“Você é bom em ser multitarefas?” E isso é bom?

Reproduzo artigo muito interessante, mais um do professor Daniel Goleman, com conteúdo que merece ser refletido, a respeito dessa “onda” da atuação multitarefa, publicado no site “Administradores”. Um bom alerta!

Concentrar-se e colocar foco na tarefa que precisa ser feita, convenhamos, tem sido cada vez mais desafiador diante da saraivada de informações, que nos chegam por dispositivos diversos, da agitação e ansiedade que avançam celeremente nos dias atuais.

 Leiam a seguir:

“Você é bom em ser multitarefas?

Quando o seu trabalho em uma tarefa é interrompido, geralmente leva até 15 minutos para que você volte a ter toda a atenção ali. Multiplique isso por quantas vezes você é interrompido diariamente

   Daniel Goleman, 21 de julho de 2015

Recentemente a CNN postou um vídeo interessante do Dr. Sanjay Gupta explicando o que acontece com o cérebro enquanto você está no modo multitarefas. Gupta argumenta que nós não estamos realmente fazendo duas tarefas ao mesmo tempo; estamos dividindo nossa atenção de uma tarefa para trabalhar em outra e dando a cada uma apenas atenção parcial.

Ele faz referência a um estudo feito sobre pessoas multitarefas enquanto dirigem. Os resultados mostram que ouvir frases enquanto dirige diminui a atenção do condutor em 37%. Então, em vez de ouvir e dirigir simultaneamente, você está oferecendo a cada atividade uma parcela de atenção, resultando em uma performance abaixo do esperado.

Agora pense o quão frequentemente isso acontece no trabalho.

Sua atenção diminui?

Tenha em mente que sua atenção é uma capacidade limitada. Nos anos 50, o psicólogo cognitivo George Miller sugeriu que nossos cérebros tinham um ponto ideal para processar informação – entre cinco e nove partes de informação de uma vez é o máximo que ele consegue processar. Essa teoria se tornou popular – porém, apenas por pouco tempo – e muitos perceberam essa diminuição na capacidade como resultado de nossas modernas e muito distrativas vidas. Mas isso não está, de todo, correto.

“A memória não diminuiu”, disse Justin Halberda, cientista cognitivo da Universidade Johns Hopkins . “Não é que a TV tenha tornado nossa memória ativa menor. A mente tenta fazer o máximo de seus recursos limitados”, Halberda explica. “Então nós usamos estratégias de memória que ajudam”.

Por exemplo, aprendemos a combinar elementos distintos, como números, em um único bloco. Em vez de lembrarmos dos números 5, 1 e 8 separadamente, nós lembramos de 518. O que me leva de volta ao ponto do Dr. Gupta. Enquanto muitos assumem que estamos dividindo nossa atenção enquanto fazemos várias atividades ao mesmo tempo, a ciência cognitiva nos diz que isso é impossível. Nós não temos uma área de atenção para oferecer simultaneamente; em vez disso, temos uma quantidade limitada para distribuir. Não estamos parcelando nossa atenção, apenas a deslocando de uma coisa para outra rapidamente. E fazer isso realmente nos proíbe de estarmos completamente concentrados.

Dessa forma, fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo é comumente pensado como a real causa da ineficiência. Quando o seu trabalho em uma tarefa é interrompido, geralmente leva até 15 minutos para que você volte a ter toda a atenção ali. Multiplique isso por quantas vezes você é interrompido diariamente.

Mas um treinamento da mente pode ajudar a você a se recuperar mais rapidamente. Quando os profissionais de recursos humanos passam por treinamentos de atenção, encarando uma série de interrupções durante um típico dia agitado, eles perceberam que sua concentração aumentou dramaticamente. Eles foram até capazes de ficarem com uma atividade por mais tempo e concluí-la mais eficientemente.

