Saber delegar é importante competência dos líderes de excelência

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Saber delegar é importante competência dos líderes de excelência

Por Clovis Dattoli

Constatação: Apesar das reconhecidas vantagens da delegação, muitos líderes seguem centralizando e não desenvolvem essa habilidade!

A autonomia, em conjunto com outros fatores como desenvolvimento de competências (capacitação), perspectivas na carreira e balanceamento entre trabalho e qualidade de vida, está hoje no rol das principais necessidades apontadas pelos trabalhadores, especialmente pelos mais talentoso. Ter autonomia é sem dúvida um importante motivador no trabalho nesses tempos atuais. Já não há mais espaço para a aplicação do princípio arcaico e autoritário do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. As pessoas, mais do que nunca, querem participar da solução e não ficar totalmente a reboque de um chefe sabichão e dono absoluto da verdade. E nesse contexto se insere perfeitamente a delegação!

Delegar é uma decisão das mais inteligentes e eficazes. Ao praticar a delegação, o líder demonstra seu compromisso com o desenvolvimento e a valorização dos colaboradores (liderados). É também demonstração de confiança e de prestígio no capital humano. Melhor ainda, é aperfeiçoamento real de competências em mão dupla, para quem delega e, principalmente, para quem recebe a delegação. Com isso, o líder está ainda promovendo, em algum grau, a preparação de sucessores.

De pronto, a delegação pressupõe que quem delega confia na outra pessoa. Por conta disso, um líder contemporâneo, bem avaliado e admirado pelas equipes tem certamente entre as suas competências de destaque a capacidade de delegar tarefas e autoridade. Saber delegar o que não é essencial para o cargo, ou melhor, o que não é indelegável, como tarefas acessórias, rotineiras, preparatórias para as grandes decisões, como levantamentos ou estudos específicos, esboço ou minuta de textos diversos etc., parece óbvio, com isso todos concordam em tese, mas a realidade demonstra que muitos líderes/gestores não praticam a delegação ou o fazem de maneira insuficiente, sem os cuidados mínimos para alcançar os melhores resultados com suas equipes.

Por outro lado, quando delega regularmente e sabe administrar a delegação, o líder ganha muito mais condições, sobretudo tempo, para desempenhar importantes atividades sob a sua responsabilidade, como a comunicação, as relações interpessoais, as negociações, o apoio a ser dispensado aos liderados, o exercício da escuta atenta, a identificação e o desenvolvimento dos talentos, a observação plena do ambiente etc., que notadamente demandam maior envolvimento pessoal, dedicação e energia. Ou seja, passa a exercer a liderança em sua plenitude e ainda alivia sua sobrecarga ocasionada por atividades que podem ser feitas por outras pessoas.

A regra deve ser a delegação

Aqui estou falando da regra (ou filosofia) geral. Não podemos desconsiderar, entretanto, situações de grave crise, sérias ameaças, acentuada escassez de recursos, entre outras, que justificam a atuação mais enérgica de um líder/gestor, com maior poder de centralização. Em tais circunstâncias, a delegação pode acontecer de forma mais limitada. Durante a excepcionalidade ou emergência, é natural que o líder pratique majoritariamente o estilo autoritário (autocrático). Entretanto, tal prática só é saudável e sustentável por tempo limitado.

Fora isso, para exercer a liderança com excelência, o líder deve – especialmente neste Século XXI, que é considerado do Capital Humano – estimular a participação dos colaboradores, demonstrar confiança, promover o envolvimento e compartilhar informações e conhecimentos de forma mais ampla, sob pena de fracassar. Precisa assumir o papel de “Líder Coach”, apoiando e desenvolvendo seus liderados. Nesse contexto se insere a delegação de atividades, tarefas e, em certa dose, também de autoridade.

Muito líder teima em centralizar e não delega. Por quê?

Salta aos olhos a constatação de que muitos líderes, ou gestores, com grande elenco de responsabilidades, não conseguem delegar e continuam centralizando muitas tarefas em suas mãos, mesmo sentindo-se asfixiados, sobrecarregados e preocupados, sabendo que algumas ações estratégicas estão deixando de ser realizadas por absoluta falta de tempo. Por que isso acontece?

A razão de fundo é o medo. Com medo de perder status, sentem-se ameaçados porque querem que todos na organização percebam que é o dono(a) do conhecimento e da verdade e, sendo centralizadores, estariam assegurando a permanência (ou reserva) naquela função. Outra razão seria a falta de confiança nos outros, o que por si só já demonstra incapacidade para liderar. Quem é assim sofre muito ao delegar, pois sente a necessidade de ficar todo o tempo supervisionando o que o outro está fazendo. Outro motivo ainda é a ideia equivocada de que sabe fazer melhor e mais rápido do que os outros. Isso é muito próprio dos bons especialistas (técnicos), que faziam com excelência determinadas (poucas) tarefas e, em algum momento da carreira, assumiram cargo de liderança. Para estes, cabe assinalar, a arte da delegação é naturalmente mais penosa, até que atinja maior maturidade como líder. E maturidade, assinalo, não é simplesmente tempo no cargo e cabelos brancos. É bem mais do que isso.

