“Procuram-se líderes” – Artigo traz bons exemplos de resiliência e criatividade!

De volta com o tema LIDERANÇA, reproduzo abaixo este excelente artigo Procuram-se Líderes, de Cláudio Lottenberg, publicado no LinKedin. O autor traz interessante e rica abordagem sobre o papel da liderança em geral, com destaque para as habilidades de resiliência e de criatividade, como requisitos indispensáveis para os desafios dos tempos atuais, em especial para a solução de problemas enfrentados na área de saúde e que tendem a se ampliar, em função do aumento da longevidade.

Vale a leitura:

“Procuram-se líderes

(Cláudio Lottenberg / CEO – UnitedHealth Group Brasil

O prestígio dos líderes guarda relação direta com os desafios por eles enfrentados, como observou, há 2.400 anos, o filósofo grego Epicuro de Samos. Na história contemporânea, tal enunciado se aplica em seu nível mais elevado, entre outros, a Franklin Delano Roosevelt, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Poucas personalidades, contudo, combinaram de forma tão efetiva a resiliência – ou seja, a capacidade de enfrentar e superar adversidades – e a criatividade no exercício de seus cargos e funções como Winston Churchill. Depois de assumir a chefia do governo britânico, em maio de 1940, ele mobilizou a língua inglesa para manter elevado o moral da população em meio aos incessantes bombardeios nazistas. A primeira de suas muitas frases de efeito ganhou eco em 13 de maio de 1940, no discurso de posse como primeiro-ministro: “Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor”.

A disseminação da resiliência nos moldes de Churchill é rara, pois exige, além de talento, grande capacidade de transmitir crenças e valores. Um modelo emblemático na área da saúde é o Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Surgida em 1900 como Instituto Soroterápico Federal (ISF), a entidade teve como primeiro diretor o notável médico que lhe emprestaria seu nome ainda em vida. Oswaldo Cruz, falecido há exatamente um século, não se deixava abater por dificuldades. Entre 1903 e 1909, ocupou, sem abrir mão do ISF, a Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP) e recebeu como missão o saneamento da capital federal, o Rio de Janeiro, então assolada por epidemias de febre amarela, varíola e peste bubônica.

Já em 1905, pela primeira vez em quase 80 anos, os nascimentos (20.228) superaram as mortes (17.386) no Rio, tendência que ganharia intensidade nas décadas seguintes. O extraordinário trabalho não livrou o titular da DGSP, no entanto, de uma enxurrada de críticas e até mesmo de um motim popular – a Revolta da Vacina, em 1904. Oswaldo superou tudo isso e deixou como legado ao País, além da sanitização do Rio, o Instituto Oswaldo Cruz. Líder nato, ele se cercou de cientistas e pesquisadores do mais alto gabarito – caso de Carlos Chagas (1879-1934), que o sucedeu no comando da organização – e, mais importante, soube imprimir seu elevado padrão de excelência na equipe e no próprio IOC, desde sempre referência global em pesquisas em saúde pública.

Projetos voltados à formação em larga escala de líderes resilientes na medicina, contudo, são bem mais recentes. Instituições de ensino de países desenvolvidos vêm abraçando a causa, com a inclusão de disciplinas específicas em suas grades curriculares ou por meio de cursos de extensão, casos das universidades de Macquarie (Austrália), Lancaster e Westminster (Reino Unido), McGill (Canadá), Colorado, Ohio State e Rochester (Estados Unidos). Proposta bem mais ousada é a do Serviço Nacional de Saúde (NHS) da Inglaterra, que lançou, em setembro de 2016, um programa voltado ao reforço da resiliência dos clínicos gerais. A iniciativa prevê investimentos de 40 milhões de libras até 2020, com o objetivo expresso de permitir que as atividades e as práticas desses profissionais “se tornem mais sustentáveis e resilientes, capacitando-os a enfrentar desafios presentes e futuros e garantindo cuidados da mais alta qualidade aos pacientes”.

O estímulo à criatividade é outro teste a ser encarado pela área da saúde na formação de seus líderes. Não me refiro, no caso, à inovação tecnológica, e sim à capacidade de conceber soluções simples – e econômicas, de preferência – para problemas complexos. Dezenas de faculdades mundo afora estão recorrendo às ciências humanas, inclusive às artes, como forma de fomentar essa competência entre alunos e professores. É o caso da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Eleita a terceira melhor do planeta na edição 2016 do Academic Ranking of World Universities (ARWU), a instituição californiana conta, desde 2002, com o programa Medicine & The Muse, que, além de cursos, workshops e apresentações de música, cinema e literatura, contribuiu para a produção do documentário de curta-metragem “Extremis”, indicado ao Oscar 2017.

Como a necessidade é a mãe da invenção, países em desenvolvimento também se destacam no fronte criativo. Um exemplo é a técnica das “mães cangurus”, desenvolvida em 1978 pelos pediatras colombianos Edgar Rey Sanabria e Hector Martínez. O método – que consiste em colocar bebês em contato com o colo das mães durante algumas horas por dia – garante reduções de 5% na mortalidade de recém-nascidos abaixo do peso e de 75% nos custos de tratamentos em unidades de terapia semi-intensiva.

Outro caso digno de nota, e bem conhecido dos brasileiros, é a Campanha do Soro Caseiro, iniciada em 1987 pela Pastoral da Criança por iniciativa da pediatra e sanitarista Zilda Arns (1934-2010). O programa atende 35,6 mil comunidades no País, nas quais a taxa de mortalidade de crianças menores de um ano é de 11 para cada mil nascidas vivas, ante uma média nacional de 19,3. Dona Zilda não criou a solução à base de açúcar e sal que combate a desidratação, obra do médico austro-americano Norbert Hirschhorn, mas teve o grande mérito de expandir o seu uso para 72% do território brasileiro e mais 20 países da América Latina, África e Ásia, salvando, assim, milhões de vidas.

Creio que o maior desafio a ser enfrentado pela medicina nas próximas décadas é criar condições para que os exemplos citados acima se reproduzam de forma sistemática, contínua e crescente. Necessitamos, com urgência, de um número muito maior de profissionais resilientes e criativos na área, quadros capacitados, entre outras funções, a planejar e executar políticas públicas para atender a populações que, por conta da elevação da expectativa de vida e do envelhecimento demográfico registrados na maioria dos países, demandarão mais serviços e cuidados de saúde por muito mais tempo.

Temos, portanto, de investir maciçamente na formação de líderes do setor. A execução de tal tarefa pressupõe, claro, mudanças no ensino superior, já em curso em alguns países. Mas penso que é chegada a hora, também, de um maior envolvimento de entidades médicas, autoridades e da sociedade nesse processo. É um dever de todos nós, pois, como dizia Albert Einstein, “o Homem está aqui para o bem do Homem”.

Fonte – https://www.linkedin.com/pulse/procuram-se-l%C3%ADderes-claudio-lottenberg
Anúncios

Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
Esse post foi publicado em Liderança. Bookmark o link permanente.

2 respostas para “Procuram-se líderes” – Artigo traz bons exemplos de resiliência e criatividade!

  1. Sandra Fayad disse:

    Exemplos não faltam para servirem de modelo nas universidades e empresas que podem dar esse salto de qualidade no trato com a melhor condição de vida dos seres viventes, seja qual for a sua origem. Eu não vejo o homem isolado dos demais seres terteatros quando se fala de assuntos dessa natureza.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s