Pratique a meditação: você só tem a ganhar!

Por que meditar?

A minha convicção é a de que o nível de agitação, de impaciência, de ansiedade e de estresse demonstrado pelas pessoas nas suas atividades cotidianas, seja na rua, no trabalho, em casa, em qualquer lugar vem crescendo dia após dia. As pessoas querem fazer muita coisa ao mesmo tempo, perdem a paciência com facilidade cada vez maior, não mais conseguem se concentrar pelo menos para ouvir o outro, um programa televisivo, ler um bom texto etc. Ao pensar nesses estilos de comportamento contemporâneos, quando comparados com o padrão comportamental esperado (imaginado) de um ser humano pleno, equilibrado e saudável, tenho claro que o atual “estilo de vida” não pode ser saudável. São sintomas que demonstram um acumulado de muito mais perdas do que ganhos, muito mais involução do que evolução. Com isso, tais comportamentos geram um ambiente de dificuldades para a boa execução, não favorecendo o alcance da excelência naquilo que está sendo feito e, pior ainda, fomentam ambiente propício para o comprometimento da saúde física e mental. Em suma, esse atual estado de espírito, esse ritmo de vida veloz e “pragmático” não está correto e está levando as pessoas a uma espiral de efeito negativo que aumenta continuamente a olhos vistos. Diria, invocando o trecho de uma canção de Caetano Veloso, que “alguma coisa está fora da ordem mundial”!

Nesse contexto, considerando que eu me encontrava até pouco tempo imerso em um cotidiano profissional de ansiedade e estresse que ganhava dimensão e efeitos cada vez mais acentuados, fui buscar ajuda na meditação para o reequilíbrio e a reorganização do meu corpo-mente.

Como me sinto (resultados práticos)

Hoje, com a prática diária da meditação, em casa, iniciada a cerca de quatro meses, com dedicação entre 15 e 30 minutos em cada sessão, uma ou duas vezes por dia, já posso experimentar uma significativa melhora geral. Por vezes, também pratico a meditação em grupo. Sem dúvida, com a ajuda da meditação, me sinto agora mais centrado, sereno e bem mais criativo. Os resultados alcançados até aqui já são muito positivos e estou certo de que evoluirei muito mais, por conseqüência natural da prática continuada e aprofundamento nas técnicas meditativas!

Mas, o que é meditação?

Para responder, sem prejuízo das inúmeras e distintas tentativas de definições que estão atualmente ao nosso alcance, busco resposta na sabedoria milenar, ao transcrever trecho do capítulo 2 do Livro Siddharta, de Hermann Hesse: “Há um diálogo interessante entre Sidarta e Govinda em que Sidarta diz: ‘O que é a meditação? O que é o abandono do corpo? Que significa jejum? E a suspensão do fôlego?’ São modos de fugirmos de nós mesmos. São momentos durante os quais o homem escapa à tortura de seu eu. Fazem-nos esquecer, passageiramente, o sofrimento e a insensatez da vida. Sidarta também nota que nenhuma doutrina é capaz de fazer a pessoa atingir a iluminação, apenas a vivência tem essa capacidade”.

Também, acho interessante esta simples definição de Deepak Chopra, famoso médico indiano radicado nos EUA e escritor de diversos livros: “o sono é meditação inconsciente e meditação é o sono consciente.” Já Daniel Goleman, psicólogo, autor de livros e professor da Universidade de Harvard, assegura, em seu livro A Arte da Meditação, que, “em essência, a meditação é o esforço para reexercitar a atenção”.

Como praticar a meditação

A meditação pode ser praticada individualmente (solitariamente) ou em grupo.

Com o propósito de demonstrar o quão fácil é começar a prática meditativa e, adicionalmente, de desmistificar certas idéias limitadoras que a esse respeito podem ser imaginadas, vou comentar alguns aspectos práticos e, na sequência, sugerir uma maneira muito simplificada (fácil e sem complicação) para quem nunca praticou e que queira se tornar um meditante, como resumo das observações que tenho feito até aqui a respeito das diversas técnicas de meditação existentes e, também, como aprendizado decorrente da própria prática por mim vivenciada:

