‘O que as empresas ganham ao incentivar os funcionários a demonstrarem suas emoções’

O foco hoje é para as emoções nos ambientes de trabalho, como evidência de mudanças reais, já em curso, na forma como as pessoas passam a ser lideradas e cuidadas, com visão que se torna mais individual e humanizada, diferentemente do que se praticava sob antigos paradigmas. Isso é resultado de práticas que ganham espaço em diversas organizações, decorrente de novas percepções e comportamentos das lideranças. Assim, o jeito de liderar vai se adaptando para uma realidade de crescente valorização do fator gente, ainda bem, afastando definitivamente o antigo estilo do “comando e controle”.

Com isso, chefes que pensam (e dizem): “eu não quero saber dos sentimentos/emoções dos funcionários”; “os problemas pessoais têm que ser deixados na porta de entrada”; “aqui é trabalhar, sem muita conversa, pois é para isso que a empresa paga o salário” etc.etc. vêm perdendo a vez, mais e mais. Os talentos de hoje exigem ser ouvidos, valorizados, enxergar perspectivas de desenvolvimento e, sobretudo, desejam acreditar em um projeto (uma causa) para que vistam a camisa e se sintam parte de um desafio maior.

Em tal contexto, sentimentos e emoções passam a ser gradualmente levados em consideração nos ambientes de trabalho. Como uma coisa puxa a outra, a busca por bem-estar nunca esteve tão valorizada como agora se percebe.

Mais ainda, com seguidos avanços na compreensão do funcionamento das organizações do trabalho, a partir de estudos realizados, por exemplo, nos campos da inteligência emocional e da denominada psicologia positiva, sabemos que os fatores engajamento e motivação das pessoas – tirar o maior potencial (“estado de fluxo”) dos colaboradores e, consequentemente, aumentar a produtividade, a performance dos negócios e a sensação de bem-estar – passam por atitudes dos líderes de dar poder, autonomia, confiança, atenção (saber ouvir e se importar), além de capacitar/desenvolver, tudo isso, claro, tendo por contraparte a necessária responsabilização de cada um dos liderados. Novamente, diria que atentar para as emoções está como pano de fundo desse novo ambiente que aflora cada vez mais nas organizações modernas! 

Para ilustrar, como singela amostra dessa nova realidade, veja o atualíssimo artigo abaixo reproduzido, publicado no portal eletrônico da ÉPOCA NEGÓCIOS, dia 9 de maio passado, mostrando o que as novas lideranças estão fazendo com relação às emoções dos seus liderados. O fato é que os líderes dos dias atuais precisam estar permanentemente antenados, dando ouvidos para a realidade vivida pelos seus liderados, para a retenção dos talentos, para o bem das pessoas, do clima organizacional e, mais do que tudo, para a performance da organização.

Portanto, e notadamente para quem exerce, ou pretende exercer, algum tipo de liderança, vale atentar e refletir sobre isso!

Confira:

“O que as empresas ganham ao incentivar os funcionários a demonstrarem suas emoções

Ser autêntico já se tornou a bandeira de algumas companhias

Giulia Silveira e Sergio Furio, da Creditas, lideram um programa na empresa de incentivo à autenticidade dos funcionários (Foto: Anna Carolina Negri)Giulia Silveira e Sergio Furio, da Creditas, lideram um programa de incentivo à autenticidade dos funcionários (Foto: Anna Carolina Negri)

É sagrado. Semanalmente; no mínimo, de 15 em 15 dias, os gestores da fintech Creditas se reúnem com cada um de seus colaboradores. Um a um. Os encontros duram 30, 40 minutos e ninguém está interessado em meta a ser batida, Ebitda ou otimização da performance profissional. Nada disso. O assunto? Vida pessoal. Sim, o líder é todo ouvidos para as alegrias e tristezas, expectativas e frustrações de seus subordinados além escritório. Instituído em 2016, sob o comando de Giulia Silveira, coordenadora de cultura e desenvolvimento, o programa batizado de one a one serve de paradigma para uma revolução na liderança corporativa. As emoções são (muito) bem-vindas ao mundo do trabalho. Agora pode… Pode chorar, rir, esbravejar… E, acredite, os negócios têm muito a ganhar quando seus funcionários estão livres para ser quem são.

Uma das startups mais badaladas do mercado financeiro no Brasil, a Creditas trabalha o pilar da autenticidade desde sua fundação, em 2012. A orientação é do espanhol Sergio Furio, um ex-consultor de grandes corporações na Europa e nos Estados Unidos e que viu na falta de concorrência do sistema bancário brasileiro a oportunidade de empreender.  Tem funcionado. Na área de recursos humanos, é a segunda startup mais bem avaliada pelos empregados na plataforma Love Mondays. Quase todos eles (exatos 96%) classificam a empresa como um bom lugar para trabalhar. Neste quesito, aliás, há um dado interessante. Das cerca de 300 vagas abertas nos últimos meses, cerca de metade foi preenchida por pessoas indicadas pelos próprios colaboradores da fintech. Só faz isso quem está genuinamente comprometido com o trabalho.

