“Paul Watzlawick e a teoria da comunicação humana”

“a comunicação falha, basicamente, quando as pessoas não conseguem se afastar de seu próprio ponto de vista”

Vez por outra trato aqui sobre a importância da comunicação, seja nas relações pessoais e profissionais. Falamos da boa comunicação, do saber falar e saber ouvir, da comunicação escrita, verbal, corporal, da comunicação consciente, calorosa, persuasiva, e mais recentemente da comunicação não-agressiva. Não resta dúvida, diante disso e de muito mais, que a comunicação exerce papel significativo no contexto das relações humanas.

A esse respeito, selecionei para hoje artigo muito interessante, publicado em novembro passado no site A Mente É Maravilhosa, trazendo a teoria da comunicação humana do psicólogo austríaco Paul Watzlawick. Com argumentação clara e convincente, o psicólogo (já falecido), grande autoridade no assunto, apresenta diversos pontos que podem lhe ser úteis, cabendo assinalar que essa sua teoria trouxe contribuição para a terapia familiar, segundo informado no texto. 

Desejo-lhe uma boa leitura e que, conhecendo tais informações e dicas, tire bom proveito para o aprimoramento da sua habilidade de comunicação.

A seguir:

“Paul Watzlawick e a teoria da comunicação humana

Teoria da comunicação humana

De acordo com a teoria da comunicação humana do psicólogo austríaco Paul Watzlawick, a comunicação desempenha um papel fundamental nas nossas vidas e na ordem social, embora não estejamos conscientes disso. Mesmo sem perceber, desde o início da nossa existência, participamos do processo de aquisição das regras de comunicação imersas nos nossos relacionamentos.

Pouco a pouco, aprendemos o que dizer e como fazê-lo, bem como as múltiplas formas de comunicação que existem no nosso dia a dia. Parece incrível que um processo tão complexo passe despercebido e se torne automático quase sem esforço consciente. A verdade é que, sem comunicação, o ser humano não poderia ter avançado ou evoluído para o que é agora. Mas, quais são os segredos da comunicação que nos permitem nos relacionarmos uns com os outros e que, apesar da sua importância, não levamos em consideração?

“Você não pode não se comunicar”.
– Paul Watzlawick –

Paul Watzlawick e a sua visão da comunicaçãoPaul Watzlawick e a sua visão da comunicação

Paul Watzlawick (1921-2007) foi um psicólogo austríaco, reconhecido internacionalmente pelo seu livro “A arte de amargar a vida”, publicado em 1983. Ele fez doutorado em filosofia, se formou em psicoterapia no Instituto Carl Jung de Zurique e foi professor na Universidade de Stanford.

Watzlawick, juntamente com Janet Beavin Bavelas e Don D. Jackson do Instituto de Pesquisa Mental de Palo Alto, desenvolveu a teoria da comunicação humana, a pedra angular da terapia familiar. Nela, a comunicação não é explicada como um processo interno que surge do indivíduo, mas como o resultado de uma troca de informações que se origina em um relacionamento.

Assim, através dessa perspectiva, o importante não é tanto a maneira como nos comunicamos e se isto é consciente ou não, mas como nos comunicamos no aqui e agora e de que forma influenciamos uns aos outros. Vejamos quais são os princípios fundamentais em que a teoria da comunicação humana se baseia e quais são as lições que podemos aprender com eles.

Os 5 axiomas da teoria da comunicação humana

1 – É impossível não se comunicar

A comunicação é inerente à vida. Com este princípio, Paul Waztlawick e seus colegas queriam dizer que todo comportamento é uma forma de comunicação em si mesmo, tanto de forma implícita quanto explícita. Mesmo “ficar em silêncio” traz uma informação ou mensagem, por isso é impossível não se comunicar. A não comunicação não existe.

Mesmo quando não fazemos nada, verbalmente ou não, estamos transmitindo algo. Talvez não estejamos interessados ​​no que nos dizem ou simplesmente preferimos não comentar. O ponto é que há mais informações na “mensagem” do que nas palavras.