  1. A meditação pode ser praticada em qualquer lugar que você julgue adequado e possível para essa atividade, por exemplo, em casa, no trabalho, no templo/igreja, no avião. Enfim, no ambiente que lhe propicie tranqüilidade;
  2. Esteja confortável para a atividade. Folgue o cinto e procure não estar vestindo roupa apertada;
  3. Para começar, sente-se de maneira que o seu corpo fique ereto e relaxado, de preferência com apoio nas costas, mas não muito confortável, para evitar cair no sono. Você pode utilizar-se de uma cadeira comum, que tenha recosto (com espaldar reto e firme). Os pés (sem sapatos) devem estar totalmente apoiados no chão, a cabeça deve permanecer reta, com o pescoço e a coluna alinhados, como se estivesse sendo puxada para o alto, e as mãos descansando sobre o colo, uma sobre a outra em formato de concha ou simplesmente apoiadas em cada coxa. Muitas pessoas, em especial aquelas que praticam ioga ou meditação há mais tempo, preferem sentar-se na posição de lótus. Cabe esclarecer que os principais métodos de meditação praticados aqui no ocidente não exigem que a pessoa esteja em posição de lótus, que é a posição natural dos iogues e aquela tradicionalmente observada nas práticas de meditação adotadas por hindus e budistas. Essa adaptação decorre do fato de que a posição de lótus é desconfortável e até impraticável para muitas pessoas;
  4. Agora, feche os olhos e assim permaneça até o final da meditação. Nessa fase inicial da prática, o seu foco de atenção será a sua respiração. Preste atenção na respiração cada vez mais, no ato de inspirar e de expirar, observando atentamente o ar que entra e sai pelas narinas. Como etapa seguinte, esteja atento para o movimento de expansão e redução do seu ventre (baixo abdômen), que sobe quando você inspira e desce quando expira. E assim continue observando até o final da prática…
  5. Não se incomode, nem se desestimule se inicialmente você sentir dificuldade para se “aquietar” e silenciar a mente. As “distrações” são comuns/naturais para quem está começando. Não há qualquer problema nisso. Deixe os pensamentos chegar e sair. Quando isso ocorrer, simplesmente traga a sua mente para o seu propósito, o seu foco de atenção, que é a respiração. Aliás, cabe esclarecer que meditar não é “não pensar em nada”. Essa é uma idéia equivocada;
  6. O normal é que se medite por pelo menos10 minutos a cada vez. Nessa fase inicial é geralmente recomendado um período meditativo entre 10 e 20 minutos. Contudo, para as pessoas mais “agitadas”, o tempo de meditação inicial pode ser mais reduzido, devendo ser aumentado aos poucos, com o passar das práticas;
  7. Tente meditar duas vezes ao dia, preferencialmente antes de começar as atividades (pela manhã) e ao final da jornada (à tarde ou à noite).

 Os métodos, escolas e técnicas de meditação

São diversas as técnicas de meditação, as escolas, como a Budista, a Transcendental e a Zazen. Por exemplo, falar em Budismo, em adotar a sua filosofia e praticar os seus preceitos, significa em grande medida praticar a meditação. No Budismo, além da meditação contemplativa (silenciosa), também pode ser praticada a meditação cantada (recitada). Outra escola, que também se orienta nos ensinamentos de Buda, desenvolve a chamada meditação Vipassana, com adoção da meditação silenciosa. De outro lado, ao praticar algumas linhas de Ioga, especialmente as mais tradicionais (Hatha, por exemplo), também se praticam fundamentos da meditação. Podem ainda ser encontradas – busca rápida pela Internet – diversas outras técnicas de meditação, com maior ou menor variação em relação aos métodos mais conhecidos.

Tenho observado que a linha mestra das variadas escolas e técnicas de meditação é muito mais convergente do que divergente. O que muda são as ambientações, as crenças que decorrem de uma ou outra linha a ser seguida e a forma de concentração utilizada.  Um ponto a ser comentado em relação a essas escolas/técnicas de meditação é que algumas delas empregam os chamados mantras. O mantra é uma palavra ou um som escolhido pelo meditante que tenha significado positivo para ele, que pode ser repetido apenas mentalmente (silenciosamente). De acordo com essas técnicas, o mantra ajuda as pessoas na obtenção do relaxamento, segundo Daniel Goleman, no seu livro antes referido.

Falando um pouco dos benefícios proporcionados pela meditação

Nos dias atuais os benefícios da meditação estão bem mais divulgados do que antes, dada a quantidade de pesquisas, relatos e depoimentos a esse respeito disponíveis e ao alcance de todos, cada vez mais. De pronto, basta dizer que o ato de meditar por si só propicia tranqüilidade, sensação de paz e, sobretudo, propicia o exercício da atenção mental do meditante. Com isso, ao meditar, o praticante logo obtém alguns benefícios, que chamaria de naturais e imediatos, como o relaxamento geral do corpo propiciado pela correta postura física e mental e pela atenta e cadenciada respiração, a sensação de serenidade, o controle da agitação, dos batimentos cardíacos, o aumento da capacidade de atenção, entre outros. Por óbvio, esses rápidos resultados são positivos para a saúde plena de quem medita!

