A IMORTALIDADE DA ALMA (bela crônica de José Paes Landim)!

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Volto hoje com mais uma crônica do escritor e amigo José Paes Landim, intitulada A Imortalidade da Alma, publicada semana passada, dia 27/11, no tradicional Jornal A Tarde, da Bahia.

Bem a seu estilo, na tônica de trazer reflexões sobre bons princípios éticos, sobre  moralidade, maturidade e bem viver, Landim enfatiza o marcante exemplo deixado pelo filósofo Sócrates, nos últimos momentos da sua existência, que se deu no ano 399 a.C.

O autor, que já chegou à marca dos 90 anos, segue, para a satisfação dos seus familiares e amigos, disposto e ativo, com regular produção intelectual, e inspirando a todos nós que pensamos e falamos sobre longevidade. Ele é cronista para o referido jornal e autor de dois livros, com um terceiro já a caminho.

Curta esta bela crônica: 

A IMORTALIDADE DA ALMA

José Paes Landim*

Vez por outra a história nos faz reviver fatos chocantes,
embora deles se colham, por vezes, lições de grandeza, a exemplo da que nos passa o grande filósofo Sócrates nos seus dias finais, num dos momentos mais críticos de sua vida, quando vivia em sua Athenas, a construir, para a posteridade, Templos de Sabedoria, edificados nos ensinamentos que formavam a base da filosofia ocidental.
Por motivos políticos, segundo Platão, Sócrates, um dos
maiores sábios de todos os tempos, foi preso e condenado à morte por envenenamento. E aí começa o calvário não para ele, mas para seus amigos, que, não se conformando com tamanha iniquidade, moveram céus e terra para preservar-lhe a vida.
Assim, amigos e discípulos, conseguiram subornar o carcereiro, para que facilitasse a fuga do prisioneiro, o que foi motivo
de alegria para eles, menos para abalar a paz de espírito e a
tranquilidade com que Sócrates aguardava o dia em que iria beber o veneno mortífero.
Críton, o mais ardente dos seus discípulos, entra na cadeia
e pede ao mestre que fuja depressa. Amanhã vão te matar, quando terás que beber a taça de cicuta mortal. Vamos, foge Mestre, disse-lhe Criton mais uma vez, pois que aberta estava a porta da prisão, ao que Sócrates lhe teria dito que “era melhor morrer com honra, ao fugir e viver desmoralizado”.
Sócrates, tratando Criton de caro amigo, condena-o como
mau filósofo, ao pensar que um pouco de veneno pode matá-lo.
Ninguém pode matar Sócrates, reforçando que o invólucro material é que eles vão matar, não Sócrates,
Quanta verdade a iluminar tão bela lição de grandeza,
que, junto às demais no campo filosófico do saber, fizeram-no mais vivo do que antes, a despeito dos mais de vinte séculos da morte do seu corpo, chamado por ele de invólucro material.
Vê-se que a morte só existe para os que se perderam na
maldade e mesquinhez dos seus atos, para os pobres de espírito, jamais para os altruístas, para os que souberam ser grandes em si, nos seus ideais e nas suas ações, em nome de um mundo melhor, e, mais do que isso, nunca para os que souberam, como Sócrates, construir Templos de Sabedoria.
Que se levante um brinde a todos quantos, no passado,
tiveram gestos de magnitude, na defesa dos valores que dignificam a vida, moldando o mundo nos sentimentos do amor, bem como aos que, hoje, nos contemplam com os mesmos gestos de grandeza, mercê dos quais se vê tão carente nosso país, pela profundidade de sua crise moral, tolhendo-lhe o direito de alcançar o desenvolvimento.
Que nos sirvam de reflexão as lições que nos passam os
grandes mestres do saber, como a deixada por Sócrates de que “era melhor morrer com honra, ao fugir e viver desmoralizado”.

*José Paes Landim – é cronista, aposentado do Banco Central do Brasil e autor dos livros “Resgate de um débito” e “Fragmentos do tempo: na voz do Rio Preto”.

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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