VOLUNTARIADO é bom para os outros e melhor ainda para você. Explico!!!

Imagem – ACIJS

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Por Clovis Dattoli*

Quem faz o bem e está engajado em atividades sociais, tem maior nível de satisfação com a vida, tem saúde melhor, vive mais e ainda potencializa sua visibilidade e chance de sucesso na carreira e nos negócios, segundo atestam inúmeras pesquisas. E sabe por quê? Contarei a seguir.

Para começo de conversa, o que é voluntariado? De uma forma simples, posso definir voluntariado como o ato de doar seu tempo e conhecimentos em favor de terceiros, sem que haja o recebimento de remuneração ou qualquer outra contrapartida financeira.

Realizar esse tipo de atividade tem por essência a vontade que nos move de demonstrar cuidado, caridade, compaixão e amor pelo próximo, pelos animais, pela natureza, enfim por tudo o que necessite de atenção. Além desse aspecto inerente à bondade humana, não devemos perder de vista que, pragmaticamente falando, a necessidade de ações voluntárias está presente em todos os cantos do planeta e decorre, fundamentalmente, da incapacidade dos governos de suprir todas as demandas sociais.

O trabalho voluntário pelo lado pessoal (evolução do indivíduo)

Creio que todos concordam, por tudo o que está na literatura, pelos depoimentos e exemplos disponíveis, que dedicar tempo para atividades sociais faz a pessoa se sentir bem. Mas o melhor de tudo, e é sobre isso que falo a seguir, é que os benefícios de se fazer o bem são grandiosos e fundamentais, conforme atestam pesquisas e até mesmo diversos estudos científicos mais recentes. Assim é que, quem ajuda o próximo e contribui para um mundo melhor tem benefícios com a própria saúde, vive mais, se aprimora em termos de novas habilidades e aquisição de experiência, evolui o lado humano e, claro, sente-se mais feliz, tudo isso comparativamente com aqueles que não praticam qualquer atividade social.

Por coincidência (?), divulguei dois dias atrás uma interessante e ilustrativa matéria, com o cientista e professor norte-americano Richard Davidson, PhD em neuropsicologia e pesquisador na área de neurociência afetiva, com o título “A base de um cérebro saudável é a bondade, e pode-se treinar isso” (https://obemviver.blog.br/2017/05/01/cientista-afirma-que-a-base-de-um-cerebro-saudavel-e-a-bondade-e-pode-se-treinar-isso/).

Particularmente, vejo o voluntariado com bons olhos e interesse há muito tempo. A tirar pela minha própria experiência com atividades musicais para idosos carentes, digo sempre que, após cada show realizado, saímos melhores e mais energizados do que chegamos.

No que respeita, em especial, à população do pós-50, a chegada da aposentadoria é oportunidade mais do que propícia para a dedicação social, para o exercício da cidadania com maior efetividade. Quem se encontra nesse estágio de vida precisa se sentir útil, ocupar o tempo, retribuir ao mundo um pouco do que recebeu até aqui, até porque tem talentos a explorar e experiência acumulada, além de uma agenda muito mais livre do que antes.

A propósito, vou destacar, a seguir, artigo interessante da organização norte-americana Create the Good (voltada para trabalhos voluntários), publicado com o título Fact or Fiction: Volunteer Edition, em que muitos benefícios do voluntariado são evidenciados.

“Benefícios do voluntariado

De acordo com dados da Corporação para Serviço Nacional e Comunitário, idosos representaram mais de 31%da força de voluntários em 2011, acima dos 25% de uma década atrás. É isso mesmo: Cerca de 20 milhões de americanos mais velhos contribuíram com quase 3 bilhões de horas de serviço naquele ano, com um valor econômico estimado de mais de US$ 67 bilhões.

Melhor ainda, o valor atribuído pela participação dessas pessoas, representado pelo aumento da autoconfiança, mais forte ligação à comunidade e melhoria da saúde e bem-estar pode ser ainda mais significativo. Segundo o “The Health Benefits of Volunteering”, aqueles que atuam voluntariamente têm taxas de mortalidade mais baixas, maior capacidade funcional e menor risco de depressão comparado com as pessoas que não realizam esses tipos de atividades.

Entre os grupos etários, os voluntários mais velhos são os mais propensos a perceber benefícios físicos e mentais de saúde como resultado de suas atividades voluntárias.

Acrescento que atuar no voluntariado, além dos referidos benefícios para a saúde, proporciona o aprimoramento de habilidades individuais e sociais, a ampliação do círculo de amizades e, mais ainda, faz com que o voluntário se torne mais fortalecido espiritualmente.

E opções de atividade voluntária não faltam. Use sua curiosidade e imaginação, consulte as inúmeras instituições sociais e religiosas de onde mora ou de regiões próximas, além, é claro, de fazer buscas em sites de pesquisa pela Internet. Como dica, as organizações religiosas e muitas ONGs sabem muito bem como fazer isso. Se procuradas, já terão ações filantrópicas em andamento. É só escolher uma e se engajar.

