Nossos filhos terão ‘trabalhabilidade’ em 2030?

Várias revoluções estão em curso e impactarão – até radicalmente – a nossa forma de viver em muitos sentidos. Mudança é uma constante, só que elas virão cada vez mais rápido. Com isso, o que é bom hoje pode nem existir daqui a uma década! 

Por exemplo, como estamos vivendo mais e a pirâmide etária está se invertendo, os agentes econômicos e os gestores públicos e privados têm que encontrar respostas para o adequado atendimento de uma população idosa que cresce vertiginosamente e que não quer ser deixada à margem, recusando-se a ser mera espectadora dos acontecimentos. Ao contrário, a massa de longevos, cada vez mais ativos, quer dar o tom, conhecer novidades, quer experimentar novos hábitos, fazer coisas diferentes, ter autonomia e com bastante potencial para consumir, tudo isso graças aos avanços da ciência e da tecnologia, que vêm proporcionando crescentes novidades nas áreas de nutrição, de esportes e atividades físicas em geral e, sobretudo, na medicina preventiva e curativa, com seus seguidos ganhos de precisão e efetividade. Muito ainda assistiremos com o avanço da nanotecnologia, da biomedicina etc.

Mas quero hoje dar ênfase para outra revolução, igualmente de grande impacto social, que começa a ocorrer no mundo do trabalho. O que já observamos, e o que indicam todas as tendências para futuro próximo, por inúmeros fatores, é que acontecerá substancial transformação nos requisitos, na forma como trabalhamos e nos modelos de funcionamento das organizações vistos até aqui. Ao contrário, assistiremos a novas exigências  em termos de talentos e habilidades, a profundas transformações na arquitetura organizacional, nas hierarquias e nos estilos de liderança. Algumas perguntas já estão no ar: Quais profissões resistirão? Quais estarão valorizadas daqui a dez anos? …

Por conta dessa toada, reproduzo o provocativo e bem escrito artigo de Luciana Allan, postado no LinkedIn, que a meu ver merece atenção para já, falando a respeito do que seria uma adequada educação das crianças e jovens de hoje para chegar preparados para a realidade profissional em 2030. 

Temos aí, portanto, um desafio endereçado mais diretamente aos educadores mas, convenhamos, que tem a ver com cada um de nós. Leia a seguir, reflita e leve essa discussão adiante!

“Nossos filhos terão ‘trabalhabilidade’ em 2030?

               Crédito: http://www.robertegger.org/wp-content/uploads/2013/08/Life_In_2030_Logo_small.jpg

(Luciana Allana – Diretora do Instituto Crescer para a Cidadania).

Como você educador pode promover oportunidades de aprendizagem significativa, desenvolver competências para o Século XXI, implementar metodologias inovadoras, repensar o tempo e os espaços escolares e fazer uso de REAs (Recursos Educacionais Abertos)?

O Instituto Crescer participou do BETT, o maior evento de tecnologia e educação da América Latina, e convidou o público a compartilhar suas ideias sobre estas questões escrevendo post-its que foram colados a um mural para fomentar o debate.

(Sou fã e heavy user de tecnologia, mas post-its e murais continuam funcionando super bem 😉

Depois de mergulhar nos pensamentos dos educadores que visitaram nosso stand, selecionei 5 visões para analisar com vocês, leitores, sob a ótica das grandes transformações pelas quais o mundo dos negócios já está passando e os impactos tecnológicos que continuarão demandando o nascimento de novos profissionais, cada vez mais distantes da revolução agrária e industrial e mais próximos da revolução digital.

Mas antes de enumerá-las, cabe uma reflexão. Nossos filhos estarão prontos para 2030? Nossas escolas estão formando profissionais para trabalhar em uma sociedade totalmente diferente da construída na era industrial?

Não me venham dizer que estamos a ‘somente’ 13 anos de chegar lá. Pare e pense o quanto assistimos de disrupções no modo em que vivemos, nos relacionamos, consumimos, estudamos e trabalhamos desde o início dos anos 2000, quando a Internet começou a invadir nossas vidas.

Apesar deste futuro estar tão perto, e diria já tão presente, nossas escolas ainda insistem em manter um modelo que prepara o aluno a seguir uma carreira linear, focada em uma única área de conhecimento e onde as habilidades técnicas são mais importantes do que as habilidades sócio-emocionais e a capacidade de criar e inovar.

