Valorização do capital humano: o fator confiança é muito mais significativo do que muitos líderes imaginam!

Publico hoje mais um artigo autoral, voltando à temática do funcionamento das organizações e, em particular, enfatizando a atuação das lideranças com vistas à valorização dos colaboradores, dando destaque para o ‘fator confiança’. Leiam a seguir:

Valorização do capital humano: o fator confiança é muito mais significativo do que muitos líderes imaginam!

Resultado de imagem para a importância do capital humano como diferencial competitivo Imagem: Administradores Premium

Definitivamente cuidar do fator humano vem ganhando prioridade nas estratégias organizacionais

Sabidamente, as pessoas nos ambientes de trabalho usam as suas máscaras e isso faz sentido. São estratégias utilizadas, naturalmente, no contexto da autopreservação dos interesses individuais. É claro que alguns o fazem de forma mais acentuada do que outros. Entretanto, cada um tem a sua máscara, ou mais de uma, significando que convive com suas desconfianças e até mesmo com agendas ocultas. Ninguém se iluda. É assim que o ser humano, em sua evidente complexidade, funciona!

Combinando essa constatação com um quadro atual de alta rotatividade nos postos de trabalho, de inquietação (e insatisfação) turbinado pelas características das gerações mais novas, o cenário, por certo, não é dos mais confortáveis. Com efeito, pesquisas apontam que 72% das pessoas estão insatisfeitas com a carreira e apenas 13% dizem gostar do que fazem em seu emprego (pesquisa Gallup com 224 mil trabalhadores de 132 países – revista EXAME, 18/1/2017). Como agravante, mais da metade dos ocupantes de cargos gerenciais pretendem mudar de empresa nos próximos dois anos. Isso pode ser reflexo de diversos fatores, mas, fundamentalmente, sugere que a gestão e o clima organizacional estão insatisfatórios!

Vê-se, por conseguinte, que há muito a fazer para tornar os ambientes corporativos mais agradáveis e capazes de promover a realização dos colaboradores e, consequentemente, sua retenção nas organizações, até porque, pragmaticamente, esses são fatores que contribuem diretamente para a produtividade. Em tal contexto, é crucial que os líderes se apliquem em promover a melhoria do nível de satisfação e de engajamento dos integrantes das suas equipes.

A esse respeito, pesquisas vêm demonstrando que um dos principais fatores de satisfação (com impacto na motivação) dos trabalhadores é a confiança. Além de buscarem equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal (a demanda por qualidade de vida está cada vez mais em alta), os profissionais de hoje precisam perceber que estão entre pessoas confiáveis, a começar pelos seus chefes.

Amarrando as pontas, as pessoas tiram as tais máscaras e melhoram o desempenho quando se sentem seguras nos relacionamentos. É assim nas relações sociais e no trabalho não é diferente. Confiança, em especial, é requisito basilar para times de elevada performance ao longo do tempo. Cabe enfatizar que os líderes têm papel crucial em todo esse contexto, até mesmo pela posição que ocupam e, naturalmente, por serem influenciadores e servirem de espelho, de exemplo para os colaboradores.

Diante dessa realidade, a questão é:

O que os líderes precisam fazer para inspirar mais confiança, engajar e motivar cada colaborador e as suas equipes?

Aqui vão algumas dicas de atitudes que, comprovadamente, fazem a diferença, promovem a coesão dos times, contribuem para a melhoria do clima organizacional, do desempenho dos colaboradores e, em consequência, para a obtenção de resultados superiores:

1– Demonstre que você se importa com as pessoas e que quer ouvir o que elas pensam O segredo aqui é: dê abertura, mostre-se acessível, busque aproximação. Os colaboradores gostam de perceber que o líder (chefe?) é parte da equipe. Treinar e colocar em prática a habilidade da empatia é fundamental. Uma coisa simples que aprendi, desde os anos 1980, é que ouvir as dúvidas e questionamentos, e respondê-las para todo mundo ouvir, é uma das mais poderosas estratégias de liderança. Vi essa atitude ser aplicada, na prática, por um líder regional da autarquia na qual trabalhava. Aquela iniciativa fora do habitual, e sem dúvida corajosa para a época, foi marcante e decisiva. Mudou completamente as relações, o nível de confiança, admiração, respeito etc. Procurei incorporar tal prática no arsenal das minhas “armas” como líder, desde então, sempre convencido de que funcionava.