Além do que, a quantidade de benefícios da meditação, com base em estudos/pesquisas científicos realizados mundo afora, já é grande e não pára de crescer.

Daniel Goleman traz em seu livro, já mencionado, relatos sobre comprovados benefícios da meditação – com base em estudos científicos realizados décadas atrás – em pessoas com variados problemas cardiovasculares, como hipertensão e artérias entupidas, além de cura ou redução de vários outros distúrbios, como ansiedade, dores de cabeça e insônia. Esse autor também assegura que a meditação auxilia no enfrentamento de situações de estresse. Mais ainda, informa que o repouso profundo proporcionado pela meditação reforça o sistema imunológico, que é a defesa do organismo contra bactérias, vírus e câncer.

Com efeito, segundo divulgado pela mídia em geral, pesquisas científicas realizadas por muitos pesquisadores e universidades pelo mundo afora – incluindo pesquisas importantes também desenvolvidas aqui no Brasil, a exemplo do Hospital Albert Einstein e da Universidade de Brasília – atestam o benefício das técnicas meditativas na cura ou no tratamento de variadas doenças. Além das mencionadas no parágrafo anterior, há constatação de eficácia em casos de depressão e em pacientes que tiveram minimizados os efeitos colaterais de tratamentos quimioterápicos para câncer etc.

Por outro lado, independentemente de a meditação ser utilizada para curas, uma grande quantidade de pessoas importantes, como empresários, executivos, esportistas e artistas em geral tem dado depoimentos, em entrevistas ou divulgações pela Internet/redes sociais, dos benefícios para o corpo e a mente que a prática regular de meditação lhes proporciona. Até mesmo empresas e organizações diversas, no exterior e também no Brasil, já relatam resultados altamente positivos com a saúde, a satisfação e a produtividade dos seus colaboradores após terem adotado práticas meditativas no local de trabalho e com adesão cada vez maior pelo seu pessoal.

E você, qual a sua experiência com meditação? Gostaria de comentar, oferecer o seu depoimento a esse respeito? Fique à vontade para compartilhar neste espaço!

Uma reflexão final

Creio que haja um senso comum, já generalizado e universal, de que a meditação é uma prática que faz bem. Com efeito, para auferir os seus benefícios cotidianos de forma mais consistente e duradoura, os especialistas recomendam que a pessoa deva meditar não menos do que 20 minutos por dia, no mínimo cinco dias por semana. Que tal incorporar a prática da meditação na sua vida?

JC Dattoli, Brasília, março de 2014.

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Sobre JCDattoli

Este blog foi idealizado para compartilhar reflexões e discussões (comentários, frases célebres, textos diversos, slides, vídeos, músicas, referências sobre livros, filmes, sites, outros blogs) que contribuam para a realização e o crescimento do ser humano em toda a sua essência e nas dimensões pessoais e profissionais. Almejo que o ser humano se mostre cada vez mais virtuoso, atento e disposto a servir ao próximo em cada momento da sua existência. Atuei profissionalmente por quatro décadas, com bastante intensidade, nas áreas pública e privada. Ocupei de cargos técnicos a postos de chefia e direção. Neste novo momento, pretendo ajudar pessoas a atingir outros patamares na vida – e na profissão. Dedicarei parte do tempo para ações sociais/humanitárias (levar música ao vivo para casas de idosos é uma das frentes de atuação, iniciada em 2007), além de assegurar espaços na agenda para o exercício do autoconhecimento e para a meditação, no caminho da evolução pessoal permanente . Gosto de ler, de aprender coisas novas, de praticar atividades físicas e de cantar-tocar violão. A família e as amizades são preciosas matérias-primas na construção do bem viver. Apesar das incongruências, desencontros e descaminhos humanos, tenho por missão dedicar-me mais e mais às pessoas como contributo para um mundo verdadeiramente melhor!
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3 respostas para Pratique a meditação: você só tem a ganhar!

  1. Camila disse:

    Parabéns pelo blog, Sr Clóvis! Tenho certeza de que esta será mais uma história de sucesso em sua trajetória! Beijos e estou me inspirando para colocar em prática os ensinamentos para a meditação.

  2. Pingback: Respirar com consciência lhe fará viver bem melhor! | O Bem Viver

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