Espiritualidade e Saúde – avanços da área médica (cardiologia) nessa direção!

Faz bom tempo que venho notando uma crescente de interesse, e focalização das pessoas, para a área do autoconhecimento e da espiritualidade, conforme tenho informado aqui no blog por artigos próprios e por notícias as mais diversas.

Se por um lado, creio, não ser mais razoável duvidar da importância da famosa máxima filosófica “conhece a ti mesmo”, por outro, de maneira firme e crescente, ganham terreno: i) na área profissional, a valorização das chamadas “soft skills”  – habilidades interpessoais que fazem a diferença e têm a ver mais com o nosso nível de inteligência emocional, relacional, atitudinal etc. do que com volume de conhecimento e de inteligência racional – desponta, cada vez mais, como fator de grande diferenciação nos processos seletivos, sobretudo para posições de maior importância, especialmente para cargos de liderança; ii) na saúde em geral, compreendendo as dimensões saúde física, mental e espiritual, já faz décadas que estudos sérios, conduzidos por renomados profissionais da área, afirmam pela existência de correlação positiva entre o nível de fé do paciente (inclui a fé de familiares, amigos etc.) e a aceleração/efetividade da sua cura, mesmo em se tratando de doenças graves e de situações outras de grande complexidade.

Tudo isso tem a ver, de uma forma ou de outra, com a ampla área composta pelas dimensões ‘Autoconhecimento e Espiritualidade’. Como tenho argumentado, com certa frequência, esses fatores devem merecer a nossa dedicada e permanente atenção, pois aí está o nosso grande centro de sustentação e de orientação para uma vida de maior plenitude, harmonia e bem-estar.

Essa compreensão, segundo noticiado, notadamente quanto à importância de aspectos como a fé e a religiosidade em benefício de superação de problemas de saúde física e mental, vem ganhando corpo, ano após ano, na área médica. Não é por acaso que, por exemplo, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, desde o semestre passado, passou a recomendar que os médicos explorem questões da espiritualidade dos pacientes nas suas abordagens profissionais, após reunidas muitas evidências resultantes de diversos estudos científicos ao longo do tempo.

Por conta disso, vou transcrever, a seguir, matéria publicada no portal eletrônico do jornal O TEMPO, em 22/10/2019. Adicionalmente, em reforço, trago ainda link de impactante reportagem de televisão falando sobre o tema, que foi ao ar naquele mesmo período.

A meu ver, são promissores avanços que contribuem para a compreensão do conceito de saúde geral e integral, que podem desaguar em maior equilíbrio emocional das pessoas e que terminam por fazer um mundo mais harmonioso e menos doente. No mínimo, creio que mereça divulgação, pois pode servir como subsídio para que o leitor faça as suas interpretações, tome as suas decisões pessoais e, em essência, siga evoluindo!

Confira:

“Cardiologistas vão abordar a espiritualidade em consultas

Roberto Esporcatte é especialista na área e presidente do Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular (Gemca)

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“A gratidão, a resiliência, a meditação e o relaxamento trazem benefícios à saúde”

Foto: arquivo pessoal

Roberto Esporcatte

Cardiologista

Uma das entidades mais sérias do país, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) criou uma diretriz inédita, recomendando que a espiritualidade seja abordada no atendimento aos pacientes. Quem fala sobre o assunto é o especialista na área e presidente do Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular (Gemca).

No último Congresso Brasileiro de Cardiologia foi apresentada a Diretriz de Prevenção, que destaca a espiritualidade como fator a ser abordado dentro dos consultórios. Como foi o processo para se chegar a essa conclusão?

Em 2012, já conversávamos sobre espiritualidade. Em 2013, foi criado o Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular, dentro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, e o tema passou a ser recorrente em todos os congressos. Começamos a coletar literatura, artigos científicos e publicações sobre o assunto. O grupo não era religioso, no entanto foi crescendo o entendimento de que os pacientes, especialmente aqueles com doenças crônicas, graves, com múltiplas internações e tratamentos desgastantes, têm expectativa de conversar com seu médico sobre seus valores e sua espiritualidade, gerando uma relação com mais empatia e confiança.

Essa é uma lacuna no cotidiano dos médicos?

Os profissionais de saúde perderam essa conexão com o paciente, mas é fundamental consideramos que ele tem suas práticas espirituais, que pertence a uma comunidade religiosa e que sua crença pode interferir no seu relacionamento com a equipe de saúde e fortalecer seu processo de enfrentamento da doença. É preciso entender como sentimentos, como gratidão e perdão, e até mesmo conflitos espirituais afetam sua saúde. Cerca de 80% da população mundial está ligada a alguma religião ou acredita em um poder superior religioso. A fé tem sido identificada como poderosa força mobilizadora na vida de indivíduos e comunidades. No Brasil, 86,7% dos brasileiros se denominam cristãos.

