“Pra você tiro o chapéu” – Um belo texto!

Para uma leitura relaxada e sem maiores “compromissos” neste começo de semana, reproduzo um texto com inteligente analogia sobre o desejo, o chapéu e a vida, escrito por Cristileine Leão e publicado no seu blog Poesia com Depressão.

Uma curta e leve trama, envolvente e instigante. De tirar o chapéu!

Curta a seguir:

Pra você tiro o chapéu.

Ainda falando sobre o querer, percebi que ele mora no mundo do desejo e o desejo não é só desejar, nascemos desejantes de leite e de ar, alimento, abrigo e amigos.

Todo desejo seja ele por prazer e/ou necessidade se transforma num querer. Quero logo existo, quero logo desisto.

Esse tal desejo mora na casa do chapéu. Observei que muitos usam chapéu de enfeite, outros para se proteger do sol e a maioria nem usa chapéu.

Não adianta rejeitar o desejo porque ele respira e se alimenta de você.

Andei muito tempo procurando meu chapéu preferido, uns me serviram por muito tempo, então cresci e eles não serviam mais; outros logo perderam a forma; lembro daquele que odiei mas ainda assim usei, eu usei e fui usada; hoje faço parte da turma sem chapéu, mas quem já usou o belo, digo o chapéu, jamais esquece. Sempre falta algo em cima.

O fato é que cansei de procurar chapéu, cheguei a ponto do desejo por ele morrer, mas descobri que a arte da chapelaria renasce, nunca tem fim.

Um viva ao querer que põe o chapéu na cachola!

Fico pensando no monte de bocas desejantes que eu encontro todos os dias nas ruas, elas não falam seu querer, elas exageram no seu querer, elas não sabem o seu querer, elas reclamam “não fui eu quem quis assim.”

O fato é que o desejo te deseja do primeiro ao último respirar.

Também acho que o domínio do desejo, o famoso equilíbrio, é um querer completamente infundado, se o desejo mora na casa do chapéu nem a ciência e nem a religião vão lhe dominar.

Ainda assim precisamos de regras, formas e formatos, para nos adaptamos nesse mundão, para nós sentirmos adequados no caos.

Pais de crianças pequenas sabem que elas perdem chapéus facilmente. Duro é ver um jovem pisar no próprio chapéu, pior ainda ver um idoso com o chapéu para cima nas esquinas da vida.

Eu já sou adulta, e o que esperam dos adultos? Que tenham todo o saber, que domine a arte da chapelaria e que saibam produzir cada vez mais, sem perder energia. Que sirvam de exemplo e que acima de tudo não abandonem o chapéu. Pensando bem, os adultos carregam o estigma do chapéu dourado…

Os animais não usam chapéu, exceto o homem, onde será que eles colocam suas inquietações?

Tudo o que eu escrevo são divagações diante da moleira da Terra, se você está lendo é porque tem uma cabeça para colocar o chapéu, ou não, sua decisão.

Antigamente só os homens podiam usar chapéu, hoje tem tanto chapéu de madame por aqui!

Bom mesmo é ter á cabeça livre. Mas não, não somos livres, até que podemos fazer bastantes escolhas, mas, a cabeça maior é maior que a moleira da Terra.

E quando você se for, algo ou alguém vai ficar por aqui desejando você, pode crer.

Seja qual for o modelo de chapéu que usamos chamar de eu: panama, mexicano, cowboy, fedora, coco, floppy, clochê, boina, palha, mágico, bruxa, chef, aviador, cangaceiro, policial, duende, marinheiro, fada… um dia eles todos caem e a vida continua em moda.

Realmente temos que tirar o chapéu para a vida, e colocar diante dela.

Fonte: 

Pra você tiro o chapéu.

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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