Liderança transformadora – Veja este artigo sobre o jeito Tite de liderar

De volta com o tema LIDERANÇA, trago hoje interessante e rico artigo de Sílvio Celestino, publicado no boletim eletrônico LinkedIn Pulse, em que analisa o estilo de liderar do atual técnico da Seleção Brasileira de Futebol Masculino – razão principal da transformação rapidamente verificada naquela equipe esportiva e, por consequência, dos resultados positivos que logo apareceram. Ao longo da sua análise, o autor faz analogia das práticas demonstradas por Tite com o que observa da atuação de muitos líderes corporativos. 

Além de trazer informações atuais e eminentemente práticas, o pertinente texto pode lhe ser esclarecedor – e útil – quanto ao exercício da liderança nas mais variadas circunstâncias. Leia a seguir:

Tite, um líder transformador: inspire-se no estilo de liderança do técnico da Seleção

Publicado em 9 de outubro de 2016

Fico me perguntando se é justo fazer uma comparação tão extensa entre as ações de Tite na seleção Brasileira e a de um presidente recém contratado para gerir uma empresa à beira da falência total. Afinal, dificilmente um CEO encontrará uma organização tão devastada moral e tecnicamente quanto a seleção quando de sua chegada. Mas, creio que a riqueza de aprendizado é tão grande que vale a pena a tarefa.

Problemas, problemas e mais problemas…

O Brasil perdera de 7 a 1 da Alemanha em plena copa do mundo, foi desclassificado da Copa América e estava em sexto lugar nas eliminatórias e, portanto, fora da zona de classificação para o mundial de 2018, na Rússia. Além disso, o time jogava com medo, sentia-se humilhado, fragilizado emocionalmente, sem um grupo de base, com um treinador obscuro e anacrônico, sob a pressão dos olhares de todos os brasileiros e o peso das glórias de um passado cada vez mais distante.

O trabalho de Tite parecia ser, e ainda é, para doze Hércules.

Como foi possível em apenas três jogos ele ter renovado as esperanças em nossa seleção?

Não tenhamos ilusões, ele está apenas no começo de sua batalha.

Entretanto, alguns elementos são muito claros e verificáveis como modelos a serem seguidos.

Experiência real e abrangente:

Adenor Leonardo Bachi, Tite, 55 anos, começou de baixo, com times pequenos. Sua carreira foi marcada pela construção do sucesso em várias divisões até sua consagração no Corinthians como campeão brasileiro e mundial. Em 26 anos de experiência, treinou 14 times.

Experiência comprovada é um fator fundamental de sucesso na liderança. No futebol ou nas empresas, não é quem fala mais que será, necessariamente, o melhor líder, mas aquele que está preparado para a tarefa. Ainda hoje, vejo, em certas organizações, a presença de líderes cujo único talento é fabricar uma imagem falsificada de vencedor, mas sem nenhum tempo de experiência que comprove sua consistência e real qualificação.

Nunca pare de aprender:

Tite, depois de 2014, vitorioso, tirou um período para se atualizar. Ao visitar grandes times no futebol europeu, descobriu a relevância da intensidade do treino, ao simular situações de jogo, para o preparo mental e emocional dos jogadores.

Em suas próprias palavras: “A ideia não é acertar o fundamento, o passe e coisas assim, mas exercitar a tomada de decisões dos jogadores em situações que exigem alto nível de concentração e intensidade física”.

Conheço muitos líderes que treinam e motivam suas equipes e a si mesmos, mas não para situações reais. Quando o problema concreto acontece, eles estão preparados para andar sobre brasas e cacos de vidro, abraçar árvores, admirar “O Gladiador”, mas não sabem o que fazer, ficam confusos e com medo.

Portanto, o treino de situações reais, a concentração em pontos que merecem total atenção e a prontidão para lidar com problemas verdadeiros com velocidade e acerto são fundamentais para o desenvolvimento da equipe. E isso requer líderes que integrem experiência e conhecimento atualizado.

O método transformador:

Tite vê a liderança de maneira simplificada e pragmática. Segundo ele, o líder tem três opções: ser democrático, com muita conversa e buscando um consenso impossível. Ser autoritário e, portanto, ser o único a falar e os demais a obedecerem. E, finalmente, ser “transformacional”, ou seja, ser um líder transformador de pessoas, ambientes e situações.

Tite tem uma relação transparente com os jogadores, com diálogo franco e aberto

Ele explica que o ser humano somente aceita fazer aquilo que acredita ou está convencido a acreditar. Caso contrário, em pouco tempo se desestimula e para de fazer o que é preciso.

Alguns elementos de seu método são:

Humildade. Ele não se considera o salvador da pátria. Desde já diz que haverá derrotas e que o time não vencerá todos os jogos. Além disso, agradece o auxílio que recebe de outros técnicos, como, por exemplo, do Rogério Micale, da seleção olímpica, medalhista de ouro.

