Para enfrentar uma crise, pare de culpar o mundo

Reproduzo artigo muito interessante, de Sergio Chaia, publicado no portal Época Negócios, com abordagem sobre o fato de que as pessoas, a começar de grandes dirigentes, quando diante de situações de crise, tendem a partir imediatamente para as desculpas (sempre externas), deixando, ao contrário, de praticar o que chamo de racionalização, que é a atitude de afastar-se um pouco da situação, refletir, controlar o emocional e buscar a origem do problema para, assim, encontrar a solução e resolver a crise. 

Interessante entender a explicação do autor, ainda que rapidamente, de que as nossas atitudes, a forma como reagimos diante dos problemas tem a ver com o funcionamento de três partes do cérebro: o sistema reptiliano, o límbico e o neocórtex. 

E o recado que fica é este: convém estarmos sempre alertas para não cairmos na armadilha do desculpismo e da paralisia. O que conta, para a realização e o êxito pessoal e profissional, são as nossas ações!

Leiam e reflitam (a seguir):

“Para enfrentar uma crise, pare de culpar o mundo

E se concentre na gênese do problema

Colunas;Já pensou;Gestão (Foto: Thinkstock)(FOTO: THINKSTOCK)

Tem sido recorrente nos últimos meses. Toda vez que converso com um alto executivo ouço um discurso absolutamente defensivo. No diálogo mais recente, meu interlocutor, CEO de uma multinacional, caprichou: reclamou da conjuntura, do negócio que não ia bem, da pressão da matriz, de diretores alheios à situação, dos clientes… Parecia que havia apertado o botão do play para reproduzir, sem interrupções, as suas frustrações. E todas elas vinham acompanhadas de uma série de justificativas – a maioria relacionada a fatores externos ou a terceiros.

Fiquei pensando, então, no conceito de defesa, a primeira e mais instintiva forma de proteção. É a nossa “arma” natural, calibrada pela evolução genética. Entender a formação de nossas atitudes pela maneira como o cérebro reage a determinados eventos é um assunto que me fascina. E que me remete, imediatamente, a Paul Maclean, médico e neurocientista americano que criou a teoria do cérebro trino, segundo a qual nós possuímos três cérebros em um: o reptiliano (primitivo), o límbico (emocional) e o neocórtex (racional). Coube a um especialista em gestão, o belga Didier Marlier, ligar a teoria de Maclean ao mundo executivo. Inspirado no trabalho do médico, o guru desenvolveu um método para mostrar como o medo e a ameaça afetam os profissionais. Tome como exemplo o meu amigo CEO. A ameaça a sua sobrevivência no cargo, causada (segundo seu julgamento) por fatores externos, é identificada pelo cérebro reptiliano. Em seguida, ela é encaminhada ao límbico, que dispara o mecanismo de defesa com três opções de ação: paralisia, enfrentamento ou escapismo. Nesse momento, o cérebro límbico ativa a produção de um hormônio chamado cortisol, que impulsiona nossa mente a escolher uma dessas alternativas. O efeito colateral do cortisol é o desligamento da nossa capacidade de ser racional e/ou criativo na resposta às ameaças.

Vivi várias crises na minha trajetória profissional e, na maioria das vezes, optei pelo enfrentamento. Com o passar do tempo, aprendi que reagir defensivamente quase sempre não traz a solução mais razoável. Hoje, procuro encarar os momentos difíceis de outra forma: dou um passo atrás e tento me afastar emocionalmente da questão. Assim, tenho mais clareza dos verdadeiros fatores que originaram o problema. Penso que é mais importante refletir e atuar sobre eles do que buscar um culpado.

Agir imediata e instintivamente inibe o estímulo ao neocórtex, a região do cérebro responsável pela criatividade e racionalidade. Minha recomendação para aquele CEO foi que esquecesse por alguns instantes a ameaça e as reclamações e focasse na gênese dos problemas. Será que a falta de comprometimento dos diretores não vinha de lapsos de liderança? É preciso fazer perguntas antes de respondê-las de forma açodada.

Olhando o momento desse CEO, lembrei de uma aula que tive com o professor Jagdish Parikh, no Insead. Um dia, ele colocou uma cadeira no centro da classe e convidou um aluno a se sentar nela. Em seguida, perguntou o que o rapaz visualizava da cadeira. “Os braços, parte do assento e das pernas”, disse o aluno, prestes a ganhar um torcicolo. Parikh então comparou a cadeira a um complexo problema, levando todos a entender que a única maneira de perceber sua verdadeira dimensão era se afastando.

Fonte – http://epocanegocios.globo.com/colunas/Ja-pensou/noticia/2016/04/pare-de-culpar-o-mundo.html
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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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