Existem pesquisas nesse sentido?

Há um conjunto de evidências que demonstram forte relação entre espiritualidade, religião, religiosidade e os processos de saúde, adoecimento e cura. Juntos dos aspectos físico, psicológico e social, eles compõem a visão integral do ser humano. Espiritualidade e religiosidade são recursos valiosos utilizados pelos pacientes no enfrentamento das doenças e do sofrimento. O processo de entender qual a relevância, identificar demandas e prover adequado suporte espiritual e religioso beneficia tanto pacientes como a equipe multidisciplinar e o próprio sistema de saúde. A princípio, a anamnese espiritual como parte integrante da história clínica deve ser obtida junto a todos os pacientes que procuram atendimento médico, mas especialmente naqueles internados com doenças graves, crônicas, progressivas ou debilitantes.

Como esse processo vai ocorrer dentro dos consultórios? O que orienta a diretriz da SBC?

Ela reúne questionários que podem mensurar a escala de religiosidade ou valores espirituais dos pacientes e sugere como devem ser as abordagens profissionais. O profissional deve estimular o paciente a esclarecer os aspectos de sua espiritualidade e identificar se isso está contribuindo ou trazendo algum ponto de conflito que pode prejudicar o enfrentamento da doença. A espiritualidade é um conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento intra e interpessoal. A abordagem deve ser feita de forma sensível sem promover a religião ou prescrever orações ou práticas religiosas. Tampouco o indivíduo deve ser coagido a adotar crenças ou práticas específicas.

O que inclui a anamnese espiritual?

Algumas avaliações: importância da espiritualidade ou religiosidade para lidar com a doença, se ela proporciona força, conforto espiritual e paz interior. Avalia a extensão da dor ou sofrimento espiritual, culpa, raiva, tristeza, sentimento de injustiça e medo da morte. É fundamental detectar sentimentos negativos que possam contribuir para o adoecimento ou agravamento do paciente, como mágoa, ressentimento, falta de perdão e ingratidão.

Houve resistência da classe médica em relação à diretriz?

Desde o início dessa discussão houve dúvidas e muita resistência. Muitos médicos não sabem se os pacientes desejam, concordam ou estão abertos a essa abordagem. Houve questionamentos sobre se estariam discutindo religião no ambiente científico, mas hoje a dicotomia entre ciência e religião está cada vez menor. Muitos deles nem sempre conseguem dissociar religiosidade de espiritualidade, há grande superposição de conceitos. Nosso objetivo é trazer a espiritualidade no sentido mais amplo, o da transcendência. A diretriz é fruto de ampla discussão, e o entendimento de diferentes visões nos permitiu chegar até aqui. Destacamos 13 recomendações gerais para se trabalhar com a diretriz. Tudo isso passa pelo bom senso do médico. Um paciente que chega infartando não vai receber esse tipo de abordagem, é claro.

Que evidências científicas nortearam a diretriz?

As taxas de mortes por doenças cardiovasculares por faixa etária estão diminuindo no Brasil, mas o número total de óbitos tem aumentado devido ao envelhecimento e ao adoecimento da população. O Brasil ganhou quase 5 milhões de idosos desde 2012. Eles já somam mais de 30 milhões no total, o equivalente a três vezes a população de Portugal. Pesquisas revelam que níveis elevados de espiritualidade e religiosidade estão associados a menor prevalência de tabagismo, menor consumo de álcool, melhor adesão nutricional e farmacológica no controle do colesterol elevado, da hipertensão arterial, da obesidade e do diabetes.

A meditação foi contemplada?

Em mais de uma centena de estudos analisados e incorporados à diretriz estão relacionados benefícios diretamente ligados à espiritualidade. Um estudo da American Heart Association sobre meditação ressalta a importância da prática para melhorar o controle da pressão arterial, efeitos comparáveis a outras intervenções sobre estilo de vida tais como dieta para emagrecimento e exercício. O documento relacionou benefícios cardiovasculares com a espiritualidade não só na prevenção primária, quando o indivíduo ainda não tem doença cardiovascular. Outro estudo revela efeito direto do perdão no coração de pessoas em contraponto com a raiva. Assim como a gratidão, a resiliência, a meditação e o relaxamento trazem benefícios, como maior adesão aos tratamentos e reabilitação cardíaca mais rápida. 

A jornalista Ana Elizabeth Diniz escreve neste espaço às terças-feiras. E-mail: anabethdiniz@gmail.com

Fonte: https://www.otempo.com.br/interessa/cardiologistas-vao-abordar-a-espiritualidade-em-consultas-1.2252356

Agora, veja vídeo noticiando decisão inédita da Sociedade Brasileira de Cardiologia (clique no link):

https://noticias.band.uol.com.br/jornaldaband/videos/16700864/espiritualidade-e-importante-para-a-saude-do-coracao

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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