Aumentar o engajamento dos funcionários é um dos grandes desafios das empresas nos dias de hoje. Segundo o relatório do Instituto Gallup de 2017, o mais recente sobre o assunto, apenas e tão somente 15% dos empregados em 155 países dizem estar de fato vinculados à organização onde trabalham. E são essas pessoas que, entusiasmadas com o dia a dia no escritório, “se sentem ‘donas’ do negócio, impulsionam a inovação e levam a organização adiante”, resumem os pesquisadores do Gallup, na conclusão do trabalho. Outro levantamento do mesmo instituto, intitulado “Como o envolvimento dos funcionários impulsiona o crescimento”, com 49 indústrias em 34 países, traz um dado revelador: profissionais motivados rendem 25% mais do que seus pares sem estímulo para o trabalho. Se há entusiasmo e motivação, há emoção.

Alguém que não vibre com uma conquista profissional ou que dê de ombros para um feedback negativo, convenhamos, não dá muita bola para o trabalho — o que, definitivamente, é um atraso para os negócios, em todos os aspectos. A canadense Liane Davey, especializada em psicologia organizacional, é um dos principais nomes no estudo do impacto das emoções no trabalho. Escritora e cofundadora da consultoria 3cCOze, no artigo “Lidando com explosões emocionais em sua equipe”, Liane derruba velhos mitos. São eles:

Trabalho não é lugar para demonstrar emoções
Se você trabalha com seres humanos, tem de lidar com emoções. Ignorá-las, sufocá-las ou invalidá-las apenas jogará para debaixo do tapete questões que devem ser reveladas e debatidas. Essa noção ultrapassada, escreve Liane, é uma das principais razões pelas quais as pessoas assumem um comportamento passivo-agressivo. Não tem jeito. As emoções encontrarão um jeito de vir à tona.

É desperdício de tempo conversar sobre os sentimentos dos funcionários
E você tem tempo para lidar com subterfúgios? Para voltar a uma mesma questão várias vezes? E para decisões baseadas em erros? Evitar os problemas emocionais da equipe, alerta a psicóloga, só retarda sua manifestação. É preciso dar vazão às emoções. Quando as pessoas não se sentem ouvidas, elas costumam guardar seus sentimentos até o momento em que, frustradas e exauridas emocionalmente, explodem.

As emoções distorcem as tomadas de decisão
Não há decisão sem emoção envolvida. É mais prudente permitir que ela se manifeste de modo a compreendê-la e dominá-la do que mantê-la escondida. Mais cedo ou mais tarde, em algum momento essa emoção virá à tona. Quanto antes lidar com ela, melhor.

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2019/05/o-que-empresas-ganham-ao-incentivar-os-funcionarios-demonstrarem-suas-emocoes.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=post

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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3 respostas para ‘O que as empresas ganham ao incentivar os funcionários a demonstrarem suas emoções’

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  2. dulcedelgado disse:

    Este tema é muito interessante, mas…”com conta, peso e medida”, como se diz por aqui.
    Esta frase do texto “O assunto? Vida pessoal. Sim, o líder é todo ouvidos para as alegrias e tristezas, expectativas e frustrações de seus subordinados além escritório.” faz-me alguma confusão.
    Obviamente que cada um dos colaboradores apenas falará aos gestores do que quer durante essas entrevistas bi-mensais de índole puramente pessoal, mas sinto isto como algo muito intrusivo. Parece mais um “confessionário”…
    Este tipo de reuniões são importantíssimas quando se centram na parte profissional e, indirectamente também na pessoal.
    Sendo eu fruto de uma geração mais recatada/discreta, e bem diferente da “visibilidade” que agora as redes sociais proporcionam, este assunto daria certamente para uma longa conversa.

    • JCDattoli disse:

      Entendo suas ponderações. Diria que, com a chegada das gerações mais novas, das pessoas nascidas a partir da década de 1980, as relações de trabalho passam por constantes adaptações, notadamente no campo da comunicação/interação, o que inclui necessidades de feedbacks mais frequentes. E observo que os líderes de agora, muitos dos quais dessas gerações, vêm trazendo esses novos métodos e quebrando determinados paradigmas. Mas, claro, cabe ao líder (gestor) perceber se tais iniciativas causam algum desconforto para alguém. A disposição para ouvir questões de sentimentos, pessoais etc. tem que ser cuidadosa e nunca aplicada de forma mandatória. Assim espero/entendo.
      Grato pelo comentário!

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