Agora, com satisfação, observo que essa prática está sendo adotada em larga escala por líderes de grandes organizações mundiais, com enorme sucesso, por permitir ouvir e falar regularmente com os colaboradores – o calendário dos encontros é divulgado para todos – dos diversos escritórios, plantas e localidades ao mesmo tempo. Essa estratégia, com tamanha amplitude, está sendo possível graças aos recursos tecnológicos hoje disponíveis. Segundo matéria da revista EXAME, esse é um diferencial do atual diretor executivo (CEO) da gigante Microsoft, o indiano Satya Nadella. Prática semelhante foi implantada, com êxito, pelo presidente da Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka, conforme matéria da revista VOCÊ S/A deste mês.

2 – Fale de sentimentos – Quem fala apenas de coisas específicas do trabalho, sobre fatos, processos, projetos etc., deixando de explorar sentimentos e emoções, passa facilmente a ideia de que é frio, de que não é humano e de que quer se manter distante. Isso contraria a lógica da inteligência emocional, de que o que faz as pessoas se movimentarem é a emoção. O emocional aciona gatilhos que levam à ação. Esse é um fator que inspira confiança e que contribui para que as pessoas tirem as suas máscaras, diminuindo ou até zerando o nível de desconfiança.

3 – Honre as suas promessas – Quem age dessa forma passa confiança. E a confiança, como dito anteriormente, é fator que aumenta o engajamento dos colaboradores e fundamental para se exercer influência e para o desenvolvimento de times de alta performance. Portanto, quem exerce liderança não deve quebrar compromissos assumidos. Pode custar muito caro.

4 – Demonstre consistência – Mantenha comportamento previsível, estável e evite a tudo custo demonstrar padrão comportamental dúbio e com freqüente instabilidade.

5 – Coloque o relacionamento interno como uma das principais prioridades da sua agenda diária – Este é possivelmente o maior aprendizado que você pode tirar dos líderes corporativos de sucesso, entre os quais foi destaque o lendário Jack Welch, na “GE”: Para tanto, exercite a escuta ativa, seja atencioso, acessível e não abra mão do seu papel de “líder coach”, ou seja, de quem tem genuíno compromisso com a evolução dos liderados (ver meu artigo sobre o tema – https://obemviver.blog.br/2017/01/23/leader-coach-um-estilo-de-lideranca-para-ser-praticado/).

Assim, esteja por perto das pessoas, incentive, saiba ouvir, procure ajudar, identifique e desenvolva os talentos. Essas são tarefas próprias dos verdadeiros líderes. Não resta dúvida de que você terá muita coisa importante para fazer, inclusive a necessidade de solucionar questões emergenciais e atender a demandas que transcendam a sua própria área. Mas procure se vacinar para não cair na mesmice que afoga muito executivo por aí afora. Eles se perdem pelas entranhas das rotinas, com reuniões sucessivas e com a execução de tarefas que poderiam ser feitas por outros. Ao contrário disso, a conscientização que, felizmente, está sendo fortalecida agora, é a de dedicar tempo significativo na agenda diária para cuidar de gente, dos talentos, pois é isso que, ao final, fará a grande diferença e assegurará o êxito das estratégias e da organização.

Cuidar do mais importante, é óbvio!

Esse conjunto de atitudes e cuidados com as pessoas fazem a boa transformação, não tenho dúvida. Somente assim os colaboradores retirarão as suas máscaras, por se sentirem mais confiantes e identificados com a causa organizacional. E o segredo é simples: eles sentirão confiança no seu líder!

Dessa maneira, pelo exemplo em cascata, cada um contribuirá para que o nível de confiança geral no âmbito do time aumente. Se você ainda não está convencido, saiba que todos os atuais movimentos de transformação das estruturas e modos de funcionamento das organizações, inclusive com ênfase na agilidade da ação e no incremento da inovação corporativa, estão fortemente centrados no fator humano. Parece óbvio, mas não é assim que acontecia. Não custa repetir que, no frigir dos ovos, são as pessoas que fazem o sucesso ou o fracasso em qualquer organização!

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
Esse post foi publicado em Liderança, O ser humano no contexto das organizações. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Valorização do capital humano: o fator confiança é muito mais significativo do que muitos líderes imaginam!

  1. Jose Paes Landim disse:

    Nota dez a tão inteligente, aguçado, pertinente e simplesmente enriquecedor comentário, pelo que, ficam aqui nossos mais sinceros Parabéns.

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