudança. Abraços 🌻

  4. dulcedelgado disse:

    Eu diria que este assunto (um tema sempre actual) é sempre uma “pequena zona de conflito em nós”!
    Mas é do conflito e do atrito que nasce sempre algo…seja confortável ou desconfortável!

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