É apenas uma questão de como lidar com isso. Então, quando você se encontra bombardeado com distrações, use essas dicas:

1. Identifique sua fraqueza. Um monte de interrupções que enfrentamos chega de forma digital, como notificações de mídias sociais, e-mails, mensagens de texto e outros do mesmo tipo. Tente usar um aplicativo que bloqueia essas tentações.
2. Tome notas de como você se distrai. Quando você perceber onde sua mente se esvai – reorganizar a estante em vez de escrever uma proposta de negócios – você vai saber o que está acontecendo. “Minha mente está viajando do que eu preciso fazer”. Apenas fazendo isso você vai conseguir escapar das distrações e reengatar seu cérebro na tarefa mais urgente que está por perto.
3. Pratique diariamente a plena consciência. Tente este simples exercício: preste atenção a sua respiração, perceba quando sua mente divagou e volte à sua respiração. Considere isso como o seu exercício mental, assim como levantar pesos. Cada volta faz você um pouco mais forte. Quando você treina a sua atenção, a capacidade do cérebro de perceber quando sua mente se esvaiu, deixou-se ir, para em seguida, retornar, fica muito mais forte.

O meu colega Elad Levinson, principal palestrante do vindouro curso online Praxix You, também tem algumas ideias interessantes:

1. Esteja muito consciente sobre trazer toda a sua energia para um único lugar. Agora dê toda a sua atenção para a tarefa escolhida. Mova sequencialmente e deliberadamente através dos passos necessários para concluir esta tarefa.
2. “Sente-se e fique”. Esta habilidade ajuda você evitar a fazer várias coisas ao mesmo tempo. E é similar a qualquer treinamento que a concentração é necessária, como treinar uma criança para sentar e se concentrar em sua tarefa da escola, mesmo quando é difícil. Então na próxima vez que você estiver em uma conversa, dê a esta pessoa toda sua atenção. Não cheque o seu celular, não deixe sua mente vaguear. Apenas escute.
3. Exerça o controle sobre sua atenção. Isso requer que você eleve sua atenção de onde se encontra, para em seguida, colocá-la em outro lugar conscientemente e intencionamente. Coloque isso em prática. Na próxima semana de trabalho divida o seu dia em períodos de 45 minutos. Trabalhe com concentração durante estes blocos de 45 minutos. Depois de cada um, tire 5 minutos de descanso para fechar os olhos e respirar profundamente. Tente relaxar os músculos em volta dos seus olhos, ombros, mandíbula e pescoço.

Texto publicado originalmente no perfil do autor no LinkedIn e cedido gentilmente ao Administradores.com.
Fonte – http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/voce-e-bom-em-ser-multitarefas/88881/
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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
Esse post foi publicado em Motivação e crescimento humano, O ser humano no contexto das organizações. Bookmark o link permanente.

3 respostas para “Você é bom em ser multitarefas?” E isso é bom?

  1. De fato é complicado e estressante, dispensar atenção, a várias coisas ao mesmo tempo. Mas, existem momentos, em que precisamos aprender, a lidar com isso, sem perder o foco. Exemplo foi a minha vida, enquanto os meninos eram pequenos. Além do mais velho, com 5, tinham mais 4 com diferença de idade de menos de um ano, dentre os quais, as gêmeas. Sozinha, sem ninguém para ajudar, tive que aprender a lidar e dividir o tempo entre a cozinha, casa, cuidar das crianças e lavar roupas, etc. Todas as tarefas dependiam de atenção. E no final do dia, era como se tivesse sido sugada. Foi muito difícil.

    • JCDattoli disse:

      Imagino a dificuldade, Lucinha. E sei que é assim mesmo, principalmente para as mamães “donas de casa”. Mas o propósito aí é deixar claro que existem momentos em que é preciso colocar disciplina, se desligar, para focar em uma ação concreta, especialmente se essa ação requer capacidade intelectual e não se trata de tarefa repetititiva. O problema é que hoje, o fluxo de mensagens eletrônicas não dão sossego e se a pessoa não colocar “regras, com certeza, terá prejuízos em termos de produtividade. Ainda que temporariamente, há que se exercer alguma resistência!
      Obrigado pelo comentário.

  2. Pingback: Sobrecarga de informações – Como você está lidando com essa realidade dos dias atuais? | O Bem Viver

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