Conhecimento – Ouça mais quem está “no gemba”

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No post passado, trouxe abordagem sobre a importância de se colocar o conhecimento em prática. O mote ali foi a lógica de que o conhecimento sem ação é vazio!

Hoje, trago artigo de José Roberto Ferro, publicado no portal Época Negócios, mostrando que o conhecimento não é privilégio dos mais “letrados”, dos detentores de poder. Alerta para a necessidade de se ouvir o conhecimento de quem faz, da pessoa comum. E o recado é mais direto para as lideranças, que, exercitando a humildade, precisam ampliar sua capacidade de saber ouvir o pessoal da execução, os colaboradores menos graduados na estrutura organizacional.

Essa é uma reflexão que não devemos perder de vista e, portanto, sempre pertinente!

Leiam a seguir:

Ouça mais quem está “no gemba”

Nunca subestime o conhecimento de quem atua no “chão de fábrica”, onde o trabalho é efetivamente realizado

Funcionário supervisiona linha de produção de suco de laranja na Citrosuco (Foto: Divulgação)Funcionário supervisiona linha de produção de suco de laranja na Citrosuco (Foto: Divulgação)

Ouvi na semana passada um executivo de uma grande empresa contar uma história que explica muito sobre um tipo de “preconceito” que ainda existe na gestão dita moderna. Ele contou que quando ele e sua equipe estavam trabalhando num grande projeto na companhia, relacionado a um novo produto, perceberam que, por uma falha de planejamento, não havia sido instalada uma estrutura absolutamente necessária. Pior do que isso, não tinham deixado nem o espaço necessário para instalar a estrutura.

Chamaram, então, uma equipe de especialistas, formados nas melhores universidades, para resolver o caso. Os especialistas fizeram as medições, os cálculos… e concluíram que o mais adequado era instalar a tal estrutura no subsolo da empresa.

Quando se preparava para fazer a ação, o executivo foi chamado “de lado” por um dos funcionários do “chão de fábrica”, que alertou o chefe a não permitir que se instalasse tal estrutura no subsolo, pois, além de ser desnecessária, o projeto jamais funcionaria se fosse feito assim.

Cismado, o executivo resolveu pesquisar e descobriu que o alerta estava absolutamente correto. Constatou, inclusive, que outras empresas que fizeram o mesmo tiveram muitos problemas com a instalação.

Descobriu, então, que a melhor solução era instalar a estrutura não mais no subsolo, mas de uma outra forma, o que exigiria, inclusive, menos investimento e esforço. Isso foi feito, o projeto não teve mais problemas e foi implementado com o maior sucesso.

Essa história ensina uma importante lição: a de que nunca devemos subestimar o conhecimento de quem está “no gemba”, de quem atua ali, onde o trabalho é efetivamente realizado, no local em que o valor é produzido. De que não devemos jamais desvalorizar o saber de quem tira seu conhecimento do dia a dia do trabalho feito na prática. Trata-se de um colaborador, cuja sabedoria é fundamental, pois é resultado da experiência, fruto de colocar a “mão na massa” diariamente.

O grande problema é que a gestão tradicional muitas vezes não valoriza esse tipo de conhecimento. Muito embora seja essencial, o trabalho técnico do “pessoal do escritório” não pode ser visto como o único relevante. O saber em uma organização não está definido apenas e tão somente na mente daqueles que têm um diploma pendurado na parede.

Conhecimento e sabedoria não precisam necessariamente ser frutos de diplomas para existir. A experiência do trabalho diário numa determinada tarefa gera um conhecimento enorme que muitas vezes supera o que é aprendido num banco escolar. E, assim, também precisa ser levado muito a sério.

No caso da história da empresa do início desse texto, tão ou mais importante que o conhecimento da equipe de especialistas diplomados foi o olhar, a experiência do “chão de fábrica”. Muito provavelmente isso evitou um grande prejuízo.

Na gestão lean, isso também faz todo o sentido. Nela, o conhecimento mais importante não deve vir necessariamente de quem tem cursos ou diplomas. E nem necessariamente de quem tem o cargo maior dentro da empresa.

Em verdade, o processo de geração de conhecimento deve ser estimulado em todas as partes da organização. Todo colaborador deve ter a mente de um engenheiro, de um especialista.

E, mais importante, todo conhecimento deve vir do gemba. É lá que os problemas aparecem e que as soluções devem ser pensadas, cotidianamente. Portanto, é onde está o conhecimento e o aprendizado.

Claro que cursos, treinamentos, diplomas são importantes. Assim como é evidente que se deve estudar o mais possível numa carreira organizacional. Mas não se pode ter a ilusão de que isso será o mais relevante ou o suficiente.

A empresa precisa criar mecanismos e métodos para estimular em todos a capacidade de pensar. E, ainda, as lideranças devem ter a humildade para serem capazes de ouvir, de todos os lados, as ideias e sugestões. Como resume uma frase atribuída ao filósofo da Grécia Antiga Epiteto, Deus deu ao homem dois ouvidos, mas apenas uma boca, para que ele ouça duas vezes mais do que fala. Líderes precisam ouvir muito mais do que falar, em especial aqueles que em teoria têm maiores conhecimentos e qualificações.

Ouvir não pode ficar concentrado a partir de processos paralelos formais e burocráticos, como caixas de sugestões, programas de ideias ou outros. Deve fazer parte do dia a dia da gestão.

O verdadeiro conhecimento se adquire na prática, experimentando, fazendo, ouvindo as várias opiniões e ideias. E refletindo sobre isso.

José Roberto Ferro é presidente do Lean Institute Brasil.

Publicado emhttp://epocanegocios.globo.com/colunas/Enxuga-Ai/noticia/2016/09/ouca-mais-quem-esta-no-gemba.html

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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