Falando em termos mais objetivos, mesmo tendo em conta que o universo para possível atuação voluntária é muito amplo, vou mencionar aqui alguns exemplos que podem despertar o seu interesse mais direto: recreação para crianças e idosos; ledor para cegos; reforço escolar; educador/treinador para fins culturais, artísticos e esportivos; contador de histórias para pessoas hospitalizadas ou recolhidas; visitas para levar esperança para enfermos, detentos, dependentes etc.; narrador de livros ou textos diversos para gravação de arquivo em áudio; cuidador de pessoas sem-teto e animais de rua… Além dessas, você poderá descobrir muitas outras atividades e, portanto, decidir por alguma que melhor combine com as suas características e com a sua missão de vida.

Ação voluntária e comprometimento

Cabe fazer oportuna e necessária distinção entre doação e ação voluntária. A doação tem caráter estanque. É pontual. Trata-se de uma atitude de solidariedade voltada para o atendimento de necessidade específica. Já o voluntariado, na sua plena acepção, tem a ver com ações continuadas, o que pressupõe o envolvimento e a criação de vínculos, podendo seus resultados ocorrer após determinado tempo de prática (maturação).

Dito isso, fica evidente que exercer voluntariado requer clareza e comprometimento. E para assumir compromisso com determinada causa, projeto ou ação social, pense bem qual o tempo, ou quantas horas (por dia, semana, mês…) você comprometerá em prol do trabalho voluntário. Seja o mais preciso(a) possível. Cumpra o que se comprometeu, seja firme e determinado/a e vá em frente. É sabido que muita gente demonstra esta vontade, mas desiste rapidamente. Este talvez seja o ponto mais desafiador a ser vencido no voluntariado.

Se for o caso, para se testar e experimentar a atuação voluntária, comece com trabalho mais leve e agradável, de prazo curto. Sendo positiva e realizadora essa experiência, vá evoluindo e criando maiores envolvimentos.

 A atuação voluntária pela perspectiva profissional

Para quem se encontra ativo no mundo do trabalho, além dos aspectos de saúde e bem-estar, comuns a qualquer outra faixa etária mais avançada, a atuação como voluntário pode abrir inúmeros benefícios para a carreira.

Primeiro, a filantropia social passou a ser bem-vista pela maioria das empresas no Brasil e no mundo. Aliás, a Responsabilidade Social tem constado como um dos “valores organizacionais” declarados por muitas empresas privadas e instituições da área pública. Logo, se você vem se dedicando a trabalhos dessa natureza você pode ganhar pontos, porque demonstra, de pronto, ter sensibilidade, senso de cidadania e alguma dominância da inteligência emocional. Ser voluntário, portanto, pode fazer a diferença!

De acordo com matéria publicada pela revista Você S/A, na edição de abril passado, com o título ‘Voluntariado na Prática’, quem realiza trabalho social, na atualidade, tem seu currículo valorizado e ainda acelera o aprendizado.

Recrutadores e executivos de RH em geral já levam em consideração trabalhos voluntários do candidato no processo seletivo, ao contrário do que acontecia no passado, quando normalmente se via esse tipo de atividade com restrição, por ser entendido como fator de abstração e dispersão que tendia a comprometer a produtividade.

Felizmente, tivemos nesse campo uma boa guinada. Com efeito, a matéria enfatiza a relevância do tema no ambiente corporativo hoje em dia, ao mencionar que “sites de empregos, como LinkedIn e Vagas, já têm filtros específicos para que o empregador opte apenas por candidatos que tenham realizado alguma atividade sem remuneração.” Assim, mencionar competências adquiridas, ou desenvolvidas, com a participação em trabalho social pode ser fator decisivo até mesmo para uma contratação.

Como fato até curioso, a referida matéria informa que “quando um candidato coloca no currículo que exerce atividades voluntárias, o índice de visualização do perfil aumenta 90%”, de acordo com pesquisa feita por companhia de monitoramento de mídias sociais.

E no campo do desenvolvimento de competências, não resta dúvida de que as pessoas que atuam na filantropia evoluem na habilidade de estabelecer bons relacionamentos interpessoais, desenvolvem a empatia e ainda aprendem a otimizar o tempo e outros recursos, muito por conta do ambiente de restrições que normalmente domina as ONGs e entidades beneficentes em geral. Com isso, tanto o profissional quanto o seu patrão (organização empregadora) acabam ganhando.

Pelo visto, a conscientização a respeito de voluntariado está crescendo, inclusive nos ambientes corporativos. Diante desse cenário, fica a firme esperança de que a chamada corrente do bem, que atua para aproximar pessoas, minimizar os sofrimentos e fazer um mundo sempre melhor, tem tudo para seguir em expansão, e por muito tempo!

* Clovis Dattoli  – É Coach Executivo e de Negócios, Coach de Vida e Palestrante. Tem larga experiência executiva e de liderança. 

http://www.clovisdattoli.com.br – Email: jcdattoli@dattoli.com.br

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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2 respostas para VOLUNTARIADO é bom para os outros e melhor ainda para você. Explico!!!

  1. José Paes Landim disse:

    Belissimo texto com não menos belo contedo sobre o voluntariado, que se expressa nas nobres ações dos voluntários, principalmente quando eles dão melhor de si e dos seus ideais em defesa de quem mais presisa. Que melhor o digam as instituições beneficentes, que jamais alcancariam seus objetivos sem o apoio, por amor, dos voluntários. Acrescentar-se-ia, em reforco ao seu riquisimo texto, que o voluntariado é sinônimo não apenas de saude fisica, quanto espiritual. Parabéns amigo por tão belo trabalho.

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