“Se eu fosse eu, o que eu faria?” – Excelente reflexão!

   www.dailymail.co.uk

Reproduzo, a seguir, publicação feita no blog “Homens, Vamos Despertar” pelo amigo Arnaldo Costa, trazendo rica e instigante reflexão a respeito do que seria a pessoa sem “máscaras”, sendo ela mesma, pura, verdadeira e livre das armadilhas comportamentais que a vida nos impõe. Um devaneio, se tomado ao pé da letra?

Recomendo, pois, a leitura do texto que a seguir transcrevo:

“Se eu fosse eu, o que eu faria?

Boa pergunta.
Clarice Lispector andou investigando e nos provocou a respeito:

“ … experimente: se você fosse você, como seria e o que faria?…

Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua, porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho por exemplo que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo que é meu e confiaria o futuro ao futuro.

“Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido.

No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo.

Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir.

Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar…”

Clarice, você nos mete em cada situação!

Tentei imaginar se eu de fato fosse eu.

A primeira coisa que faria seria dizer muitos “nãos”.

Não para os sorrisos falsos (os meus também), não para o medo, não para o controle da vida, não para o motorista abusado que acuso sendo eu também mais um, não para a burocracia rígida que exige absurdos, não para as amizades que não edificam, não para os relacionamentos vazios, não para as futilidades da vida. Enfim, não para todos os sims de conveniência ou temor!

Aliás, pensando bem, diria apenas “sims”. Ação ao invés de reação. Corrente positiva com a energia da corrente negativa, potencializada. Entrega, autencidade, verdade, amor, deus. Com letra minúscula que se espalha e se confunde com o todo.

O sim já engole e traz embutido os nãos rejeitados, as palavras não ditas, o movimento em retração, o sentimento amortecido.

Pronto! Estará feita a confusão. Transgressão. Afronta. Atrevimento.

Mas também uma porta para a realização. Pulando nos abismos com os olhos abertos e a mente consciente. O coração aos solavancos, sentindo todas as emoções. E seriam muitas.

Como disse a Clarice, todas as dores do mundo mas também o êxtase da alegria. A maior integração dos opostos. Sombra e luz.

Clarice não disse, mas poderia ter insinuado: nós não conseguiremos nos passar por outra pessoa e enganar permanentemente o mundo todo (nem a nós mesmos). E, claro, só conseguiremos ser verdadeiramente felizes sendo nós mesmos.

Como é difícil sair do teatro que nós mesmos nos metemos e redigimos o enredo!

Utopia? Mas o que seria do mundo sem as utopias e as Clarices que nos instigam?

Fonte – http://homensvamosdespertar.blogspot.com.br/2015/04/se-eu-fosse-eu-o-que-eu-faria_28.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+blogspot/ddTXO+(Homens,+vamos+despertar!)
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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir o próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (acabo de retomar o projeto 'música para idosos'), além de assegurar espaços na agenda para reflexões e meditações. Gosto de ler, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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4 respostas para “Se eu fosse eu, o que eu faria?” – Excelente reflexão!

  1. Lucimar beier disse:

    Instigante e confuso. Rssss.

  2. De fato é difícil sair do palco, especialmente retirar as máscaras que outras pessoas nos vestem. Mas se tivermos vontade de retirá-las, aos poucos vamos conseguir. O pior é ouvir as pessoas dizerem que mudamos muito. Na verdade não houve mudanças, mas tiramos a máscara que nos incomodava tanto. Porque é difícil viver sempre representando para agradar, e sermos o que os demais esperam. Mito legal!
    Uma semana abençoada!

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