“Um mundo de informações velozes e pessoas tristes” – Fique de olho!

Replico hoje o excelente artigo de Eduardo Moreira, publicado no portal EXAME.com/Blog Eduardo Moreira, trazendo oportuna – e providencial – reflexão sobre o momento em que vivemos, de gigantesco volume de informações, de leitura cada vez mais superficial e de decisões em alta velocidade, em que impera a falta de tempo para ampliar o foco sobre determinada coisa/assunto, pois, conectados e bombardeados, estamos tomados por um crescente número de coisas/assuntos concorrentes.

Nesse ambiente, o texto alerta, mais objetivamente, para as armadilhas que aparecem, sempre muito rapidamente, das soluções mágicas, das promessas de sucesso garantido e/ou em prazo curto etc. Mais ainda, procura despertar o leitor para a necessidade de estarmos atentos, de não perdermos a velha e boa paciência, como anteparo para possíveis frustrações e para a tristeza.

Vale aí, portanto, uma boa leitura e reflexão!

“Um mundo de informações velozes e pessoas tristes

Pessoas posam com celulares em frente a uma projeção de logo do YouTube em ZenicaYOUTUBE: As coisas continuam demorando para dar certo, muito mais do que 7 segundos / Dado Ruvic/ Reuters

Vivemos em um mundo assustadoramente veloz. As informações nos chegam cada vez mais rapidamente e em uma quantidade avassaladora. Estima-se que uma pessoa “conectada” receba atualmente mais informações em um dia do que seus antepassados recebiam durante toda uma vida. Mas não é só o acesso a informação que foi democratizado, a produção dela também foi.

Com um smartphone à mão e uma idéia na cabeça, o mundo passou a ter um contingente de bilhões de repórteres e jornalistas, a maioria deles sem qualquer compromisso com a verdade ou com as consequências daquilo que publica. E é esse mundo, em que as informações e notícias são consumidas com cada vez menos profundidade de análise, que está deixando as pessoas cada vez mais ansiosas e frustradas.

Há algumas décadas as pessoas eram capazes de manter sua atenção focada por quase uma hora, em média, num mesmo assunto antes de perder-se em outros pensamentos. É por isso que as aulas dos colégios, das faculdades, as palestras e as sessões de terapia têm essa duração. Com a avalanche de informações e o aumento do custo de oportunidade de fixar a atenção em uma só coisa – e perder uma infinidade de outras coisas que acontecem enquanto isso – esse tempo foi diminuindo. Hoje, estima-se que seja de cerca de 8 segundos apenas. Não é coincidência que as propagandas do Youtube demorem 7 segundos (em um de seus modelos mais populares à venda para anunciantes).

Nesse mundo, chocar ou prometer milagres já nas primeiras linhas de um anúncio ou nos primeiros segundos de um vídeo parece ter se tornado a estratégia mais utilizada para fisgar as pessoas. E é por isso que as “fórmulas de lançamento” que prometem deixar as pessoas ricas em uma semana, os produtos de beleza que acabam com celulites ou rugas em poucos dias, e os cursos de idiomas que te fazem fluente em poucas semanas são o hit do momento. Ótimos somente para quem os vende.

Do outro lado do balcão estamos nós, os consumidores. Que fazem à risca o que mandam as fórmulas anunciadas e, contrariando nossas esperanças e expectativas, seguimos colecionando fracassos atrás de fracassos em nossos negócios, rugas e mais rugas em nossos rostos, e mal conseguimos pedir um Big Mac sem picles em inglês após dois meses de curso.

Pior ainda, somos bombardeados com os raros casos de pessoas que deram certo usando estes métodos ditos “milagrosos”, veiculados a torto e a direito pelos charlatões de plantão, e passamos a achar que o problema somos nós (e não essas levianas promessas). Nos deprimimos, humilhamos e escondemos do mundo, convictos que somos um erro e nossas vidas um desastre sem solução.

Mal sabemos que o fracasso continua sendo a regra e o sucesso, a exceção. Mesmo para os que seguem à risca as fórmulas milagrosas. A verdade é que estas pessoas não têm nada de errado além do fato de acreditar que os resultados passaram a acontecer na mesma velocidade das informações que os prometem. As coisas continuam demorando para dar certo, muito mais do que 7 segundos.

Na verdade, com uma competição muito maior e barreiras de entrada quase inexistentes, a maior parte dos negócios passou a ser mais difícil e não mais fácil de dar certo. Dar certo será sempre o resultado de errar, errar, errar, até se exaurir todas as possibilidades que não dão certo e só sobrar a que funciona. Para isso é preciso resiliência e paciência, características cada vez mais raras nesse nosso mundo frenético e imediatista.

As flores seguem nascendo na primavera, o sol ainda se põe uma vez por dia e os bebês continuam passando nove meses dentro das barrigas de suas mães antes de nascer. Para dar certo no mundo de hoje, você ainda vai ter que fazer muito e esperar mais ainda. A não ser que queira enganar os outros vendendo as suas fórmulas milagrosas (que não funcionaram para você).

Fonte: http://exame.abril.com.br/blog/eduardo-moreira/um-mundo-de-informacoes-velozes-e-pessoas-tristes

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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