Por outro lado, é preciso ainda deixar claro que delegar atividade/tarefa não significa perder o interesse pela ação que será realizada por outra pessoa. Certamente o líder deixará de ficar ocupando tempo com detalhes, confiará na forma de execução do liderado, mas seguirá atento ao que está sendo feito. Não é ficar desligado, até porque, cabe realçar, a sua responsabilidade, por força do cargo, das previsões em leis, estatutos e regimentos internos, não pode ser delegada.

Dicas para a delegação eficaz (um método)

Para que tudo isso funcione, e ante a (fácil) constatação de que a prática da delegação é deficiente por parte de muitos empresários e líderes posicionados nos mais diversos níveis hierárquicos, sendo, por isso mesmo, uma das demandas mais frequentes quando da contratação de serviços de coaching executivo, existe um conjunto básico de requisitos que precisa ser observado e praticado para que haja uma efetiva e exitosa delegação de tarefas mas, também, de autoridade. A boa delegação, portanto, requer consciência sobre a necessidade de delegar – que espero tenha sido despertada com os argumentos que apresentei nos parágrafos anteriores – e, claro, é um processo que requer técnica e cuidados básicos e essenciais.

Em seguida, apresento as linhas gerais de um método que contribuirá para o desenvolvimento da sua habilidade de fazer delegação de forma mais segura e estruturada*:

Preparação e definição da necessidade de delegar – Esta é a etapa em que o líder forma sua consciência para planejar a delegação e preparar o processo. Precisa ter resposta para as seguintes questões:

  1. Qual a atividade/tarefa a ser delegada?
  2. O que pretende com essa delegação (qual o objetivo)?
  3. É urgente, imediata? Qual a prioridade?
  4. Quando deve ser iniciada?
  5. Quem deve estar envolvido com a atividade/tarefa sob delegaç

Identificação do talento para a tarefa – Aqui é a etapa em que o líder (quem delega) deve combinar a pessoa certa com a tarefa a ser delegada. Entra em cena, como antecedente do ato de delegar, o conhecimento da equipe, seus talentos, competências, comportamentos etc. Em suma, quem não conhece bem sua equipe tem naturalmente limitada sua capacidade de fazer boa delegação. Algumas questões precisam ser respondidas:

  1. Tenho gente preparada para a tarefa?
  2. Quem já detém competências necessárias para executar a tarefa?
  3. Quem posso desafiar/estimular para assumir a atividade/tarefa? Ou 
  4. Quem precisa ser preparado para ter bom desempenho na atividade/tarefa?

Explicitar e alinhar expectativas – É hora de jogar aberto, de se comunicar com precisão para que não pairem dúvidas. Algumas questões para orientar esse processo:

  1. Quais pontos são essenciais para deixar claro o que precisa ser feito?
  2. O que é ser bem feito? Quais os critérios para avaliar o desempenho, em termos de qualidade, de prazo?
  3. Quais são os prazos para entrega?
  4. Quais pontos de controle serão definidos?

Para tanto, formule questões essenciais e trabalhe as respostas…

Autonomia e disponibilização de recursos – A delegação não é apenas passar a atividade/tarefa para outra pessoa. As condições precisam ser dadas.

Para lhe orientar, questões-chave precisam ser respondidas…

Monitorar a execução e dar apoio – Não se desligue após a delegação da tarefa, até porque, como disse anteriormente, em última instância a responsabilidade pela atividade é do líder/chefe. Sem quebrar a autonomia e a confiança nas pessoas que receberam a delegação, exerça o necessário controle sobre o processo e explicite, sempre, que elas podem contar com você.

Algumas questões vão lhe ajudar e servem para minimizar riscos. Trabalhe-as adequadamente.

Levantando os resultados (lições aprendidas) – Não perca de vista que se trata de um processo dinâmico, que requer avaliação e que sempre evidenciará oportunidade de melhorias. Assim, essas questões precisarão ser respondidas ao final de cada ciclo de delegação:

  1. Quais aprendizados você tirou dessa experiência?
  2. Quais aprendizados foram mais significativos para os envolvidos?

*O método sugerido é adaptado da ferramenta de Coaching Executivo “Seis Passos para a Delegação”, da Development International.

Com esse método, e feitas as necessárias adaptações e complementações em face da sua realidade, estou certo de que você, líder, tem agora os subsídios fundamentais para aprimorar a sua habilidade de delegação e, consequentemente, para elevar o seu nível de maturidade de liderança. Desejo o seu sucesso!

Dattoli perfil social Clovis Dattoli

√ É Coach Executivo e de Negócios, Coach de Vida e Palestrante.

http://www.clovisdattoli.com.br  –  jcdattoli@dattoli.com.br

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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