2 – A comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de relação (metacomunicação)

Isto significa que em todas as comunicações, não só o significado da mensagem em si é importante (nível de conteúdo), mas também é importante como a pessoa que fala quer ser entendida e como pretende agir para que os outros a entendam (nível de relação).

Quando nos relacionamos, transmitimos informações, mas a qualidade do nosso relacionamento pode dar um significado diferente a essa informação.

Teoria da comunicação humana

Assim, o aspecto do conteúdo corresponde ao que transmitimos verbalmente enquanto o aspecto de relação se refere à forma como comunicamos essa mensagem, ou seja, o tom da voz, a expressão facial, o contexto, etc. Dependendo do nosso tom ou expressão, a mensagem será recebida de uma forma ou de outra.

3 – A pontuação dá significado de acordo com a pessoa

O terceiro axioma foi explicado por Paul Watzlawick como: “A natureza de uma relação depende da intensidade das sequências comunicacionais entre as pessoas”. Com isso, ele quis dizer que cada um de nós sempre constrói uma versão própria do que observa e experimenta e, dessa forma, define o relacionamento com as outras pessoas.

Este princípio é fundamental quando se trata de relacionamentos e devemos manter isso em mente sempre que interagimos com alguém. Toda a informação que nos chega é filtrada com base nas nossas experiências, características pessoais e aprendizado, o que faz com que um mesmo conceito, como por exemplo, amor, amizade ou confiança, tenha significados diferentes.

Além disso, outro aspecto fundamental da comunicação é que cada interlocutor acredita que o comportamento do outro é a causa do seu comportamento, quando na verdade, a comunicação é um processo muito mais complexo que não pode ser reduzido a uma simples relação de causa e efeito. A comunicação é um processo cíclico no qual cada parte contribui de forma singular para a moderação do intercâmbio.

Teoria da comunicação humana

4 – Modo digital e modo analógico

Da teoria da comunicação humana, postula-se que existem duas modalidades:

  • Modo digital. Isso se refere ao que é dito através das palavras, que são o veículo da comunicação.
  • A arte de amargar a vidaInclui a comunicação não-verbal, ou seja, a forma como nos expressamos, que é o veículo da relação.

5 – A comunicação simétrica e complementar

Finalmente, com este axioma, pretende-se dar importância à maneira como nos relacionamos com os outros: algumas vezes sob condições de igualdade, enquanto outras a partir das diferenças.

Quando temos um relacionamento simétrico, avançamos no mesmo plano, isto é, temos condições de igualdade e um poder equivalente na troca, mas não nos complementamos. Se o relacionamento é complementar, como por exemplo, nas relações entre pai e filho, professor e aluno ou vendedor e comprador, estamos em condições desiguais, mas aceitamos as diferenças e, assim, possibilitamos a conclusão da interação.

Se levarmos em conta esses princípios, chegaremos à conclusão de que, em todas as situações comunicativas, precisamos prestar atenção ao relacionamento em si mesmo, isto é, na maneira de interagir entre as pessoas que se comunicam e não tanto no papel individual de cada uma delas.

A comunicação é um processo muito mais complexo do que imaginamos com uma série de aspectos implícitos que aparecem no dia a dia dos nossos relacionamentos.

Veja a publicação original em: https://amenteemaravilhosa.com.br/teoria-da-comunicacao-humana/

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
Esse post foi publicado em Motivação e crescimento humano, O ser humano no contexto das organizações, Psicologia e comportamento. Bookmark o link permanente.

2 respostas para “Paul Watzlawick e a teoria da comunicação humana”

  1. dulcedelgado disse:

    Sendo a comunicação uma “acção… comum” deveria ser sempre “partilhada”. Porém, nem sempre ela acontece equilibradamente. Daí…
    …tudo o que possamos ler para estarmos mais atentos e conscientes desse acto é sempre importante. Como ler este artigo, por exemplo!

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