Nas empresas, fico impressionado com a quantidade de gestores que desdenham o trabalho e o apoio de seus pares e antecessores. Além disso há diretores e, principalmente, acionistas, que acreditam que é possível crescer continuamente sem nunca experimentar um período de contração. Não preveem essa possibilidade e, quando ela ocorre, não estão preparados com planos de contingência, domínio emocional e ações para reverter a situação e recuperarem-se. O resultado, por vezes, é a falência. Aquele que não se preparar para o inverno, não chegará à primavera.

Parceria. Ele pegou um grupo humilhado e com muito medo. Para lidar com essa questão apresentou um projeto, esclareceu o compromisso de cada um e colocou-se como um parceiro para endereçar todos os problemas. Ele sabe que há fatores que não pode controlar, por isso, está concentrado e atento a tudo que está ocorrendo e com foco no projeto e no seu compromisso de ser parceiro dos jogadores em sua implementação.

Responsabilidade com a torcida. Ao contrário do treinador anterior, Tite atende à imprensa pacientemente, responde às perguntas, dá explicações e esclarece seu ponto de vista. O principal stakeholder da seleção, o torcedor, fica bem informado e esclarecido de seu pensamento e ações.

Estrutura de base e otimização dos recursos. Tite tem a preocupação de colocar cada jogador na mesma função que exerce em seu time. Deste modo, resolve boa parte do problema do pouco tempo que tem para treinar a seleção e de manter uma estrutura de base.

Valorização do jogador. Tite não escala à distância. Ele conversa com os jogadores. Se necessário viaja para falar pessoalmente, vê-lo jogar e tirar suas próprias conclusões. Por essa razão os jogadores se sentem valorizados, pois sabem que são vistos com o devido cuidado.

Nas empresas, é impressionante a quantidade de líderes que não complementam as informações dos relatórios com sua presença nos locais onde as principais ações acontecem para verificá-las. Conhecer realmente as pessoas, saber quem são e olhar em seus olhos, são subsídios importantíssimos para a tomada de decisão e a valorização dos profissionais.

Orientações claras e relevantes. No intervalo do jogo com a Bolívia, Tite chamou Neymar no canto e disse a ele para voltar no segundo tempo e estar preparado para apanhar e lidar com as provocações do adversário. Tinha de continuar fazendo seu jogo e não se deixar abalar por elas. Neymar voltou e não tomou o segundo cartão amarelo. Tite soube orientar e transferir o compromisso ao jogador.

Observo que, nas companhias, muitos gerentes simplesmente não sabem dizer aos seus subordinados o que é para eles fazerem e como devem lidar com as situações. Desse modo eles não evoluem e nunca estão preparados para assumir compromissos maiores.

 Respeito, respeito e mais respeito. Na hora de dar um feedback, Tite o faz no particular, longe da mídia e dos boleiros. Quando precisa retirar alguém da equipe, mostra ao jogador sua importância. Em alguns casos, além de orientar o indivíduo, chega a dar livros para que ele saiba o quão importante é e que ele conta com sua recuperação para o futuro.

Nas empresas, o feedback, ou é inexistente, ou é feito de maneira desrespeitosa e inapropriada. Além disso, em alguns casos, a competência do indivíduo não é levada em conta nas promoções e, quando ele é preterido, quase nunca é claro o motivo e muito menos a orientação do que ele deve fazer para aprimorar-se. Como sentir-se respeitado, leal e engajado em um ambiente desses?

Criar um ambiente seguro. Tite não fica convocando e desconvocando jogadores aleatoriamente. Ele tem um time de base e usa o mérito para mantê-lo. Quem está jogando bem fica, quem não está, sai.

Conheço organizações com elevada rotatividade. Isso cria insegurança em todos, não forma uma cultura organizacional que apoie a estratégia da empresa e os resultados são inconsistentes. Além disso, há um estresse e uma baixa energia permanentes. Ninguém é vitorioso nessa situação.

Integridade. Mais uma vez Tite acerta na mosca ao declarar que sabe que aquilo que ele disser aos jogadores, ele tem de cumprir. Diz ele: “Caso contrário, ninguém vai acreditar em mim e a coisa toda desanda. O meu comportamento é fundamental. ”

Essa declaração pode ser utilizada por qualquer gerente em qualquer empresa. É impressionante a quantidade de gestores que simplesmente ignoram suas próprias palavras e agem em desacordo com elas. Ao fazê-lo, destroem sua credibilidade perante suas equipes. O resultado final é desmotivação, descrença e uma profunda sensação de desrespeito. O líder tem de cumprir sua palavra se desejar transparência e lealdade da equipe.

Se o time do Brasil será vencedor da copa do mundo de 2018 é impossível dizer. Mas, a maneira como Tite implementa sua liderança com método, humildade, conhecimento e experiência o qualificam como um verdadeiro líder transformador.

Que ele seja, de fato, capaz de transformar o seu trabalho com todos os jogadores e a comissão técnica em vitórias e alegrias para todos os brasileiros que apreciam o futebol. Um elemento tão valorizado em nossa cultura. Mas, que seu exemplo seja seguido por líderes em outras áreas e que desejam se tornar, também, líderes transformadores.

Vamos em frente!

Fonte – https://www.linkedin.com/pulse/tite-um-l%C3%ADder-transformador-inspire-se-estilo-de-do-da-celestino?trk=hp-feed-article-title-share
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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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