Basta olhar pela janela da sala de aula para rapidamente perceber que o mundo não é mais o mesmo e o modelo pedagógico adotado na escola pré-revolução digital não faz mais nenhum sentido com o desenrolar da economia global catalisada pelas novas tecnologias.

Enfileirados, os alunos assistem entediados um professor despejar um conteúdo que não parece ter qualquer sentido para um mundo em constante ebulição. E o ambiente escolar em nada se assemelha ao ambiente corporativo, uma distância abissal.

O aprendizado bate na mesma cartilha e no bê-a-bá de uma escola que não considera a individualidade e a vocação dos alunos, forçando-os a ficar aprisionados ente paredes com pouco ou nenhum estímulo ao estudo prático e reféns de livros didáticos que repetem o mesmo currículo definido quando o propósito era formar trabalhadores dedicados a passar a vida inteira no mesmo emprego.

O alerta está dado. A automação da força de trabalho em funções repetitivas, que podem ser substituídas pelas máquinas, exterminará o profissional que desenvolver apenas competências facilmente executadas por robôs. Será mais valorizado quem tiver criatividade, souber se relacionar socialmente e associe saberes em diferentes campos.

Estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) realizado no ano passado concluiu que 65% das crianças de hoje trabalharão em profissões que nem mesmo ainda existem. Outro aspecto: o emprego será substituído pelo trabalho, emergindo o conceito de ‘trabalhabilidade’ em detrimento da ‘empregabilidade’.

O sujeito precisará estar pronto para exercer diversas funções em inúmeros projetos ao mesmo tempo, sem ter que bater ponto ou vestir o uniforme da empresa. Com maior autonomia, poderá trabalhar no que tem paixão e faz melhor, gerando renda a partir de várias fontes.

Por conta das incessantes mudanças nas relações de trabalho e o surgimento de novas profissões, o mais importante será aprender a aprender, já que os anos de estudo não estarão mais concentrados entre a infância e a juventude. A vida de estudante não terá mais prazo de validade.

Pergunto ao leitor: nossas escolas estão preparadas para desenvolver a ‘trabalhabilidade’ em nossos alunos? Estão prontas para formar os profissionais que o mercado irá demandar com o avanço da Inteligência Artificial? Estamos educando nossas crianças e jovens para ser criativos ou para continuar apenas a “apertar parafusos”?

Algumas respostas para estas e as perguntas feitas aos nossos visitantes no BETT estão nestas 5 visões abaixo:

1 – Educar é muito mais do que ensinar a ler e escrever. Na visão de Gabriela Fogaça Beltran, é essencial “promover uma educação com carinho e compaixão. Ir além do ‘ensinar’, criar grandes pessoas em todas as áreas da vida”.

2 – O aluno precisa desenvolver sua força criativa para garantir sua carreira no futuro. Como bem pontuou Tânia de Souza, “promover um aprendizado significativo é estimular a criatividade no sujeito, onde se possa ver o sentido e motivação na construção do conhecimento”.

3 – Saber resolver problemas é uma competência indispensável, o que foi lembrado por Jorge Raniene: “Através da observação do meio no qual o aluno está inserido, instigando o seu potencial criativo para ajudar a encontrar a solução de problemas”.

4 – O aprendizado prático, que permita ao aluno se desenvolver enfrentando situações que serão parte da vida profissional, também é fundamental, um ponto sublinhado por Leandro Lolo, que sugeriu: “levar a aprendizagem para o mundo, para fora da sala de aula, usando vivências cotidianas para construir conhecimento junto com os educandos”.

5 – E por fim, mas não menos importante, eu diria que o alicerce para construir uma nova escola conectada com os desafios profissionais do futuro: preparar o professor, visão compartilhada por Ana Paula Gasparini, que recordou que “para desenvolver as competências do século XXI nos alunos é preciso que o educador entenda a necessidade de desenvolvê-las em si próprio. Exercitar a própria criatividade, colaboração, comunidade e pensamento crítico é fundamental para que o educador possa estimular o mesmo desenvolvimento nos alunos”.

Deixe também nos comentários a sua visão de como construir uma escola adequada às demandas das novas e das próximas gerações. Cole aí seu post-it digital! 😉

Fonte – https://www.linkedin.com/pulse/nossos-filhos-ter%C3%A3o-trabalhabilidade-em-2030-luciana-allan

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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